quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Pequeno Segredo

Já vi há algumas semanas o filme mas acabei não comentando pois estava ocupado (esse foi o filme que tirou Aquarius da disputa pelo Oscar de filme estrangeiro).

A produção tem alguns planos bonitos visualmente, tem certa autenticidade por não ter os vícios do cinema nacional, mas é problemática em termos de roteiro. Demoramos tempo demais (praticamente até o final) até entender a estrutura da família, o que fazem os protagonistas, qual o propósito da história, qual a relação entre os vários personagens e dramas que o filme apresenta, tornando tudo um pouco episódico, naturalista e sem direção - às vezes parece mais um álbum de luxo pra família Schurmann registrar suas recordações do que uma história escrita pra ser um filme e envolver o espectador.

As atuações são irregulares. Fionnula Flanagan faz um personagem desagradável e seu estilo caricato de interpretação não combina com o do resto do elenco. Por outro lado, a garotinha que faz a Kat (Mariana Goulart) é um achado e tem uma aura muito especial. Há um foco excessivo em temas pesados, deprimentes, como se o filme quisesse provar que tem profundidade, mas que acabam não funcionando; não tornam o filme mais profundo, apenas meio desagradável - o diretor parece mais em casa nos momentos em que o filme assume um tom mais "comercial de margarina".

Não acho um filme muito bom, mas é difícil não se emocionar nos momentos finais (fazia tempo que eu não voltava pra casa chorando no caminho!), ainda mais se tratando de um projeto tão pessoal pra família. Não acho que tenha grandes chances de ir pro Oscar, mas também não acho que Aquarius teria sido uma aposta muito mais inteligente.

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Pequeno Segredo / Brasil / 2016 / David Schürmann

FILMES PARECIDOS: Uma Prova de Amor (2009)

NOTA: 5.5

domingo, 27 de novembro de 2016

A Chegada

NOTAS DA SESSÃO:

- Bem fotografado, direção cheia de estilo. Há um toque de Idealismo Corrompido que me incomoda nessa coisa de pegar uma história de invasão alienígena, mas abordar tudo de uma maneira anti-blockbuster, como se o diretor tivesse querendo ganhar prestígio simplesmente pelo fato dele não ser estimulante, divertido, como os filmes do gênero costumam ser. Ainda assim a premissa é interessante, os diálogos têm certa sofisticação, a Amy Adams está bem, etc.

- Linda a imagem quando vemos a nave pela primeira vez.

- O filme impressiona mais pelo estilo da direção do que pelo conteúdo, pela história em si. O Denis Villeneuve tem uma tendência de dirigir todos os filmes da mesma forma, com o mesmo ritmo, independentemente do gênero e do que está acontecendo na tela. O filme parece sempre ligeiramente desconectado dos acontecimentos, contemplativo. Não dá pra saber exatamente se Villeneuve entende de cinema, de narrativa, ou se simplesmente descobriu um jeito de dirigir que soa sofisticado.

- As discussões do filme sobre linguagem são bem interessantes, parece que o roteirista pesquisou bastante o tema.

- Depois que os aliens começam a se comunicar, o filme perde um pouco o interesse. A protagonista fica sem um objetivo forte, só tem que continuar se comunicando com eles, descobrir o que eles querem. Mas não há uma grande expectativa em relação ao que vai acontecer. Não há muita ação, o mundo não parece estar em perigo, ela não parece ter grandes desejos ou coisas importantes em jogo. E intelectualmente, filosoficamente, politicamente, o filme não tem muito a dizer.

- Por que esse monte de lembranças da filha? Não parece ter nada a ver com a história. Sem falar que já se tornou um pouco clichê isso dos aliens no fim se envolverem em questões pessoais / familiares do protagonista ("viram só, não é um filme escapista tolo, ele fala de coisas 'humanas'!").

- Mal explicada essa cena da bomba! Eles quase mataram os protagonistas e depois as pessoas reagem como se nada de sério tivesse acontecido? Parece que só enfiaram essa cena no filme pra ter uma explosão no trailer e dar a impressão de que o filme não é muito parado.

- O diretor vai fazendo aquela coisa meio Christopher Nolan de tornar a narrativa meio confusa pra fazê-la soar inteligente. Não sabemos se a Amy Adams está acordada, sonhando, lembrando do passado, vendo o futuro... E no meio dessa névoa o filme vai parecendo mais sofisticado pra plateia.

- Não faz muito sentido essa ideia das pessoas passarem a ver o futuro simplesmente por usarem o cérebro de uma forma diferente ao aprender uma outra língua. Também não faz muito sentido a cena em que a Amy Adams descobre o que a esposa do chinês disse no leito de morte.

- No fim dá a impressão que o clímax da história é o fato da Amy Adams convencer o general chinês a não atacar. Mas a história não estava caminhando pra essa direção (na verdade ela nem tinha muito uma direção), então o final soa frustrante.

- Quer dizer que os aliens promoveram a paz mundial simplesmente porque a Amy Adams conseguiu ver o futuro e fazer um truque pra sensibilizar o general chinês? Isso não me parece algo que resolve os conflitos mundiais de maneira significativa. Aliás, esses conflitos com a china só começaram porque os aliens invadiram a Terra! Eles apenas trouxeram uma solução pro problema que eles mesmos criaram. E como será o mundo após o "presente" que eles deram pra humanidade? Vai todo mundo começar a prever o futuro? Isso será bom? Ainda existe livre-arbítrio? Por que os aliens precisarão da ajuda dos humanos em 3000 anos? A história simplesmente não é muito bem escrita.

- A ideia da filha é interessante no final, embora seja algo enfiado na trama só pra dar um senso falso de profundidade. Não é um elemento se integra bem ao resto da história.

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CONCLUSÃO: Impacta pelo visual e pelo estilo de direção de Denis Villeneuve, mas não é tão inteligente ou profundo quanto tenta parecer.

Arrival / EUA / 2016 / Denis Villeneuve

FILMES PARECIDOS: Perdido em Marte (2015) / Interestelar (2014) / Looper: Assassinos do Futuro (2012)

NOTA: 5.5

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Animais Fantásticos e Onde Habitam

NOTAS DA SESSÃO:

- Confuso o começo. Mal sabemos quem é o personagem, o que ele busca, e já estamos num banco não sei por que, perseguindo um ornitorrinco irritante. O filme tenta descontrair quando a gente ainda nem sabe o que está acontecendo. Pra que servem esses bichos? Não deveríamos entender o contexto do filme antes de partirmos na aventura? Se o ornitorrinco consegue entrar pela fresta de um cofre e sair da mala trancada, como o protagonista pretende capturá-lo? Essas pessoas todas no banco estão vendo a magia? Os bruxos não deveriam ser um segredo? Acho chato que logo nas primeiras cenas já vemos um monte de magia acontecendo de forma gratuita - o filme não devia gastar isso à toa.

- O Kowalski é um personagem totalmente dispensável. Entra na história por acidente e só permanece pra ficar reagindo e se impressionando com as coisas que os bruxos fazem.

- Nenhum talento, senso de narrativa, linguagem cinematográfica. E a história é ruim, parece apenas uma desculpa pra autora apresentar suas novas ideias pra magias e criaturas.

- Essa sequência do rinoceronte no cio é um horror.

- O filme tem vários personagens e tramas paralelas que não se encaixam, parecem fazer parte de filmes diferentes. A história do senador filho do Jon Voight não parece fazer parte da história do Eddie Redmayne caçando animais perdidos, que não parece fazer parte da história do Colin Farrell e do garoto que sofre abusos da mãe, etc. Muito mal escrito.

- O objetivo do protagonista ao longo do filme é muito bobo, não há grandes conflitos, recompensas. Só quer capturar os bichos que perdeu por acidente numa cena banal no começo do filme. Daí no fim surge o tal do Obscurial e ele resolve salvar a cidade, mas isso não tinha nada a ver com o que ele estava fazendo antes, não é o clímax de um conflito que foi sendo desenvolvido ao longo do filme... É só algo jogado pra ter um final mais agitado... O clichê de ter uma batalha épica no meio da cidade onde prédios são destruídos, feixes de luz do bem se chocam contra feixes de luz do mal, psicologia barata se revela mais forte que qualquer arma... E nós ficamos vendo tudo sem ter a menor noção do que é possível acontecer, de quem é mais forte que quem, do que o herói pode fazer pra derrotar o monstro, quais as regras do jogo, etc.

- SPOILER: Colin Farrell vira o Johnny Depp???? Por que? Quem é essa pessoa? A plateia só vibra por que é um ator famoso fazendo uma participação especial, não porque foi uma reviravolta bem escrita.

- SPOILER: Odeio essa história deles apagarem a memória da cidade inteira pra ninguém saber da existência dos bruxos. É algo muito questionável eticamente. Vai todo mundo acordar sem saber o que houve nas últimas horas? Isso não será um escândalo nacional? Não resolve o problema. E isso deles reconstruírem a cidade num passe de mágica também é muito frustrante. Parece que tudo o que houve no filme foi irrelevante. Um jogo de videogame sem nenhuma consequência no mundo real.

- Química zero entre o protagonista e a Tina. Há algo a respeito do Eddie Redmayne que você não consegue imaginá-lo numa relação amorosa / sexual comum com uma mulher. Por isso ele ficou perfeito em A Garota Dinamarquesa e A Teoria de Tudo. Ele é melhor interpretando criaturas misteriosas, excêntricas, e não pessoas normais com as quais a plateia se identifica.

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CONCLUSÃO: História ruim, direção ruim - o filme só parece ter certa relevância por ser caro e por estar associado à uma mega-franquia de sucesso.

Fantastic Beasts and Where to Find Them / Reino Unido, EUA / 2016 / David Yates

FILMES PARECIDOS: O Lar das Crianças Peculiares (2016) / Alice Através do Espelho (2016) / Harry Potter e as Relíquias da Morte (2010)

NOTA: 4.0

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Snowden: Herói ou Traidor

NOTAS DA SESSÃO:

- Joseph Gordon-Levitt está maravilhoso (mais uma vez). Consegue estar diferente do que ele é, falando com outra voz, mas ao mesmo tempo parecer totalmente natural.

- Surpreendente ele se dizer fã da Ayn Rand (acho que é o primeiro filme que eu vejo onde ela é citada de maneira não-ambígua, sendo abertamente defendida pelo herói).

- Bem produzido, gosto da direção ágil de Oliver Stone, a maneira como o filme dá saltos ousados no tempo sem perder a linha de interesse e nem atropelar o enredo (há sempre a curiosidade de saber o que irá acontecer com ele depois que ele vazar as informações, e isso é reservado pro final).

- O tema é interessante (o debate "segurança vs. liberdade") e essa história de estarmos sendo espionados pelas webcams, celulares, é algo realmente assustador (coisa que também foi bem explorada recentemente em Black Mirror).

- Shailene Woodley está muito bem como a namorada e a relação dos dois é linda de ver apesar dos conflitos. Outra coisa que cria interessa na história é o fato dela não saber o que o Snowden faz, e isso estar sempre prestes a ser exposto.

- Gosto da cena em que o Snowden está sendo interrogado através do telão, e o rosto do cara fica gigante em comparação ao Snowden, passando visualmente a ideia de ameaça, intimidação (um diretor mais fraco teria filmado a cena como um diálogo comum, com os 2 personagens ocupando um tamanho igual na tela).

- SPOILER: Ótimo suspense na sequência em que ele rouba os dados do computador (o tempo da transferência, a ideia do chip cair no chão, ele se comunicando através de códigos com o amigo depois, o chip escondido no cubo mágico, passando pelo raio-X, etc).

- SPOILER: A fuga dele pra Rússia também é muito interessante e o final é satisfatório (só não teria colocado o Snowden real interpretando a última cena, ficou meio estranho).

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CONCLUSÃO: Melhor filme do Oliver Stone em mais de 20 anos.

Snowden / França, Alemanha, EUA / 2016 / Oliver Stone


FILMES PARECIDOS: Spotlight: Segredos Revelados (2015) / A Travessia (2015) / O Jogo da Imitação (2014) / Jobs (2013)

NOTA: 8.0

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Doutor Estranho

NOTAS DA SESSÃO:

- Meio desnecessária essa ideia da cidade toda se dobrar. Parece que os cineastas viram A Origem e acharam "cool" o efeito e resolveram enfiar aqui de algum jeito.

- Boa a cena da cirurgia, o nível de precisão do protagonista... Benedict Cumberbatch está ótimo como de costume.

- Interessante as coisas que ele começa a aprender com a Tilda Swinton sobre outras dimensões, etc (embora tudo lembre muito Matrix). Embora o papo seja místico, os diálogos têm mais objetividade que o de costume.

- Os efeitos especiais são ótimos (as viagens "psicodélicas" que ele tem provocadas pela Tilda Swinton). Os túneis lembram bastante Contato, 2001, etc.

- O humor do filme é na medida certa e em geral funciona (a piada da senha do Wi-Fi, etc).

- O filme tem uma estrutura diferente dos filmes de super-heróis. Já passou mais de 1 hora de filme e ele ainda nem se tornou o "Doutor Estranho". O filme foca mais no processo de transformação, na busca dele pela cura (um objetivo pessoal com o qual podemos nos identificar), e não numa missão rotineira de salvar a cidade, etc. E o treinamento é divertido (a cena em que a Tilda larga ele no Everest, ou o momento em que ele usa a capa pela primeira vez, etc).

- Algumas coisas são meio esquisitas na trama: essa história das pessoas se machucarem e daí terem que ir pro hospital pra serem operadas pela Rachel McAdams através de um método convencional (sendo que elas têm poderes incríveis). A ideia dos espíritos saindo do corpo e lutando também soa estranha e desnecessária pra história.

- A segunda parte do filme tem menos força. Depois que ele já se transformou no herói e o foco passa a ser a destruição do vilão (que é muito pouco marcante), o interesse diminui.

- SPOILER: O duelo final com o Dormammu também é péssimo. Não temos uma referência da força do vilão, qual o tamanho do obstáculo, etc. Essa história do Doutor Estranho manipular o tempo gera uma série de dúvidas, e além disso fica parecendo uma saída fácil. Nada que o herói faz com seus poderes mágicos parece mais impressionante em termos de habilidade do que a primeira cena do filme, por exemplo, onde ele extraiu a bala do cérebro do paciente. O perigo que a Terra está correndo também não é muito claro.

- SPOILER: O filme acaba e o herói continua com a mão machucada, sem atingir seu objetivo principal que era voltar a trabalhar. As coisas que aconteceram no primeiro ato e as expectativas criadas pelo filme parecem ter sido meio esquecidas (inclusive a personagem da Rachel McAdams), então o desfecho é um pouco insatisfatório.

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CONCLUSÃO: Acima da média da Marvel em termos de narrativa, conteúdo, atuação, mas a história vai perdendo o interesse ao longo da narrativa.

Doctor Strange / EUA / 2016 / Scott Derrickson

FILMES PARECIDOS: Thor (2011) / Homem de Ferro (2008)

NOTA: 6.5

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

A Garota no Trem

NOTAS DA SESSÃO:

- O começo é promissor. Intrigante pelo menos. Emily sonhando no trem, depois a história mudar pro ponto de vista das outras mulheres, etc. Não é óbvio o rumo que a história irá tomar.

- Muitas vezes acho a Emily Blunt inadequada nos papéis que escolhe. Ela não convence como uma stalker alcoólatra desequilibrada. Fica parecendo uma atriz meio "sessão da tarde" tentando se esforçar pra entrar num papel mais complexo.

- Narrativa confusa. Há muitos flashbacks, datas, personagens secundários pouco relevantes, as 2 mulheres loiras se parecem muito uma com a outra, e tudo é misturado com elementos de alucinação.

- O problema do filme é que a protagonista não é gostável. Ela não chega a ser má, mas está longe de ser alguém admirável.. e em vez do filme retratá-la negativamente, ele tenta criar empatia por ela. Então ficamos naquela posição desagradável de termos que defender uma mulher frágil, confusa, que comete uma série de erros, age de forma irracional, etc. Não dá pra torcer por ela, se identificar com a obsessão que ela tem pela loira, esperar um romance com o cara, etc. E os outros personagens do filme também são negativos. A história é sobre um monte de gente desequilibrada fazendo burrice e sofrendo as consequências. E as caracterizações são superficiais, não chega a ser um estudo psicológico fascinante pra compensar.

- SPOILER: Forçada a ideia da mãe dormir na banheira com o bebê. É a cena mais chocante do filme, e qual a importância disso pra trama? Nenhuma. É algo enfiado ali pra tentar tornar o filme mais pesado. O grande deleite do autor parece ser o de mostrar como as pessoas podem ser perturbadas psicologicamente. Há certo prazer aqui em mostrar o ser humano como um saco de traumas, uma vítima de emoções "complexas", etc.

- Os persongens são desprezíveis. Em particular as mulheres. Parece que elas não pensam em nada na vida a não ser em conquistar homens, formar família e procriar. Estão dispostas até a matar por isso. Ninguém tem um mínimo senso de independência.

- A Emily Blunt nunca teria conseguido matar alguém estando bêbada do jeito que estava, desarmada, apenas com um golpe. É criado todo um mistério em cima disso, mas é algo muito improvável. E mesmo que ela tivesse matado a outra, não seria uma revelação tão chocante. Na cena em que a ela rouba o bebê da loira, já fica claro que ela é perturbada e capaz de fazer loucuras. E nós mal conhecemos os outros personagens pra nos importarmos por eles.

- SPOILER: Péssimo o ex-marido de uma hora pra outra ser o vilão. Ela nem suspeitava do caráter dele? Só porque vivia bêbada não percebeu direito que era casada com um completo monstro? Muito forçado o roteiro. O final vai ficando cada vez mais ridículo (a Emily ir até a casa do cara e chamá-lo de assassino, se colocando numa posição de extremo risco). Parece uma versão piorada de Garota Exemplar, que já era problemático. E o fato de surgir um vilão inquestionavelmente mau não inocenta a protagonista das coisas duvidosas que ela fez ao longo do filme. Ela não se torna a "mocinha" de uma hora pra outra.

- Por que a loira chamou o cara até o meio da floresta pra contar que estava grávida e ameaçá-lo? Estava implorando pra ser assassinada? É tudo forçado no filme. Inclusive a premissa da protagonista poder acompanhar a vida dos outros passando de trem em frente às casas.

- SPOILER: Ridícula a cena em que a Emily Blunt golpeia o ex e depois a mulher desce e finaliza o serviço. Sensacionalismo amador. Primeiro o filme retrata mulheres de forma deplorável, depois vilaniza os homens e vira a "revanche das oprimidas". O filme não consegue decidir se é misógino ou misândrico.

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CONCLUSÃO: Roteiro tolo e confuso tentando se passar por suspense de primeira linha.

The Girl on the Train / EUA / 2016 / Tate Taylor

FILMES PARECIDOS: Garota Exemplar (2014) / Reencontrando a Felicidade (2010)

NOTA: 4.0 

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

É Fada

Não tinha gostado do trailer por causa da ênfase nos palavrões e no humor vulgar (o próprio título já é um trocadilho de gosto duvidoso). Pensei que fosse ser um caso de Idealismo Corrompido - o filme exagerar nesse lado baixo como um pedido de desculpas pelo aspecto mais inocente da história (já que isso anda fora de moda). Mas no fim quase tudo que tinha de grosseiro no filme estava no trailer e o resto não chegou a me incomodar (toda vez que a Kéfera tirava algum objeto do traseiro eu apenas dava uma revirada de olho, mas em seguida dava pra voltar pro clima da história).


A Kéfera está excelente no filme - carismática, espontânea, engraçada, bonita (nunca acompanhei ela no YouTube e os poucos vídeos que vi não me impressionaram muito pelo conteúdo, mas aqui pra mim ficou claro que ela nasceu pra estar em frente às câmeras e que ela pode ter uma carreira de sucesso como atriz se fizer boas escolhas).

Achei o filme nostálgico porque ele lembra coisas infantis dos anos 80/90, filmes da Xuxa, etc, daqueles com efeitos especiais mal feitos e todas aquelas coisas "politicamente incorretas" divertidas que não são permitidas mais hoje em dia, o que dá a impressão de realmente estarmos vendo algo fora de seu tempo (a menina por exemplo alisa o cabelo pra impressionar os colegas de classe, e isso é mostrado com total naturalidade, o que certamente irritará muita gente; há também uma certa erotização de menores de idade, o que era comum há umas décadas atrás mas não mais hoje em dia).

Claro, há algumas cenas constrangedoras (as dancinhas são sempre uma tortura), e também não dá pra fazer grandes elogios ao filme em termos estéticos, mas dentro de sua proposta acho que ele diverte e funciona. Se eu tivesse filhos iria preferir levá-los pra ver este filme do que a maioria das coisas lançadas pra crianças recentemente.

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É Fada / Brasil / 2016 / Cris D'Amato

FILMES PARECIDOS: Hannah Montana: O Filme (2009) / High School Musical (2006) / O Diário da Princesa (2001) / Sonho de Verão (1990) / Lua de Cristal (1990)

NOTA: 6.5

sábado, 22 de outubro de 2016

O Contador

- Misterioso e intrigante o começo (o flashback com os assassinatos sem revelar os personagens). A cena do garotinho montando o quebra-cabeça é excelente e uma ótima apresentação do personagem.

- Ben Affleck está bem no papel e o personagem é bem delineado, tem aquela combinação ideal de vulnerabilidades e forças que fazem alguns dos heróis mais interessantes (acho divertido que ele tem habilidades quase sobrenaturais, mas ainda assim convincentes pois são justificadas pela caracterização do personagem - o autismo, a criação do pai, etc. - acaba sendo bem mais empolgante do que esses filmes de super-heróis que de fato têm super poderes).

- Uma das melhores direções e fotografias do ano (nada de altamente virtuoso ou que chame atenção para si, mas dá pra ver que a equipe tem uma noção de narrativa acima da média).

- O elenco coadjuvante é muito bom (J.K. Simmons, John Lithgow...). A relação entre o Ben Affleck e a Anna Kendrick é positiva e atraente (no começo ele é grosso com ela, não se dão bem, mas sabemos que eles são compatíveis, torcemos por uma amizade, etc).

- Ótimo roteiro - todas as cenas são interessantes, avançam a história, enriquecem os personagens, sempre acontece algo de surpreendente que modifica a situação e cria um pequeno clímax dentro de cada cena, etc.

- Demais o detalhe de quando ele volta pra casa transtornado e erra o "timing" da entrada na garagem (que antes era milimetricamente pensado).

- Muito bom quando ele começa a agir e a matar os bandidos, salvar a mocinha, etc. O filme criou bastante expectativa em relação às habilidades do herói, então não víamos a hora dele começar o "show".

- O roteiro é bom porque mesmo que você não entenda nada de finanças, dos detalhes mais técnicos da trama (como eu por exemplo) o filme continua prendendo a atenção num nível mais essencial.

- Bons os flashbacks mostrando o Affleck criança sendo "treinado" pelo pai. É quase um milagre que esse roteiro seja original, e não baseado num livro. Não se vê mais hoje em dia histórias sólidas como essa, ricas em detalhes, etc, sendo criadas diretamente para o cinema.

- SPOILER: O único problema do filme na minha opinião é o final. Os flashbacks começam a ficar confusos demais pra entender (o motivo do herói ter sido preso no passado, etc), mas principalmente a surpresa envolvendo o irmão acaba soando forçada, uma coincidência total que não gera um significado interessante pro filme. Ao longo da história, não foi construído um conflito interessante entre os 2 pra isso parecer um clímax necessário e emocionalmente satisfatório. É uma surpresa que meio que "vem do nada" e deixa a gente desconfiado da trama. Como ação pelo menos a sequência na casa funciona.

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CONCLUSÃO: Raro exemplo (hoje em dia) de um entretenimento que se leva a sério e tem boa qualidade cinematográfica.

The Accountant / EUA / 2016 / Gavin O'Connor

FILMES PARECIDOS: O Jogo da Imitação (2014) / Argo (2012) / Jack Reacher: O Último Tiro (2012) / O Fugitivo (1993)

NOTA: 7.8

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Inferno

NOTAS DA SESSÃO:

- O começo é envolvente, cheio de tensão, introduz um tema grandioso (o tema da superpopulação / fim do mundo), coloca o protagonista no meio de um grande mistério, etc.

- A história é contada com clareza e bom senso, conseguimos acompanhar o passo a passo da investigação junto com o herói (não é como muitas tramas de mistério onde o protagonista tem sacadas impossíveis que soam como misticismo).

- O roteiro é um pouco monótono pois do começo ao fim a situação é a mesma: uma eterna cena de perseguição onde os 2 protagonistas tentam decifrar códigos enquanto fogem dos vilões.

- Em termos de direção / fotografia também não há nada de muito interessante ou artístico. O filme é apenas bem produzido.

- SPOILER: Muito forçada a revelação de que a Felicity Jones está do lado do vilão e estava fingindo o tempo todo. Começamos a questionar a trama inteira. Se ela era amante do vilão, por que ele deixaria pistas tão difíceis pra ela seguir, a ponto dela precisar da ajuda do Langdon e correr sérios riscos de fracassar, de ser pega?

- SPOILER: Depois ainda há a revelação de que o acidente do Langdon, a cena no hospital, foi tudo uma armação... A trama começa a ficar muito artificial, confusa, dependente de diálogos de exposição. Não entendemos mais nada direito, ficamos apenas com a vaga noção conspiratória de que "nada é o que parece" e que há poderosos por aí controlando nossas vidas. Sem falar que o herói fica parecendo um tolo que não fez nada de útil durante o filme inteiro.

- A ação final pra impedir a bomba de explodir é tensa, mas um pouco forçada, visualmente confusa. A locação pelo menos é interessante.

- Ótimo o argumento do Langdon de que os maiores crimes da história foram cometidos em nome do "amor pela humanidade", e que nada justifica usar força contra pessoas inocentes por um "bem maior".

- SPOILER: Divertida a cena de conclusão (a devolução da máscara).

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CONCLUSÃO: Entretenimento tradicional, eficiente, mas sem nada de muito criativo ou especial cinematograficamente.

Inferno / EUA, Japão, Turquia, Hungria / 2016 / Ron Howard

FILMES PARECIDOS: Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres (2011) / Anjos e Demônios (2009) / O Código Da Vinci (2006) / Sob o Domínio do Mal (2004) / Hannibal (2001)

NOTA: 6.5

sábado, 1 de outubro de 2016

O Lar das Crianças Peculiares

NOTAS DA SESSÃO:

- Por que de uma hora pra outra coisas fantásticas começam a acontecer? Qual a explicação pro sobrenatural na história?

- Jake é um "herói envergonhado" - não tem nada de especial, atraente como protagonista. A relação dele com o pai também é artificial e a viagem deles pra ilha parece improvável.

- O começo do filme sugere que Jake irá descobrir um lugar mágico, encantador, mas quando ele chega no outro mundo, é um ambiente melancólico, sem cor, com personagens sinistros e infelizes (o que são esses gêmeos horríveis com pano na cabeça?). É o que falo na postagem das "tendências irritantes" - filmes pra jovens hoje em dia competem pra ver qual soa mais sombrio (como se isso fosse sinal de qualidade).

- Os poderes das crianças são as ideias mais divertidas do filme (a menina colocando a mão no bule pra ferver a água, a outra crescendo cenouras, etc).

- A ideia do lar pra crianças com poderes lembra muito X-Men, Harry Potter, o que impede a história de soar mais original.

- As regras do universo do filme são meio mal explicadas. Não entendi direito eles precisam viver sempre num mesmo dia.

- O protagonista não tem objetivo (o romance com a menina é um tédio, ele não quer voltar pra casa, também não quer realizar algo na fenda, nenhuma relação interessante se desenvolve ao longo da história...). O filme é apenas uma apresentação do universo criado pelo autor. O problema é que não há nada de muito atraente nesse lugar pra gente querer permanecer nele (nem visualmente é tão interessante assim). E também não é um lugar assustador de onde nós queremos que o herói escape. O herói sai de sua vida comum e vai parar num lugar que não é nem fantástico nem terrível... é apenas "peculiar" com diz o título, cheio de coisas esquisitas. Mas é uma situação morna, não uma grande aventura.

- Vou repetir aqui o que escrevi sobre Song of the Sea: fantasia só equivale a entretenimento e magia quando associada a temas positivos: virtude, felicidade, diversão, realização de sonhos, solução de problemas, etc. Ela não torna encantadora uma história melancólica sobre personagens comuns.

- Herói típico da atualidade: tímido, não faz nada de impressionante na história, a única coisa especial que ele tem é algo puramente genético que ele nem sabia. E o poder específico dele não é legal: a habilidade de ver monstros que pros outros são invisíveis (mais uma vez a história valorizando o sombrio, o melancólico).

- SPOILER: Nada prático "ressuscitar" o navio fantasma pra servir como meio de transporte. Com tantos poderes eles não podiam simplesmente ir voando ou algo do tipo? (Provavelmente sim, mas daí não seria "sombrio").

- As regras vão ficando cada vez mais confusas (em que tempo eles estão, eles estão dentro da fenda, fora da fenda, quem sobrevive fora da fenda, o que pode ser visto fora da fenda pelas pessoas comuns, etc?). Mas o maior problema nem é esse, e sim que emocionalmente a história não funciona. Não estamos torcendo pro herói realizar algo, reencontrar com o avô, ficar com a menina, superar alguma dificuldade, etc.

- SPOILER:  A meia hora final é ruim. Tudo confuso, feio visualmente, sem carga dramática, com ideias fracas (a batalha dos esqueletos, o menino colocando o coração naquele elefante de pano, ou mesmo a ideia final do Jake viajar anos pra reencontrar os amigos, como se eles tivessem desenvolvido um grande laço afetivo).

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CONCLUSÃO: Personagens fracos e história fraca. Mais uma adaptação desses livros adolescentes genéricos que querem lançar uma nova franquia.

(Miss Peregrine's Home for Peculiar Children / Reino Unido, Bélgica, EUA / 2016 / Tim Burton)

FILMES PARECIDOS: Alice Através do Espelho (2016) / Divergente (2014) / Dezesseis Luas (2013) / Os Instrumentos Mortais: Cidade dos Ossos (2013) / Percy Jackson e o Mar de Monstros (2013) / série Harry Potter

NOTA: 4.5