terça-feira, 18 de março de 2014

Até o Fim (anotações)

- Interessante o filme começar já com o acidente, sem muita apresentação de personagem, etc. É basicamente um filme de ação - mas uma ação lenta, onde o protagonista está sempre calmo, e nada de muito extremo pode acontecer (não é como Gravidade onde o ambiente é extremamente hostil).

- Filme se passa em ambiente interessante e protagonista é admirável de certa forma - tem experiência e toma decisões inteligentes pra se salvar. Isso torna tudo mais assistível.

- Será que vai ser só ação o filme inteiro? Como o filme é lento e é protagonizado por um senhor respeitável, dá a impressão de ser algo mais profundo, mas se você for pensar, até Velozes e Furiosos tem mais conteúdo que esse filme.

- Muito bem feita a primeira sequência da tempestade (barco capotando, etc)!

- Recusa do filme de discutir valores, ter um tema abstrato, é uma forma de Subjetivismo. Filme quer apenas registrar passivamente um acontecimento físico, sem dizer nada a respeito dele. Até o estilo é neutro e não transmite muitos valores. Ver alguém apenas querendo sobreviver fisicamente não é interessante se não sabemos nada a respeito do personagem. Ele tem uma esposa pra quem quer voltar? Uma carreira pra perseguir? Algum conflito interno? Além disso Redford está sempre tranquilo, como se não estivesse muito preocupado se vai viver ou morrer. Isso faz o espectador sentir a mesma coisa - não estou preocupado se ele vai viver ou morrer.

CONCLUSÃO: Produção de classe que chama atenção por ter apenas 1 ator e quase nenhuma fala, mas que no fim das contas é um filme de ação vazio e sem emoção.

(All Is Lost / EUA / 2013 / J.C. Chandor)

FILMES PARECIDOS: Gravidade, A Perseguição, Náufrago.

NOTA: 5.0

sábado, 15 de março de 2014

Ninfomaníaca - Volume 2


NOTAS DA SESSÃO:

- SPOILER: Muito bom Seligman revelar ser assexuado! Cria uma relação interessante entre os dois - introduz um elemento que não havia no primeiro filme e que renova a energia do enredo.

- Adoro que a performance da Charlotte Gainsbourg seja tão pé no chão; que ela pareça ser uma pessoa tão honesta, esclarecida, madura, sensível. Torna as coisas que ela faz muito mais fortes (do que se ela fosse um personagem ignorante, inconsequente - daí seria óbvio).

- "Acho que essa foi uma de suas digressões mais fracas" - hahahaha. Engraçado o filme ter consciência de que Seligman passa do ponto.

- Presença de um bebê na história: outro elemento que intensifica o choque, pois contrasta as atitudes dela com algo puro e inocente.

- Hilário Lars usar a mesma música de Anticristo na cena em que Marcel sai do berço! Piada interna!!

- Uma fraqueza da segunda parte: no primeiro filme, havia todo um mistério de por que Joe havia sido espancada - e isso criava um interesse geral pela história. Como nesse filme ela é espancada o tempo inteiro, e ela parece gostar disso, a curiosidade sobre o final diminui consideravelmente.

- Não é um filme sério e "responsável" sobre distúrbios sexuais (do jeito que Clube de Compras Dallas, por exemplo, é um filme sério sobre a AIDS). Gosto disso.

- Interrogatório do pedófilo demais! Técnica ótima pra extrair informações do cara!!!

- SPOILER: Filme perde um pouco a força quando ela começa a trabalhar pro Willem Dafoe. Não combina essa personagem começar a fazer essas coisas. Ela parecia ser uma pessoa honesta, ética, exceto em sua vida sexual. Não convence ela começar a trabalhar como uma mafiosa. Sem falar que isso foge do tema do filme, que até agora era sobre relacionamentos, emoções... Não parece um desenvolvimento apropriado do roteiro.

- SPOILER: Espancamento dela não é tão surpreendente no fim... Ela ainda era apaixonada por Jerome? Ela era apaixonada pela menina? Emocionalmente não é claro... Não tirei nenhuma conclusão ou significado importante desse acontecimento. Será que esse era pra ser o preço final que ela paga por todas as suas maldades? Me parece que ela já vinha pagando esse preço por muitos anos... Não é algo transformador pro personagem... Um clímax que resolve as questões levantadas pelo filme.

- Crítica ao machismo não é pertinente. Qualquer pessoa que fizesse as coisas extremas que ela fez seria considerada imoral, eu acho, mesmo que fosse um homem.

- SPOILER: Por que o tiro no final? O que isso significa? Parece que o diretor quis acabar o filme de uma maneira surpreendente, e inventou qualquer reviravolta, mas que não acrescenta muito ao filme em termos de conteúdo, desenvolvimento de personagem.

CONCLUSÃO: Ainda muito criativo e interessante, mas com um roteiro menos satisfatório e coerente que o da primeira parte.

(Nymphomaniac: Vol. II / Dinamarca, Bélgica, França, Alemanha, Reino Unido / 2013 / Lars von Trier)

FILMES PARECIDOS: Ninfomaníaca - Volume 1, Dogville, Anticristo.

NOTA: 8.0

Walt nos Bastidores de Mary Poppins (anotações)

- Produção bonita! Tudo de ótimo nível. Direção de arte, figurinos, elenco, trilha sonora, diálogos...

- Choque de valores e personalidades entre Walt e Mrs. Travers muito legal e envolvente. Personagens muito bem apresentados.

- É tão europeu o pessimismo dela... Achar alegria vulgar e superficial.

- Não sei se eu quero que ela mude de ideia. Ela e Disney têm valores bem diferentes. Por mais que eu prefira os dele, eu ainda respeito a integridade artística dela. Não quero vê-la "abrindo as pernas"... A não ser que ela realmente se convença.

- Colin Farrell muito bem como o pai! Relação fofa dele com a filha.

- Travers não quer a cor vermelha no filme inteiro: estou começando a ficar com raiva dessa mulher!!

- U-A-U, impressionado com a ilustração do filme do que leva uma pessoa a se tornar cínica e pessimista ("Senso de Vida Malevolente"). O pai da Mrs. Travers era pra ela, quando criança, mais ou menos o que o Walt Disney representa - um símbolo de diversão, inocência, felicidade, otimismo. Só que no caso do pai dela, era tudo uma farsa!! Uma máscara usada pra esconder alcoolismo, fracasso, depressão, e uma realidade extremamente cruel. Uma vez que a menina descobriu isso, ela ficou traumatizada... Tudo o que havia de positivo nele era um teatro. Mas em vez de concluivr que o pai dela é que era uma farsa, e continuar tendo uma visão positiva da vida, ela concluiu que toda felicidade era uma ilusão, uma fuga da realidade. É por isso que ela rejeita os trabalhos de Walt Disney... Ela acha que eles são nocivos, pois não preparam as crianças pra uma realidade inevitavelmente trágica!

- Interessante conhecer a história da autora, pois eu sempre senti algo de distante e frio na personagem da Mary Poppins (um pouco no filme, e ainda mais no musical da Broadway). Ela nunca foi pra mim uma caracterização convincente e tridimensional de uma pessoa alegre, benevolente... Parece tudo um pouco um teatro; não enxergamos uma mulher real por trás daquele comportamento (é diferente de uma babá como a "noviça rebelde", por exemplo, que é convincente psicologicamente). Talvez isso venha do pai da Mrs. Travers.

- Demais a sequência filmada na Disneyland! Não me lembro de já ter visto o parque assim num filme.

- SPOILER: Emocionante a cena em que eles apresentam a música da pipa pra Mrs. Travers! Que alívio vê-la gostando de algo finalmente!

- Haha, divertida a ideia de que Disney é hiperativo e tem déficit de atenção ("Isso explica tudo!"). Não sei se não tem um fundo de verdade.

- Diálogo incrível entre Disney e Travers na casa dela em Londres (ele falando sobre os contadores de histórias, etc). Filme é uma ótima defesa do Idealismo - mas sem fazer isso de maneira didática ou explícita.

- SPOILER: Travers finalmente assistindo Mary Poppins - emocionante! Sempre reclamo que em geral, cenas que se passam dentro de cinemas em filmes são ruins. Os personagens fazem de tudo menos assistir ao filme. Aqui a cena é sobre o filme e sobre a reação da personagem à ele. Ótimo final e ótima performance de Emma Thompson.

CONCLUSÃO: Filme impecável, divertido, informativo, com profundidade emocional surpreendente, e com ótima produção e elenco.

(Saving Mr. Banks / EUA, Reino Unido, Austrália / 2013 / John Lee Hancock)

FILMES PARECIDOS: Em Busca da Terra do Nunca, Lincoln, Julie & Julia.

NOTA: 8.5

terça-feira, 11 de março de 2014

Pompéia (anotações)

- Atriz principal não muito boa ou carismática. Não sei se o romance vai ter força.

- Nível geral da produção mediano: direção, elenco, fotografia, diálogos... Falta profundidade, sofisticação, etc.

- Virtudes do protagonista são basicamente físicas (tem um corpo bonito, sabe lutar bem, etc). Falta uma personalidade pra torná-lo interessante.

- Legal que o desastre é apenas um detalhe numa história mais ampla. Lembra Titanic. Não só isso, mas o fato de ser um romance entre uma mulher rica e um homem pobre.

- Seria desinteressante (como narrativa) se o vulcão explodisse de uma vez... É legal que ele vai dando "sinais" e causando estragos menores ao longo do filme.

- Semelhanças com Titanic: Milo é capturado por guardas e Cassia o protege, dizendo que ele salvou sua vida. Outra: arena apresenta rachaduras e pode desabar, mas eles decidem prosseguir com o espetáculo.

- SPOILER: Muito boa a sequência em que os gladiadores lutam acorrentados - culminando na explosão do vulcão!!

- Subornando homem pra entrar no bote salva-vidas: filme inteiro parece ter sido inspirado em Titanic.

- Romance de fato não funciona muito bem. O relacionamento dos dois não empolga (personagens têm pouca personalidade).

- SPOILER: Um pouco forçado haver um tsunami! Filme quer ter todos os desastres: onda gigante, incêndio, terremoto, meteoros, vulcão...

- Filme se comunica através de clichês - há pouca autenticidade. E há pouca preocupação com realismo físico / visual. Filme acaba parecendo um videogame em alguns momentos (não parece uma produção séria - nisso ele não se inspirou em Titanic).

- SPOILER!!!!: Bonito o final! Um pouco frustrante ninguém sobreviver, mas ideia da estátua é ótima.

CONCLUSÃO: Entretenimento bem intencionado e relativamente envolvente, mas peca pela falta de originalidade, profundidade e sofisticação.

(Pompeii / EUA, Alemanha, Canadá / 2014 / Paul W. S. Anderson)

FILMES PARECIDOS: Príncipe da Pérsia, 2012, Poseidon, O Núcleo, Volcano.

NOTA: 6.5

sexta-feira, 7 de março de 2014

6 momentos que me fizeram desgostar da Rainha Elsa de "Frozen"

Criticando a sequência "Let It Go" de Frozen (e tentando explicar por que não estava gostando de Elsa no filme), eu disse na página do Facebook que Elsa "deveria estar preocupada com os danos terríveis que causou à cidade, e não curtindo seu castelo com vestidos sensuais". Outro dia discutindo com amigos, eles me lembraram que Elsa não sabia que tinha causado danos terríveis à cidade. Ou seja: eu não poderia desgostar dela por causa isso. Resolvi então rever o filme pra analisar o que aconteceu de fato no primeiro ato (até os 31 minutos de filme quando Elsa canta "Let It Go") que me fez desgostar da personagem. Selecionei 6 momentos-chave:

1) 8:53 - Anna quer montar um boneco de neve com Elsa, mas ela manda a irmã ir embora sem dar explicações. Se Elsa fosse bondosa, ela deixaria claro que tem carinho pela irmã, mas que não pode brincar pois foi proibida pelos pais (ou por outro motivo qualquer). Não há uma boa razão pela qual Elsa não possa contar para Anna sobre sua "maldição". Mas mesmo que houvesse uma razão válida dada pelos trolls, Elsa poderia se explicar de forma indireta (dizer que tem uma doença contagiosa, etc). O que ela jamais faria seria deixar a melhor amiga pensar que está sendo rejeitada.

2) 10:40 - Quando morrem os pais delas, Elsa se recusa a consolar a irmã, que fica sozinha implorando por sua companhia. Elsa fica em silêncio do outro lado da porta.

3) 20:30 - Quando as duas se encontram no baile, Elsa se comporta de maneira formal e distante em relação à irmã.

4) 22:25 - Anna diz que as duas poderiam voltar a ser amigas. Elsa diz não, fica brava, e se recusa a explicar mais uma vez.

5) 25:50 - Anna e Hans estão apaixonados e vão pedir a bênção de Elsa, que se mostra fria, não
demonstra nenhuma empatia pelos sentimentos da irmã, e não autoriza o casamento deles.

6) 29:40 - Elsa ataca algumas pessoas na festa e traz a maldição do inverno para a cidade inteira. Como ela faz isso sem querer, de fato não podemos culpá-la por esse momento. Mas ela poderia tentar se justificar ou se desculpar antes de fugir - e não o faz. O ponto é que o FILME não parece estar tentando construir um personagem gostável nesse momento. O problema não é nem Elsa e sim o roteiro. Imagine se, pouco antes de sair cantando pelas colinas, a Noviça Rebelde sem querer provocasse um incêndio no convento e ferisse algumas freiras. Não seria intencional da parte dela, mas vê-la cantando e se divertindo logo após essa cena seria totalmente inapropriado, se a intenção do filme fosse criar um personagem gostável.

Isso tudo me parece um erro tão grosseiro de roteiro que não poderia ter sido cometido por um roteirista inocente. Mas esse fato no IMDb parece explicar o que houve, e mostra o que acontece quando executivos insensíveis interferem na integridade de um trabalho artístico:

"Originalmente, a Rainha Elsa era pra ser a vilã da história. No entanto, quando a canção principal da personagem, "Let It Go", foi tocada para os produtores, eles concluíram que não só a música era muito atraente, como seus temas de empoderamento e auto-aceitação eram positivos demais pra uma vilã expressar. Então, a história foi reescrita pra ter Elsa como uma inocente isolada...".

Ou seja, em vez de mudar um pouco a letra da música, que soava inapropriada, e manter a essência da história, resolveram mudar a história inteira pra se ajustar à música - e fizeram o trabalho pela metade. Poderia ter funcionado, mas nem tudo foi reescrito, e Elsa, retratada positivamente, está constantemente revelando traços da vilã que deveria ter sido.

(Pra uma discussão mais elaborada sobre essa tendência dos filmes de apresentarem protagonistas falhos, leiam meu texto sobre o "herói envergonhado": http://profissaocinefilo.blogspot.com.br/2011/06/heroi-envergonhado.html)

(Entenda também o que faz as pessoas terem reações diferentes aos filmes no texto "Senso de Vida":
http://profissaocinefilo.blogspot.com.br/2014/07/senso-de-vida.html)

domingo, 2 de março de 2014

RoboCop (anotações)

- Piada com o leão da MGM divertida mas totalmente fora de contexto! Filme não é uma comédia.

- Adorei a trilha que toca sobre o título do filme. Será que é o tema do RoboCop original?

- Discussão moral válida e interessante (permitir ou não que robôs usem armas).

- Uau, incrível a cena do cara aprendendo a tocar violão!

- Referências a Sinatra, O Mágico de Oz - adoro quando um filme futurista tem elementos clássicos.

- Chocado com a cena em que ele se olha no espelho pela primeira vez com o novo corpo. Uma das cenas mais sinistras que já vi. O efeito é espetacular, mas a situação é muito mórbida. O Robocop não é um herói que nós gostaríamos de ser, tipo Superman, etc.

- Se a máquina começa a tomar decisões por Murphy, isso não vai contra o motivo original de terem criado o RoboCop? E será que é possível admirar o personagem se não é ele de fato agindo?

- Dramático o encontro com a família. Filme é cheio de cenas fortes!

- Introdução da história um pouco longa e sombria. Demora pra ele ter uma missão e começar a demonstrar suas habilidades.

- Discussão política interessante - e é realista a mudança da opinião pública sobre a questão das armas.

- Figura do vilão é um pouco fraca. Não é alguém presente, de quem sentimos ódio. Filme é envolvente mais pela situação em que o protagonista se encontra, não tanto pela missão dele.

- SPOILER: Personagem começa a se transformar num herói de verdade mais pro final! Incrível quando ele se reprograma, passa a ter emoções, se volta contra a corrupção na polícia, etc.

CONCLUSÃO: Ficção séria com uma história dramática e um roteiro muito mais rico do que se poderia imaginar (embora eu não me lembre o quanto já estava no Robocop original).

(RoboCop / EUA / 2014 / José Padilha)

FILMES PARECIDOS: Dredd, Minority Report, Blade Runner, etc.

NOTA: 7.5

sábado, 1 de março de 2014

Inside Llewyn Davis - Balada de um Homem Comum (anotações)

- Universo negativo retratado com leveza - lembra o "pessimismo light" que disse de Nebraska. O personagem é triste, fracassado, tem uma vida medíocre, ninguém gosta dele, o ambiente é deprimente, ele não tem futuro - mas o filme tem uma fotografia bonita, o ator é simpático, há vários toques de humor, a música é agradável, etc.

- Personagem está sempre trombando com personagens inconvenientes ou bizarros que deixam ele sem jeito. É fofo, mas é um tema meio repetitivo (o que lembra Nebraska também).

- Hitchcock dizia: "drama é a vida com as partes chatas cortadas". Esse filme parece ter sido feito dessas partes cortadas (minha maior preocupação na história é o fato do gato ter fugido).

- Tudo dá errado na vida dele. Esse é o tema do filme. Não só na sua carreira, na vida amorosa, mas até em coisas insignificantes do dia a dia: enfia o pé na neve molhada, pega uma carona e o motorista vai preso, etc, etc. Se fosse exagerado e cômico, seria positivo pois o filme estaria negando que a vida é trágica. Seria uma comédia tipo Férias Frustradas. Mas o humor aqui é sutil - o filme leva o tema a sério em grande parte.

- SPOILER: Por que a volta ao início no final? Pra dar uma ilusão de estrutura a um roteiro que não tem muita estrutura... Irmãos Coen adoram fazer filmes vazios intelectualmente mas com finais misteriosos, que dão a sensação de que há um sentido genial por trás da história que os diretores não quiseram deixar claro.

SPOILER: Engraçado mostrarem o Bob Dylan no final. O filme parece estar dizendo pra plateia: lembrem-se de que nós poderíamos ter contado a história de um cantor folk talentoso, de sucesso, com uma vida fora do comum. Mas não... Isso seria uma exceção... E a vida não é feita de exceções... Portanto nosso filme será sobre um músico comum, vivendo uma vida desinteressante, sem grandes dramas - isto é a vida real.

CONCLUSÃO: Filme tem bons atores e uma fotografia bonita, mas Naturalismo extremo torna o filme meio chato e vazio.

(Inside Llewyn Davis / EUA, Reino Unido, França / 2013 / Ethan Coen, Joel Coen)

FILMES PARECIDOS: Nebraska, Um Homem Sério, Não Estou Lá.

NOTA: 5.0 

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Clube de Compras Dallas (anotações)

- Personagem nada admirável. Promíscuo, ignorante, inconsequente, etc. E pra piorar pega AIDS e vai morrer em 30 dias. A princípio não estou nada interessado em ver essa história.

- Matthew está bem e impressiona principalmente pelo físico. Não sei se ele está muito melhor do que sempre foi como ator (não achava ele ruim), mas com esse visual a performance parece bem mais marcante e corajosa.

- Conflito básico da luta pela sobrevivência garante um interesse mínimo pela história. O personagem não buscou por isso, então simpatizamos por ele.

- Jared Leto também está impressionante pela transformação física. Mas não sei se, fora isso, é uma grande performance dele. Me parece meio caricato e distante, talvez por culpa do roteiro, que não desenvolve bem o personagem.

- História melhora bastante depois que Matthew monta o clube e começa a lutar contra o governo pra distribuir os remédios. Ele fica limpo das drogas, passa a ter uma meta nobre - agora há um motivo melhor pra gente querer ver o filme.

- Não é só a aparência, Matthew realmente está bem!

- Interessante ele chamar a Jennifer Garner de "Nurse Ratched" - o filme lembra um pouco Um Estranho no Ninho mesmo e dramas dessa época.

CONCLUSÃO: Simples em termos de produção, direção, etc, mas um bom drama de sobrevivência com uma performance sensível de Matthew.

Dallas Buyers Club / 2013 / Jean-Marc Vallée

FILMES PARECIDOS: Milk - A Voz da Igualdade, Um Estranho no Ninho, Perdidos na Noite.

NOTA: 7.0

Nebraska (anotações)

- Fotografia preto e branca lindíssima! Que lente é essa?!

- A "meta" do protagonista é horrível: levar o pai idoso (com quem ele não tem uma boa relação) numa viagem de carro pra alimentar a ilusão de que ele ganhou 1 milhão de dólares. Não sei o que esperar de bom dessa história. Talvez se um laço bonito for sendo criado entre os dois (algo meio Philomena). Ou se tudo for tratado com muito humor (tipo Pequena Miss Sunshine).

- Filme é Naturalista - fala de pessoas ordinárias vivendo problemas ordinários. Mas pelo menos é narrado de maneira clara, há uma história definida, a produção é bonita, atores são bons, etc.

- As coisas concretas que vemos na tela são quase sempre negativas: alcoolismo, doença, velhice, parentes e amigos inconvenientes, cemitério, machucados, casas abandonadas, o filme se passa numa cidadezinha medíocre onde nada acontece - mas nada é de fato pesado ou violento. Filme tem imagens bonitas, uma trilha agradável, humor. É o que chamo de "pessimismo light" - uma visão negativa de vida, mas mostrada por um filtro bonito e "poético".

- Relação entre pai e filho tem momentos fofos e é o ponto mais positivo do filme.

- SPOILER: A cena do pai dirigindo o carro pela cidade é perfeita pra resumir o tema do filme - embora eu não admire muito o que ele (ou o filho) estejam fazendo. A mensagem acaba sendo: a vida é tão triste e sem esperança, deixe pelo menos ele viver uma ilusão de autoestima antes de morrer.

CONCLUSÃO: Filme naturalista com visão pequena e pessimista de vida - mas bem feito, com bons atores, e um relacionamento interessante entre os protagonistas.

FILMES PARECIDOS: Os Descendentes, Pequena Miss Sunshine, Sideways - Entre Umas e Outras, As Confissões de Schmidt, etc.

NOTA: 7.0

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Operação Sombra - Jack Ryan (anotações)

- Filme cria empatia pelo personagem logo nos primeiros minutos. Explica a motivação dele, mostra suas forças, suas vulnerabilidades também. Chris Pine faz bem esse tipo de herói.

- Boa a apresentação do vilão (criando suspense antes de mostrar o rosto dele).

- Uau, Kenneth Branagh além de diretor é o vilão do filme?

- Trama é distante e pouco envolvente. Filme não consegue tornar o tema político uma questão dramática e interessante pra plateia... O maior interesse mesmo é ver as cenas de ação e o herói se superando.

- Luta no banheiro do hotel muito bem feita. Gosto que a briga inclui elementos de banheiro (usar a água da banheira pra tentar afogar o cara, etc). Detalhes interessantes que um diretor pior não incluiria: o som de zumbido após a arma ser disparada muito próxima ao ouvido de Jack; os segundos em que Jack olha para o corpo do cara depois que ele morreu e parece refletir sobre o que fez (não trata o capanga como um objeto insignificante como muitos filmes fazem).

- Suspense bom quando Jack sai do restaurante pra invadir o computador do Viktor.

- SPOILER: Esposa raptada - filme sofre de certo excesso de clichês. Mas a ideia de estourar a lâmpada na boca é diferente e sinistra!

- SPOILER: Uau, sequência final da bomba muito intensa! Apesar da trama desinteressante, as sequências de ação são bem feitas e salvam o filme.

- Legal a sutileza no final de só mostrar a mão do presidente.

CONCLUSÃO: Thriller convencional e cheio de clichês, mas que ganha certa força pela direção competente de Kenneth Branagh.

(Jack Ryan: Shadow Recruit / EUA, Russia / 2014 / Kenneth Branagh)

FILMES PARECIDOS: Jack Reacher - O Último Tiro, O Legado Bourne, Busca Implacável, A Soma de Todos os Medos.

NOTA: 6.5