
NOTAS DA SESSÃO:
- Por que de uma hora pra outra coisas fantásticas começam a acontecer? Qual a explicação pro sobrenatural na história?
- Jake é um "
herói envergonhado" - não tem nada de especial, atraente como protagonista. A relação dele com o pai também é artificial e a viagem deles pra ilha parece improvável.
- O começo do filme sugere que Jake irá descobrir um lugar mágico, encantador, mas quando ele chega no outro mundo, é um ambiente melancólico, sem cor, com personagens sinistros e infelizes (o que são esses gêmeos horríveis com pano na cabeça?). É o que falo na postagem das "
tendências irritantes" - filmes pra jovens hoje em dia competem pra ver qual soa mais sombrio (como se isso fosse sinal de qualidade).
- Os poderes das crianças são as ideias mais divertidas do filme (a menina colocando a mão no bule pra ferver a água, a outra crescendo cenouras, etc).
- A ideia do lar pra crianças com poderes lembra muito
X-Men,
Harry Potter, o que impede a história de soar mais original.
- As regras do universo do filme são meio mal explicadas. Não entendi direito eles precisam viver sempre num mesmo dia.

- O protagonista não tem objetivo (o romance com a menina é um tédio, ele não quer voltar pra casa, também não quer realizar algo na fenda, nenhuma relação interessante se desenvolve ao longo da história...). O filme é apenas uma apresentação do universo criado pelo autor. O problema é que não há nada de muito atraente nesse lugar pra gente querer permanecer nele (nem visualmente é tão interessante assim). E também não é um lugar assustador de onde nós queremos que o herói escape. O herói sai de sua vida comum e vai parar num lugar que não é nem fantástico nem terrível... é apenas "peculiar" com diz o título, cheio de coisas esquisitas. Mas é uma situação morna, não uma grande aventura.
- Vou repetir aqui o que escrevi sobre
Song of the Sea: fantasia só equivale a entretenimento e magia quando associada a temas positivos: virtude, felicidade, diversão, realização de sonhos, solução de problemas, etc. Ela não torna encantadora uma história melancólica sobre personagens comuns.
- Herói típico da atualidade: tímido, não faz nada de impressionante na história, a única coisa especial que ele tem é algo puramente genético que ele nem sabia. E o poder específico dele não é legal: a habilidade de ver monstros que pros outros são invisíveis (mais uma vez a história valorizando o sombrio, o melancólico).
- SPOILER: Nada prático "ressuscitar" o navio fantasma pra servir como meio de transporte. Com tantos poderes eles não podiam simplesmente ir voando ou algo do tipo? (Provavelmente sim, mas daí não seria "sombrio").
- As regras vão ficando cada vez mais confusas (em que tempo eles estão, eles estão dentro da fenda, fora da fenda, quem sobrevive fora da fenda, o que pode ser visto fora da fenda pelas pessoas comuns, etc?). Mas o maior problema nem é esse, e sim que emocionalmente a história não funciona. Não estamos torcendo pro herói realizar algo, reencontrar com o avô, ficar com a menina, superar alguma dificuldade, etc.
- SPOILER: A meia hora final é ruim. Tudo confuso, feio visualmente, sem carga dramática, com ideias fracas (a batalha dos esqueletos, o menino colocando o coração naquele elefante de pano, ou mesmo a ideia final do Jake viajar anos pra reencontrar os amigos, como se eles tivessem desenvolvido um grande laço afetivo).
------------------
CONCLUSÃO: Personagens fracos e história fraca. Mais uma adaptação desses livros adolescentes genéricos que querem lançar uma nova franquia.
(Miss Peregrine's Home for Peculiar Children / Reino Unido, Bélgica, EUA / 2016 / Tim Burton)
FILMES PARECIDOS: Alice Através do Espelho (2016) / Divergente (2014) / Dezesseis Luas (2013) / Os Instrumentos Mortais: Cidade dos Ossos (2013) / Percy Jackson e o Mar de Monstros (2013) / série Harry Potter
NOTA: 4.5