sábado, 15 de fevereiro de 2014

Ela (anotações)

- Visão do futuro meio sombria mas a parte de tecnologia é interessante! A cena dele no chat com a outra mulher (do gato morto) é boa pra mostrar a frustração dele na vida pessoal - embora seja pouco provável que no futuro as pessoas usem chat apenas por áudio (pensando no Google Glass, o filme já parece um pouco ultrapassado).

- Maravilhosa a computadora! Muito carismática e cheia de personalidade. A relação entre os dois já funciona logo do começo. Não me lembro de um personagem tão convincente do qual só ouvimos a voz - exceto o HAL-9000, claro. Elenco ótimo, premissa interessante, diálogos inteligentes e sensíveis.

- Linda a cena em que ele está triste na cama e a Samantha anima ele. Ela é realmente apaixonante (isso é tão mais bem feito que Ruby Sparks!). Pena que o filme não explora o processo de criação dela. Queria saber mais dos critérios que o sistema usou pra criar um par perfeito pra ele. Filme não discute valores - por que motivos umas pessoa se atrai por uma e não por outra, etc.

- Amy Adams está bem em todos os filmes que ela faz? Jogo que ela inventa da "mãe perfeita" muito divertido. Roteiro é cheio de ideias criativas.

- Boa a discussão entre ele e a ex-mulher! Ela joga na cara dele o óbvio que a plateia já está pensando - que ele não consegue se relacionar com pessoas reais e resolveu sair com o lap-top!

- Interessante como, apesar da situação ser fantasiosa, o filme a aborda de uma maneira realista, socialmente falando. Quando ele fala pra ex que está saindo com um OS, a reação dela é como se ele estivesse saindo com uma menina muito mais nova e fútil. A reação dos amigos, é como se ele tivesse se assumido gay - reagem com excesso de naturalidade, como se quisessem enfatizar que não têm preconceito.

- Samantha não devia começar a ficar neurótica e pirar. Porque, se o relacionamento deles não der certo, isso vai ser só porque ela foi mal programada. Vai deixar sem resposta a pergunta fundamental do filme - é possível um relacionamento satisfatório entre uma pessoa e um computador?

- Filme faz a gente refletir, mas é cínico. Sugere que a tecnologia é tão maligna que irá fazer mesmo um homem sensível como Theodore eventualmente abandonar as relações interpessoais - algo que não acredito.

- SPOILER: Final parece sugerir que ele e Amy Adams é que deviam ser um casal - e que eles só não estão juntos pois a tecnologia ("vilã") criou experiências tão idealizadas que um relacionamento real passou a ser frustrante. É como se o filme dissesse: esse tipo de felicidade não existe - fique com pessoas pelas quais você não está apaixonado, se não você terminará sozinho.

CONCLUSÃO: Retrato brilhante e sensível de um relacionamento entre um homem e uma máquina (e de relacionamentos em geral). Só discordo um pouco do tom de crítica à tecnologia.

(Her / EUA / 2013 / Spike Jonze)

FILMES PARECIDOS: O Mestre, Ruby Sparks, Meia-Noite em Paris, O Curioso Caso de Benjamin Button, Adaptação, etc.

NOTA: 8.0

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Uma Aventura Lego (anotações)

- Essa animação é stop-motion??? Se for é algo realmente notável. Mas mesmo que não seja, é diferente e interessante visualmente. Só sinto falta de expressões faciais... Parece que estamos olhando pra objetos de plástico mesmo, não pra personagens.

- Crítica à sociedade superficial e preconceituosa. Só porque muitas pessoas se comportam de uma forma parecida ou gostam de uma mesma música, isso não significa que elas estão erradas ou que não têm senso crítico. Uma pessoa que ouve música alternativa também pode ser perfeitamente "robótica" e dependente das normas sociais - ela apenas quer pertencer a um clube menos popular. A música "Everything is Awesome" é pra zombar do pop, dando a impressão de que algo divertido é necessariamente inferior culturalmente. Nada mais contraditório do que esses valores anti-indústria estarem sendo usados pra vender Lego.

- Personagem principal realmente é um Zé Ninguém. Não é carismático e não me faz torcer por ele (todo o filme tem uma atitude anti-herói que ele parecer achar original e subversiva - mas se você for pensar, hoje em dia isso é que é o convencional).

- Filme quer envolver a plateia numa aventura épica tipo Star Wars (e usa os recursos narrativos desse tipo de história) ao mesmo tempo em que tira sarro e cospe na cara desse gênero de filme.

- Roteiristas não têm muito filtro - qualquer ideia parece ser válida desde que seja maluca e fora de contexto (tipo: Wyldstyle namora o Batman). Não é um nonsense inteligente como Os Simpsons, por exemplo.

- Filosofia anti-individualismo. O filme quer que as pessoas trabalhem apenas em grupo, que pensem em conjunto - é contra a pessoa de talento, qualquer um que se destaque. Apesar disso, isso não impede o filme de tentar passar uma mensagem inspiradora no final - mas como ninguém pode ser especial, pois isso seria individualismo, a mensagem é uma contradição: "todos nós somos especiais" (teria gostado se o filme dissesse "todos nós temos potencial" ou algo do tipo).

CONCLUSÃO: Interessante como animação e há algumas ideias criativas, mas os valores por trás do filme são cínicos e contraditórios.

FILMES PARECIDOS: Kick-Ass, Os Simpsons: O Filme, Scott Pilgrim Contra o Mundo.

NOTA: 4.0

domingo, 9 de fevereiro de 2014

A Menina que Roubava Livros (anotações)

- Produção maravilhosa! Imagens muito bonitas - e trilha do John Williams é sempre um encanto pros ouvidos.

- Menina principal muito linda e carismática. Lembra um pouco a Drew Barrymore quando era criança. Filme consegue criar uma empatia imediata por ela (a sede por conhecimento + o fato dela não saber ler, sofrer bullying, etc).

- Relação dela com o pai adotivo muito doce e pura. Até por haver o contraste com a mãe que é dura e pouco afetuosa.

- Tema do filme (vida sob o nazismo) não tem nada de novo, mas o nazismo visto pelo ponto de vista de alemães inocentes é um ângulo diferente e interessante (O Menino do Pijama Listrado tinha um pouco disso, mas aqui o tema é explorado de uma forma mais ampla).

- Narração feita pela Morte parece deslocada. É algo fantasioso demais pra essa história, e além disso o tom de ironia não combina com o resto do filme.

- Interesse incomum dela por livros se torna compreensível após as primeiras cenas na escola, pois vemos que ler pra ela significa não ser mais considerada burra, não ser mais humilhada, etc.

- Amizade entre ela e Max também é muito doce, assim como a dela com o pai. Adoro o fato de Max ser grato e não reclamar, mesmo vivendo em condições terríveis. Personagens são muito íntegros.

- Falta talvez um objetivo mais específico pra protagonista. Roteiro acaba sendo meio episódico - não sabemos direito se há uma mensagem ou pra que direção ele está indo.

- Legal como a Emily Watson começa como uma megera mas depois se transforma. Boa forma de enfatizar o espírito de benevolência do filme.

- Assim como a narração, o final também parece estranho e forçado. É algo ousado demais pra um filme tão convencional e pouco intelectual.

CONCLUSÃO: Tem alguns problemas de tom, mas em geral é um drama bem intencionado e bem produzido sobre o nazismo, contado por um ponto de vista diferente.

(The Book Thief / EUA, Alemanha / 2013 / Brian Percival)

FILMES PARECIDOS: Cavalo de Guerra, O Caçador de Pipas, A Vida É Bela, Império do Sol, etc.

NOTA: 7.5

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

12 Anos de Escravidão (anotações)

- Direção estranha no começo. Saltos no tempo, cenas incompreensíveis. Filme dá uma desorientada na plateia, como se quisesse anunciar que ele é contra narrativas tradicionais.

- Fotografia bonita. Ator principal bom.

- Homem 100% inocente sendo injustiçado por pessoas 100% más. Não há muito o que discutir moralmente.

- Personagens são um pouco superficiais e mal apresentados, como se você tivesse pego a história da metade pra frente.

- História é batida - será que o filme trará algo de novo ao tema da escravidão?

- Brancos são caricatos. Nível de crueldade deles é incompreensível. Claro que existiam pessoas más na época, mas esse nível extremo de psicopatia nunca é gratuito, acaba soando falso psicologicamente. Filme não revela as motivações dos personagens. Apenas diz: o ser humano pode ser mau, e não há explicações.

- Não há um enredo interessante. Filme é monótono. Vemos uma cena de um escravo sofrendo nas mãos de um branco, depois outra, depois outra, depois outra. É a mesma mensagem repetida o filme inteiro. E o foco é no mal... Protagonista é uma vítima que tem pouco o que fazer na história, o que o torna desinteressante. Objetivo do filme é contemplar o sofrimento e a maldade humana - e ele o faz de maneira grosseira, pouco convincente. Não há caracterizações interessantes, diálogos inteligentes.

- Se o filme tivesse uma direção mais tradicional, provavelmente ele teria sido esnobado pela crítica. É o elemento de Subjetivismo na direção (saltos no tempo, edição estranha...) que faz ele parecer moderno e "artístico".

CONCLUSÃO: Filme tem uma performance central forte e envolve pelo lado emocional (é difícil não sentir pena dos personagens) mas é pobre em narrativa, conteúdo, originalidade, etc.

FILMES PARECIDOS: A Paixão de Cristo.

NOTA: 6.5

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Trapaça (anotações)

- Começo do romance entre Amy Adams e Christian Bale muito envolvente e intenso!

- Todos os atores estão bem / direção boa / fotografia boa / trilha sonora boa - filme todo é bem produzido e de bom gosto.

- Jennifer Lawrence ótima na primeira cena. Ela e Bale têm boa química também. Filme consegue criar relacionamentos fascinantes entre todos os personagens.

- SPOILER: Moralmente, simpatizo mais por esse filme do que pelo O Lobo de Wall Street, por exemplo. Apesar dos personagens aqui serem trapaceiros e também serem carismáticos, o filme não parece glamouriza-los da mesma forma. O próprio Bale já começa sendo apresentado como  um loser (bem fora de forma, fazendo aquele penteado ridículo). E eles parecem reconhecer que são imorais. São exceções (filme não é uma crítica generalizada à natureza humana, ao sucesso, etc). Além disso, eles são pegos logo no começo e durante a maior parte do filme estão do lado dos mocinhos, ajudando o FBI.

- Trama (prefeito, máfia, etc.) não é muito envolvente e é complicada de acompanhar. Filme se mantém interessante mais por causa dos relacionamentos e do estilo.

- Jennifer Lawrence diverte mas às vezes exagera. Amy Adams está mais controlada no papel.

- Roteiro não é muito sério - não discute a fundo questões morais, etc. Diretor parece mais estar brincando de Scorsese / Paul Thomas Anderson. Apesar de muito bem realizado, às vezes sinto como se fosse um exercício de estilo. Que o diretor não está de fato interessado no conteúdo do filme. É como esses atores infantis que aprendem todos os maneirismos de atores adultos, e às vezes conseguem realizar performances impressionantes, mas que acabam sempre parecendo um pouco vazias e superficiais.

CONCLUSÃO: Trama não muito envolvente, mas filme se destaca pela produção e pelos ótimos atores e personagens.

(American Hustle / EUA / 2013 / David O. Russell)

FILMES PARECIDOS: O Lobo de Wall Street, Argo, O Gângster, Boogie Nights, Os Bons Companheiros, etc.

NOTA: 7.5

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Atividade Paranormal: Marcados pelo Mal (anotações)

- Filme quer ser o mais realista possível, mas pra isso acaba se passando num ambiente feio, desinteressante, e tendo personagens estranhos e pouco carismáticos que nem parecem protagonistas de um filme. Parece de fato um filme amador, mal feito, exceto pelas cenas com efeitos especiais.

- Lembra muito Poder Sem Limites. Pouco original.

- Por que eles ficam filmando tudo o tempo todo? Soa artificial.

- Que salada de ideias! Há demônios, possessões, super poderes, bruxaria, VHS's antigas, mordidas de vampiro, grávidas do demônio, crianças do mal, 666, religião, latinas místicas... Filme junta todos os clichês que já viu em outros filmes do gênero, como se a soma deles fosse resultar em mais medo.

- Em termos de sustos, filme não tem nada a acrescentar ao gênero... Sua técnica é a mais primária: aproximar a câmera de cortinas / portas / janelas até que surja algo subitamente fazendo barulho.

- SPOILER: Por que há sempre uma casa abandonada onde acontece o clímax? Final é um clichê imperdoável (protagonista morrer, a câmera cair no chão e o filme acabar). Depois de A Bruxa de Blair isso devia ter ficado proibido por uns 20 anos.

CONCLUSÃO: Filme parece ter sido feito com interesses exclusivamente comerciais, pra lucrar em cima da série, sem acrescentar nada de interessante à ela (afinal essas produções custam barato e vão bem de bilheteria - o orçamento aqui foi de 5 milhões de dólares e até agora já faturou mais de 80 no mundo todo).

(Paranormal Activity: The Marked Ones / EUA / 2014 / Christopher Landon)

FILMES PARECIDOS: Poder Sem Limites, todos da série AP.

NOTA: 3.5

sábado, 25 de janeiro de 2014

Philomena (anotações)

- Primeiro encontro entre Philomena e Martin muito bom! Divertido ela não rir da piada do O Mágico de Oz e depois rir da história da mãe dele. Mostra que ela tem uma personalidade única e imprevisível. Queremos conhecê-la melhor.

- Freiras sempre dão boas vilãs!!

- Mistério do destino da criança envolvente. Quem será que a adotou? Será que foi a Jane Russell?

- Martin é um pouco cínico e chato. Mas o fato dele resistir no começo à ideia de contar uma história de "interesse humano" faz a gente torcer pra que ele se envolva com Philomena e encontre uma história fantástica pra escrever.

- SPOILER: Judi Dench está simplesmente adorável. Demais ela contando a história do livro que leu pra Martin... ou a reação que ela tem ao descobrir que o filho era gay. Filme é um show de caracterização - mas não deixa de ter uma trama estruturada (não é Naturalismo).

- SPOILER: Depois que ela descobre que o filho já morreu, interesse na história não diminui, pois ainda é importante pra Philomena saber se o filho lembrava e se importava por ela.

- SPOILER: Surpresa final muito boa! Confronto com a freira também. Ela é um personagem assustador. Se castrou tanto por causa dos valores da religião que tem um ódio mortal de qualquer pessoa que aproveite os prazeres da vida e seja feliz.

- SPOILER: Eu jamais teria perdoado a freira no final. Mas entendemos a atitude de Philomena por causa da educação dela.

CONCLUSÃO: Não há um tema muito profundo, mas é uma história envolvente (baseada em fatos), bem contada, com ótimos personagens e atores.

(Philomena / Reino Unido, EUA, França / 2013 / Stephen Frears)

FILMES PARECIDOS: O Mordomo da Casa Branca, Histórias Cruzadas, Julie & Julia, Conduzindo Miss Daisy.

NOTA: 7.5

domingo, 19 de janeiro de 2014

Virgínia (anotações)

- Por que um autor famoso iria querer lançar seu livro numa cidadezinha dessas?

- Áudio estranho. Vozes às vezes parecem ficar em segundo plano enquanto outros elementos estão evidentes demais. Será que é assim mesmo ou é defeito do cinema?

- Conflito inicial interessante (ele não querer escrever mais uma história comercial só pra ganhar dinheiro). Mas depois o personagem parece acabar cedendo e o conflito deixa de existir.

- Premissa meio batida - lembra A Janela Secreta e outras histórias do Stephen King. O filme só não parece um clichê porque a direção e a fotografia são esquisitas.

- Excesso de fantasia. Pelo menos a parte real do filme deveria parecer real. Mas tudo tem cara de sonho.

- Processo de escrita dele é terrível... Não há nenhum planejamento... Não é acidental que ele esteja com bloqueio!

- Personagens discutem técnicas de narrativa, a necessidade de se ter uma boa história, um final de impacto, de não se perder em exercícios estilísticos, etc. Mas o próprio filme Virgínia não parece aplicar esses princípios.

- Investigação não é envolvente. Autor não tem nenhuma ligação pessoal com o massacre e ao longo do filme não parece estar correndo nenhum risco. Meu interesse é saber se ele vai escrever o livro ou não, se vai ceder às exigências da esposa, e não descobrir o que houve na cidade, etc.

CONCLUSÃO: Trama desinteressante e sem valores importantes em jogo. Coppola parece mais interessado em discussões cerebrais sobre técnicas de escrita do que de fato em criar um thriller envolvente.

(Twixt / EUA / 2011 / Francis Ford Coppola)

FILMES PARECIDOS: 1408, A Janela Secreta.

NOTA: 4.0

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

O Lobo de Wall Street (anotações)

- Personagem desprezível, fútil, imoral - mas apresentado de maneira positiva, carismática, como se ele tivesse uma sabedoria especial digna de admiração (ele não é mostrado como um coitado, incapaz de funcionar na realidade). Ou seja, filme contempla valores negativos: o mal sendo eficaz.

- As pessoas devem achar que isso é o capitalismo: um bando de pessoas corruptas que só pensam em dinheiro e estão dispostas a trapacear os outros para consegui-lo. Filme quer jogar tudo dentro de um mesmo saco e fazer a plateia acreditar que o dinheiro é mau, que o sucesso é mau, que os EUA são maus, etc. Não sugere que o protagonista é que está errado e que poderia ter ficado milionário de maneira honesta se tivesse competência. A mensagem é: se você quer se dar "bem" na vida, você precisa ser corrupto.

- Protagonista tem visão intrínseca de valores - acha que a felicidade está no dinheiro em si (então é capaz de trapacear para consegui-lo), ou na sensação de prazer em si (então é viciado em drogas), ou na beleza em si (então casa com a mulher mais bonita que encontra).

- DiCaprio fica bem quando é forte, agressivo, está fazendo discursos, etc. Mas não funciona quando quer ser engraçado / extrovertido. Parece ir contra a natureza dele.

- História não tem estrutura, direção. Simplesmente vai mostrando episódios da vida de Jordan porque eles aconteceram na realidade, mas não há um tema abstrato que vai sendo desenvolvido, aspectos psicológicos do personagem que vão sendo revelados, etc... Então filme é monótono. São 3 horas de pessoas histéricas fazendo coisas imorais. 10 episódios a mais ou a menos não mudariam muita coisa.

- Filme quer se passar por crítica inteligente, mas na verdade não avalia os personagens negativamente (pelo menos o protagonista); apenas mostra o que ele faz com um tom irônico.

- SPOILER: No fim Jordan faz sucesso dando palestras sobre como vencer na vida. Puro cinismo. Ao mostrar a plateia inocente olhando pra ele admirada, o filme está dizendo "vejam essas pessoas estúpidas cheias de ambição - mal sabem elas do que há de podre por trás do sucesso".

CONCLUSÃO: Scorsese e elenco dão certa sofisticação pro filme, mas roteiro é superficial e personagens e valores são lamentáveis.

(The Wolf of Wall Street / EUA / 2013 / Martin Scorsese)

FILMES PARECIDOS: O Grande Gatsby, O Homem da Máfia, Os Infiltrados, Os Bons Companheiros.

NOTA: 6.0

sábado, 11 de janeiro de 2014

Ninfomaníaca - Volume 1


NOTAS DA SESSÃO:

- Filme tem atitude moralista (no bom sentido).

- "Meu pecado é que eu sempre exigi mais do por do sol!"- diálogos fantásticos!! São filosóficos e cheios de conteúdo.

- Comparação da pesca com Joe "caçando" no trem incrível.

- Estilo sempre divertido, cheio de ideias diferentes - mas ao contrário de alguns filmes que fazem isso de maneira desconectada, só pra chamar atenção, aqui as "excentricidades" do diretor estão associadas ao conteúdo: as imagens da pesca servem pra fazer uma associação abstrata, os gráficos que surgem na tela servem pra clarificar uma ideia, a nudez está justificada pelo tema do filme, etc. Nada soa gratuito e desintegrado.

- Filme é Idealista, mas expondo o negativo - mostra pra plateia "o que NÃO fazer". Trier é um expert no estudo da maldade. Ele não quer relativizar as coisas e dizer que Joe na verdade é uma boa pessoa. Ela se anuncia como má no início do filme, e o que o filme mostra a seguir é apenas uma tentativa de comprovar isso. Não é uma tentativa de glamourizar a protagonista - mostrá-la como uma mulher sensual e mais "livre" do que você.

- Conversa fantástica sobre cortar as unhas da mão esquerda ou direita primeiro. Diálogos são de uma criatividade e sensibilidade admiráveis. Incrivelmente inteligentes, abstratos e divertidos.

- Roteiro estruturado e com um objetivo claro. Não explicar por que ela está machucada no começo é uma ótima maneira de manter o interesse ao longo da história toda.

- Interessante que a plateia ri do começo ao fim da sessão. Apesar dos temas sérios e obscuros, Trier no fundo é um "entertainer" de primeira.

- Joe olhando os passageiros do metrô pra lembrar de partes de Jerome - como alguém pensa nessas ideias????

- Interessante ele usar a mesma música que toca em De Olhos Bem Fechados (um filme também sobre obsessões sexuais). Há tantos paralelos entre Kubrick e Trier.

- Cena da Uma Thurman simplesmente genial!! Me lembra o tipo de situação que o Woody Allen cria, mas o interessante é que aqui o humor não é explícito. Os personagens agem como se fosse tudo sério (o que torna a cena ainda mais absurda e hilária).

- SPOILER: Trier é perverso!! Depois do pai de Joe dizer aquela frase incrível e inspiradora sobre não ter medo da morte, ele puxa o nosso tapete e mostra o personagem vivendo um horror insuportável. É tão esperto que eu quase não me incomodo de ser pessimista.

- Por que todo um capítulo dedicado ao pai na história? Dá a entender que ele deve ter algo a ver com o distúrbio sexual dela, mas ainda não está claro.

- SPOILER: Comparação de sexo com música no final: vontade de levantar e bater palmas no cinema!! Amo a abordagem racional que ele tem para questões ligadas a valores e emoções. Concordo totalmente que os valores que buscamos em arte são equivalentes aos que buscamos no amor. Mas é fascinante como Joe busca as características que admira de maneira separada. Isso pode explicar por que ela é tão promíscua: ela está disposta a ir pra cama com alguém que tenha apenas 1 de seus valores mais importantes, e não exigir os outros. Será que ela acredita que poderia encontrar todos os valores principais numa pessoa só - e que isso seria o amor?

CONCLUSÃO: Um dos filmes mais inteligentes e criativos que já vi.

(Nymphomaniac: Volume 1 / Dinamarca, França, Alemanha, Bélgica, Reino Unido / 2013 / Lars von Trier)

FILMES PARECIDOS: Anticristo, Dogville, De Olhos Bem Fechados.

NOTA: 10