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domingo, 5 de agosto de 2012

Katy Perry: Part of Me

Documentário que mostra os bastidores da turnê "California Dreams" de Katy Perry ao mesmo tempo em que conta a trajetória musical da cantora desde que era uma garota comum vivendo numa casa extremamente religiosa, até estourar nas paradas e se tornar uma das artistas pop mais bem sucedidas dos últimos tempos. O filme também explora o relacionamento dela com o comediante Russell Brand e a eventual separação dos dois.

O clímax emocional do filme é durante a apresentação de Katy em São Paulo (o maior público da turnê) onde ela ficou visivelmente emocionada com a reação dos fãs (eu estava lá nesse momento e me lembro da eletricidade no ar - foi um momento incrivelmente verdadeiro e íntimo de Katy - em seu choro contido, estava a prova silenciosa de que ela havia realizado seu "teenage dream" e estava no auge do sucesso).


Gosto de Katy mas o documentário em si não me impressionou muito e não acho que ajuda a defini-la como uma estrela - pelo contrário; a intenção parece ser a de mostrar que ela é uma garota simples e que essa história poderia ter acontecido a qualquer uma. Eles realmente nos convencem de que Katy é uma menina comum - não no sentido de não ser arrogante e ter uma vida normal, mas no sentido dela nem parecer ser uma artista ou ter qualquer talento fora do comum que justifique seu sucesso - uma garota com uma personalidade ainda em desenvolvimento e que até pouco tempo atrás nem tinha um gosto musical definido.

Toda a abordagem me pareceu ir contra a natureza do documentário e eu só ficava me perguntando onde estava a mente brilhante que escreveu um álbum inteiro só de hits. Não parecia ser a mesma pessoa que estava na tela. O cartaz do filme diz "seja você mesma e você poderá ser qualquer coisa" - o filme parecer querer inspirar os fãs escondendo que ela tenha qualquer virtude; dizendo que seu sucesso aconteceu simplesmente porque ela "acreditou" e "foi ela mesma". Não sei se compro muito essa história. Part of Me parece literalmente parte de Katy - gostaria de ter visto a outra parte também.

Katy Perry: Part of Me (EUA / 2012 / 93 min / Dan Cutforth, Jane Lipsitz)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Glee 3D: O Filme, Justin Bieber: Never Say Never, Jonas Brothers 3D - O Show, etc.

NOTA: 6.0

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Prometheus


Prequel de Alien - O 8º Passageiro que marca a volta de Ridley Scott ao gênero que o consagrou (além de Blade Runner, Ridley fez o Alien original). O filme se passa no ano de 2093 (28 anos antes do clássico de 79) e acompanha a tripulação da nave Prometheus a caminho de uma lua distante onde eles esperam encontrar seres avançados e desvendar alguns dos mistérios sobre a origem da vida na Terra.

O filme é ficção-científica de primeira e é uma das entradas mais ambiciosas no gênero desde Avatar - não só pelo altíssimo nível da produção, mas também por explorar temas grandes como a origem da vida, etc. O elenco excelente tem Noomi Rapace (estrela do Os Homens que Não Amavam as Mulheres original sueco) no papel da cientista de personalidade forte, que tenta ser o equivalente à Sigourney Weaver dos outros filmes. Charlize Theron está ótima como a supervisora fria da Weyland Corporation; mas quem se destaca mesmo é Michael Fassbender no papel de David - o androide fã de Lawrence da Arábia que é quase uma versão ambulante do HAL-9000 (em uma das referências do filme a 2001).


Havia dúvidas quanto à conexão de Prometheus com os outros filmes da série Alien - se este faria de fato parte da série ou se seria uma spin-off na linha de Alien VS. Predador. Mas embora a história funcione independentemente dos outros filmes, fica claro que este é de fato um Alien legítimo, se passando no mesmo universo, compartilhando muitos dos elementos dos primeiros filmes - não só em aspectos concretos - como cenários, objetos, etc, mas também no ritmo, na construção das cenas, dos personagens, na estrutura do roteiro - quase como uma mesma música regravada apenas com uma letra diferente.

Ainda assim, o filme não é tão impecável quanto Alien ou Aliens, até porque ele tenta realizar muito mais. Alien era basicamente Tubarão no espaço e era perfeito em sua simplicidade. Prometheus, ao tentar abordar grandes questões filosóficas, acaba deixando várias pontas soltas na história, e o espectador termina mais confuso do que satisfeito (não há aquela clareza de 2001, que conseguia fazer afirmações elaboradas de maneira simples e nítida).

Apesar da trama ligeiramente insatisfatória, o filme é indiscutivelmente bem feito e envolvente - e assim como a famosa cena do jantar de Alien, tem pelo menos 1 sequência "showstopper" que já surge como referência do gênero.

Prometheus (EUA / 2012 / 124 min / Ridley Scott)

INDICAÇÃO: quem gostou de Star Trek, das séries Matrix, O Exterminador do Futuro, e dos primeiros Alien.

NOTA: 8.0

domingo, 10 de junho de 2012

Branca de Neve e o Caçador


Diferente do outro filme da Branca de Neve em cartaz - Espelho, Espelho Meu - esse aqui tem um tom bem mais sério, uma produção mais sofisticada (o visual é excelente - o melhor aspecto do filme), e segue a estética de sagas modernas como Harry Potter e Crepúsculo (parece ser o primeiro filme de uma trilogia). É mais uma dessas "versões sombrias" de contos de fadas, como fizeram com a Chapeuzinho Vermelho em A Garota da Capa Vermelha.

Tirando o aspecto visual (fotografia, figurinos, direção de arte), o filme não tem nada de muito bem feito ou original, e basicamente aposta suas fichas no ato de ser sombrio - nas cenas feias e grotescas, como se o fato de ser desagradável por si só já garantisse ao filme um selo de qualidade. É o que mais me chama a atenção nos filmes voltados pro público jovem e aceitos como entretenimento hoje em dia - a ausência completa de humor, de romance, ou de qualquer sentimento associado a entretenimento. Na maior parte do filme vemos Branca de Neve (Kristen Stewart) sofrer, ser torturada, envenenada, nadar no esgoto com anões, enterrar anões, vemos o rosto perfeito da rainha se deformando, ela degustando tripas de pássaros, e assim por diante. Kristen Stewart está apática o filme todo e seu personagem não tem força - nem a parte romântica do filme funciona, e nem a parte guerra / Joana D'Arc, que exigiria uma heroína mais convincente.



Charlize Theron, embora forçada, é a personagem mais interessante do filme, fazendo a rainha obcecada por beleza. Mas outra coisa que enfraquece a história é o fato de Charlize estar deslumbrante no filme - quando o espelho mágico declara que agora Branca de Neve é a mais bela do reino (o que dá origem a todo o conflito), é difícil não imaginar que, pela primeira vez, o espelho possa estar enganado.

Snow White and the Huntsman (EUA / 2012 / 127 min / Rupert Sanders)

INDICAÇÃO: Quem gostou dos últimos Harry Potter, da saga Crepúsculo, Alice no País das Maravilhas (Tim Burton).

NOTA: 6.0

terça-feira, 29 de maio de 2012

Homens de Preto 3


10 anos após Homens de Preto 2, a equipe original se reúne pra mais um capítulo da série - Barry Sonnenfeld na direção, Spielberg na produção executiva, Will Smith e Tommy Lee Jones no elenco (Smith não fazia filme há mais de 3 anos). Além deles, Josh Brolin e Emma Thompson fazem participações divertidas no filme.

A história gira em torno de um vilão extraterrestre chamado "Boris, o Animal" que foi preso pelo Agente K (Tommy Lee Jones) em 1969. 40 anos depois, Boris escapa da prisão (com a ajuda da Nicole Scherzinger) e viaja no tempo de volta para 1969 pra se vingar do Agente K e evitar de ser preso - ou seja, é uma aventura cômica sobre viagem no tempo que brinca com os paradoxos comuns do gênero e interfere com eventos históricos (o clímax do filme se passa durante o lançamento da Apollo 11).


Até onde lembro, o filme é tão divertido e bem feito quanto os primeiros e felizmente não foi "modernizado" pra atender às preferências atuais do público por violência e heróis frustrados. O filme serve como uma lembrança do quão mais positivas eram as superproduções há 15 anos atrás, e se destaca da maioria dos filmes de hoje pelo fato de ter um roteiro bem feito - uma história elaborada, personagens com profundidade, motivações convincentes, inteligência, além de uma certa amplitude emocional (cenas de ação tensas, ótimas piadas, um toque de emoção e seriedade), que é uma das marcas de todo bom entretenimento.

Men In Black III (EUA / 2012 / 113 min / Barry Sonnenfeld)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Star Trek (2009), Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, Hancock, Piratas do Caribe, etc.

NOTA: 7.5

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Battleship: A Batalha dos Mares


Em 2005, a NASA descobre um planeta fora do sistema solar com condições similares às da Terra. Na esperança de descobrir vida inteligente, eles enviam um sinal em direção ao planeta. Anos depois, os alienígenas respondem o sinal - invadindo a Terra e preparando a nossa destruição. A batalha ocorre no mar entre os aliens e uma frota de navios. O herói é um tenente da marinha (Taylor Kitsch) irresponsável porém talentoso (isso é o que dizem; nós nunca vemos talento algum) e que precisa se provar pro almirante Shane (Liam Neeson), seu superior, pois pretende se casar com sua filha.

O filme foi baseado no jogo de tabuleiro Batalha Naval, mas parece muito mais baseado em Transformers e Independence Day, até pelo "detalhe" de que não haviam extraterrestres no jogo da Hasbro (!).

Comparado aos últimos Transformers, a história é mais bem contada e tem certas ousadias, mas ainda assim não há nenhum interesse dramático. Não há conflitos envolventes, o herói não apresenta nenhuma desvantagem nem parece sofrer grandes riscos. Ele não quer salvar o mundo por algum senso de heroísmo ou superação, mas pra ficar com a loira burra que paquerou no bar. Na verdade não é nem pra conquistar a loira que ele precisa salvar o mundo, e sim pra conseguir a aprovação do pai dela - o pai que nem chegou a proibir a relação pra começo de conversa (e mesmo se proibisse, seria assim algo tão sério?). Ou seja, não há conflitos ou interesse na história como um todo.


Outro problema é que não dá pra acreditar na ação do filme - que homens com canhões teriam chances contra uma inteligência extraterrestre tão mais avançada, ainda mais liderados por um garoto inconsequente. Uma coisa que facilita o combate é o fato dos aliens não resistirem à luz do Sol - o que deixa de fazer sentido se você lembrar que a NASA selecionou o planeta deles justamente por ter as mesmas condições climáticas da Terra.

Rihanna estréia como atriz mas suas cenas são curtas e nem dá muito tempo de vê-la atuando.

Battleship (EUA / 2012 / 131 min / Peter Berg)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Cowboys & Aliens, G.I. Joe - A Origem de Cobra, das séries Transformers, Piratas do Caribe.

NOTA: 4.0

sábado, 5 de maio de 2012

Paraísos Artificiais


Do diretor do premiado documentário Estamira, o filme conta a história de 3 jovens que vivem um momento intenso num festival de música eletrônica, e depois tomam rumos diferentes.

Meu problema com o filme é que eu não gosto nem do assunto, nem dos personagens, nem do estilo de narrativa. A abordagem é Naturalista e além disso a história é contada fora de ordem cronológica. Não há um enredo; é basicamente uma alternância entre cenas de sexo (com muita nudez, como nos tempos da pornochanchada), imagens de pseudo-lésbicas se beijando e trocando sorrisos maliciosos (pra dar ao filme um ar "moderno"), e pessoas consumindo drogas.

Apesar do tom crítico do título, o filme não é uma denúncia, nem mesmo um retrato neutro, e sim uma celebração desse estilo de vida (que "infelizmente" traz algumas consequências negativas); um retrato simpatizante dessa geração de hippies endinheirados que parecem modelos e podem viajar pra Holanda pra consumir drogas.

Nós acompanhamos os personagens de festa em festa, viajando, traficando drogas, fazendo sexo sem sentido, ouvindo sons monótonos em raves, rindo histericamente num minuto e chorando sem motivo no próximo. Eles buscam todo tipo de prazer no irracional, no ato de desligar a mente, e depois vão contemplar o mar e se perguntar por que a vida é tão trágica e incompreensível (o filme está explicitamente na premissa de "universo malevolente").



Mais pro fim, são jogados alguns diálogos Freudianos que tentam enfiar na história algum significado mais profundo, sem sucesso.

O filme tem uma produção bem cuidada, imagens bonitas, mas o material é tão pobre que não vem ao caso elogiá-lo por competência técnica.

Paraísos Artificiais (Brasil / 2012 / 96 min / Marcos Prado)

INDICAÇÃO: Quem gostou de VIPs, Meu Nome Não É Johnny, etc.

NOTA: 3.0