domingo, 8 de julho de 2018

Homem-Formiga e a Vespa


Achei bem divertida essa sequência, que eliminou as principais coisas que tinham me incomodado no primeiro filme. O filme não resiste a uma análise mais séria, não tem grandes requintes cinematográficos, mas é um entretenimento tão assumidamente despretensioso que você nem se sente na posição de criticá-lo por isso (assim como ninguém assiste Chapolin analisando enquadramentos, movimentos de câmera, etc). O importante funciona, que é o carisma dos protagonistas, o humor, a ação, a linha narrativa central - e apesar do Homem-Formiga ser apenas um instrumento na história (quem motiva a trama no fim é o Michael Douglas e a filha) a ideia deles tentarem resgatar a personagem da Michelle Pfeiffer é mais envolvente que a história do primeiro filme, onde todo o esforço era apenas pra roubar um traje e atrasar um pouco a vida do vilão.

Ant-Man and the Wasp / EUA / 2018 / Peyton Reed

NOTA: 6.5

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Os Incríveis 2

Mais um daqueles blockbusters perfeitamente em harmonia com o momento atual de Hollywood, que reforça os valores vistos como politicamente corretos hoje em dia, que será sucesso tanto de público quanto de crítica - e que naturalmente eu acho um tédio. Nas entrelinhas o filme até tenta passar uma mensagem interessante, diferente, defendendo a livre iniciativa, criticando tanto os liberais quanto os conservadores atuais, mas em todos os níveis mais importantes ele apenas contribui pro objetivo dos progressistas (só de ter que pensar nesses assuntos enquanto vejo um desenho da Disney já acaba minha boa vontade). Pra ter uma noção melhor do que me desagrada no filme, basta dar uma olhada nessa análise feita pelo canal Entre Planos (sobre o primeiro filme, mas que vale pro 2 também), e perceber que tudo aquilo que é colocado como se fosse uma virtude da série, pra mim é um defeito (como já discuti em postagens como Herói Envergonhado, A intenção de um filme, etc):




Incredibles 2 / EUA / 2018 / Brad Bird

NOTA: 5.0

domingo, 24 de junho de 2018

Hereditário

Um roteiro bobinho e pretensioso que tenta juntar numa história só conceitos que dariam pra 5 filmes de terror diferentes (jogo do copo, sonambulismo, alucinações, bruxaria, fantasmas, maldições, possessões demoníacas, crianças do mal, casas assombradas, etc). Cai no que discuto na postagem Emoções Irracionais sobre filmes impressionantes tecnicamente e que sabem manipular as emoções do espectador (apelando pro subjetivismo, por exemplo), e com isso conseguem passar a impressão de serem mais sofisticados do que são de fato.

Hereditary / EUA / 2018 / Ari Aster

NOTA: 4.0

Oito Mulheres e um Segredo

Me pareceu apenas uma grande desculpa pra reunir um grupo de atrizes carismáticas e bem vestidas na tela - a história do roubo em si não é tão interessante ou envolvente, até porque não há muitas coisas em jogo na trama: as protagonistas decidem roubar as jóias apenas pela diversão, não por qualquer tipo de necessidade maior, o que deixa a narrativa um pouco leve demais, sem drama, conflito (além de glamourizar o crime sem justificativa alguma). Mas vale como uma diversão passageira.

Ocean's Eight / EUA / 2018 / Gary Ross

NOTA: 5.5

Jurassic World: Reino Ameaçado

Achei mais fraco que o anterior (essa premissa de resgatar os animais é meio política/burocrática, não explora tanto o que a série tem de melhor que é a magia do parque, o mistério dos dinossauros, etc) mas ainda é um entretenimento bem intencionado (pelo menos tenta honrar os filmes originais, em vez de subvertê-los ou "modernizá-los") e muito bem produzido como era de se esperar.

Jurassic World: Fallen Kingdom / EUA / 2018 / J. A. Bayona

NOTA: 7.5

terça-feira, 5 de junho de 2018

Tully


(Esta crítica está no formato de anotações - em vez de uma crítica convencional, os comentários a seguir foram baseados nas notas que fiz durante a sessão - um método que adotei para passar minhas impressões de forma mais objetiva.)

ANOTAÇÕES:

- Na postagem A intenção de um filme eu listo como uma das "más intenções" quando o objetivo primário do filme é: "amenizar a dor ou a baixa autoestima do espectador triste ou com senso de inferioridade, retratando personagens infelizes ou problemáticos de maneira positiva - não em prol do entretenimento, mas pra provocar um senso de "conforto" e identificação no espectador, mostrando que outros sofrem como ele, que ele não está sozinho em sua miséria" - então eu de cara já não embarco muito na história de Tully porque esta é justamente a proposta do filme - dizer pra mães exaustas que a maternidade realmente é uma tortura, e que elas não devem se sentir culpadas por estarem infelizes, não conseguirem ser mães ideais, etc.

- O filme em geral é do tipo Naturalista, mas às vezes ele tem umas atitudes Anti-Idealistas ruins quando, pra "confortar" o espectador frustrado, ele se permite alfinetar pessoas felizes e bem sucedidas (como o irmão e a cunhada) sem justificativa alguma (retratando elas de maneira ridícula, caricata, como se felicidade fosse uma espécie de alienação).

- Não gosto do pessimismo e da vitimização. Se pelo menos o filme contrastasse os momentos difíceis com alguns momentos positivos entre ela e os filhos, pelo menos 1 sorriso dela direcionado ao bebê, mostrando a criança como algo de valor, o filme pareceria melhor intencionado... Mas não - é como não houvesse nada de compensador na situação. O filme retrata o bebê como se fosse um pedaço de carne sem alma que está ali só pra gritar e arruinar as noites da Charlize Theron. É um filme com uma visão vazia e materialista da vida. E a pergunta que não quer calar: se ter filhos é tão infernal assim, por que o casal está no filho número 3? Somos obrigados a perpetuar a espécie? A seguir o mesmo roteiro que todo mundo?

- Quando chega a Tully (babá) o filme dá uma melhorada no tom. Mas espero que a mensagem final não seja tão rasa assim ("A vida está muito puxada? Então aceite dinheiro do seu irmão rico e contrate um empregado!").

- Há algo de suspeito na Tully. O filme quer que a gente a veja como a babá perfeita, como uma nova amiga da Charlize, mas há algo de sinistro e falso na personagem que torna as cenas incômodas. Não sabemos nada sobre a vida dela, ela não demonstra emoções autênticas, está sempre com uma atitude estranhamente positiva, altruísta, que soa manipulativa... E não faz sentido uma menina tão qualificada assim estar nesse emprego... A gente fica esperando baixar a Rebecca De Mornay nela a qualquer momento.

- SPOILER: Péssimo (e totalmente artificial) a Tully transar com o marido da Charlize pra "ajudar" na vida sexual do casal. Essa cena na cama chega a ser incômoda de ver. Ou então mais pra frente quando ela espreme o peito da Charlize no banheiro pra ajudar o leite a sair. Se fosse um filme de terror onde a babá fosse pra ser sinistra, seria perfeito. Mas o filme continua querendo mostrar a Tully como se fosse uma babá moderna, admirável, um anjo que caiu na vida da Charlize.

- SPOILER: Uma tolice a revelação final de que a Tully só existia na imaginação da Charlize. Na postagem Simbolismo e Filmes Interpretativos eu discuto por que desaprovo filmes que vêm com uma "carta na manga" no último momento e com isso tentam consertar uma narrativa que foi inteira problemática. Se eu passei 1h30 de filme achando tudo mal escrito, sem realismo psicológico, a personagem estranha, sem carisma... Não adianta no fim dizer "supresa, era tudo simbólico!" e achar que o espectador sairá satisfeito. Isso é apenas a Diablo Cody (roteirista) tentando pagar de espertinha, colocando sua sacada "genial" acima de questões narrativas mais importantes. E a mensagem é uma chatice: "Vejam maridos, não existem Tullys na vida real, então tratem de ajudar suas esposas nas tarefas domésticas!". Reparem como o filme promove uma maneira destrutiva de se lidar com os problemas da vida: o desejo da Charlize no começo do filme é o de obter ajuda pra cuidar dos filhos, o que é totalmente compreensível (o desejo do protagonista é o que chamamos de a "espinha" da história). No fim, como é que a "heroína" conquista seu objetivo? Sendo responsável, assertiva, racional, criativa, buscando soluções de ganha-ganha, dando um exemplo inspirador pra plateia? Não: quase se matando num acidente de carro, até que seu marido finalmente fica convencido de que ela é incapaz, digna de pena, chegou no seu limite, e assim decide ajuda-la com base na culpa. E o irmão rico da Charlize também era imaginário? Ele não continua disposto a pagar por uma babá? Com 3 filhos pequenos (sendo 1 autista) isso ainda não seria uma ótima opção pro casal, mesmo que eles não achassem uma babá tão "mágica" quanto a Tully?

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Tully / EUA / 2018 / Jason Reitman

NOTA: 4.0

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Han Solo: Uma História Star Wars

Meu desacordo com a cultura atual é tão incrível que, quando público e crítica estão eufóricos em relação a um filme, eu posso ter quase certeza que irei detestar. E quando um filme é recebido de maneira morna (como nesse caso) eu já começo a ficar mais esperançoso. Entre O Despertar da Força, Rogue One e Os Últimos Jedi, Han Solo pode não ser o que irá gerar mais frisson, mas é certamente o que eu considero o melhor filme em termos de roteiro, direção, elenco, e é de longe o melhor em termos de valores - o único que é consistentemente Idealista e que tem um espírito compatível com o da trilogia original.

Se você olha quem dirigiu e escreveu o filme, não há mistério: Ron Howard (diretor de Uma Mente Brilhante, Apollo 13, Frost/Nixon, Willow - Na Terra da Magia) é um contador de histórias altamente experiente, competente, e que trabalha bem em todos os gêneros. E o roteirista Lawrence Kasdan escreveu nada menos que O Império Contra-Ataca, O Retorno de Jedi e Os Caçadores da Arca Perdida (ele também foi roteirista de O Despertar da Força, porém lá teve que trabalhar junto com outros 2 roteiristas, incluindo o diretor J. J. Abrams, enquanto aqui ele escreveu apenas com seu filho, resultando num trabalho mais íntegro).

Ao assistirem o filme, reparem como a história é estranhamente fácil de acompanhar - como o filme foi feito pra ser visto num estado de alerta, por cineastas que desejam que o espectador acompanhe o passo a passo da história sem grandes dificuldades, que só incluem na narrativa eventos que são relevantes pros objetivos estabelecidos dos personagens, e que possam ser compreendidos pelo espectador (que não fica numa névoa olhando figuras que agem de maneira aleatória, cenas que não sabemos pra que servem, ações que não levam a lugar nenhum, etc).

Reparem como o filme nos mostra relacionamentos atraentes entre todos os personagens. Lembro que em Guardiões da Galáxia Vol. 2 comentei que a Zoe Saldana era uma personagem extremamente antipática, que estava sempre contrariada, emburrada com o Chris Pratt - sendo que essa deveria ser a relação mais positiva do filme. Aqui é o exato oposto - até entre o Han Solo e o Beckett (Woody Harrelson) que é um semi-vilão, temos uma relação fascinante, carismática, entre duas pessoas que têm autoestima e se tratam com dignidade.

Reparem como somos transportados pra um universo que parece palpável, orgânico, com cenários físicos, em vez de ambientes 3D que parecem mais um videogame.

Reparem como Han Solo é de fato um herói, como em diversos momentos podemos de fato ver ele fazendo coisas interessantes, demonstrando suas habilidades, tendo sacadas inteligentes pra se livrar de enrascadas ou pra manipular os vilões (sacadas que fazem sentido e que exigiram certo raciocínio do roteirista), demonstrando bons valores de caráter (sendo o "mocinho" mesmo ele não gostando de admitir isso), e como em vez de focar na decadência dos heróis como na maioria dos filmes atuais, aqui nós vemos a ascensão e a celebração de um que ainda está caminhando para o seu auge.

Sim, falta algo no filme que o impede de se tornar altamente memorável ou relevante. Mas talvez seja simplesmente por causa da proposta dessa saga, que pretende contar histórias menos épicas dentro do universo Star Wars, o que deixa os filmes num meio-do-caminho esquisito: não são nem simples o bastante pra poderem virar grandes "Filmes B", mas também não podem ser ambiciosos o bastante a ponto de competirem com os filmes principais da franquia.

De qualquer forma, é um entretenimento old-school muito bem vindo pra quem quer um descanso das tendências atuais do cinema.

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Solo: A Star Wars Story / EUA / 2018 / Ron Howard

NOTA: 7.5

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Deadpool 2

Queria não ter deletado o vídeo que gravei na época do lançamento do primeiro Deadpool, pois tinha traduzido uns trechos do artigo "Bootleg Romanticism" da Ayn Rand que seriam novamente relevantes aqui. Mas só pra relembrar uma parte:

"Observe que na questão de humor vs. thrillers, os intelectuais modernos estão usando o termo "humor" como um anti-conceito, um "combo" de 2 significados, com o significado correto servindo de cobertura pra que eles enfiem o significado inapropriado nas mentes das pessoas. A intenção é destruir a distinção entre "humor" e "ridicularização", particularmente "auto-ridicularização" - e portanto levar as pessoas a sujarem seus próprios valores e suas autoestimas, por medo de serem acusadas de não terem um "senso de humor". Lembre-se que humor não é uma virtude incondicional - ele depende do objeto. Você pode rir com um herói, mas nunca de um herói - assim como uma sátira pode rir de um determinado objeto, mas nunca de si mesma. Uma composição que ri de si mesma é uma fraude sobre a plateia."

Concordo plenamente com ela (é o que já discuti em postagens como Idealismo Corrompido) e esse é o principal motivo de eu não me divertir com essa série.

Mas há outros valores ruins no filme também. Não só ele é anti-heróis, anti-autoestima, como ele é explicitamente pró auto-sacrifício, apresentando uma história onde o herói dedica todo o seu esforço pra salvar um personagem secundário, que nada tem a ver com sua vida, que é intencionalmente feio, mau caráter, não tem o menor carisma... Ou seja, o grande tesouro da história, a "arca perdida" que o herói tem que lutar pra conquistar, agora é um adolescente revoltado, andrógino, com obesidade mórbida, representante das "minorias oprimidas".

SPOILER: No clímax, assim como no último Star Wars, temos novamente um momento de duplo auto-sacrifício (1 só já se tornou uma dose muito fraca pro público atual) - onde o herói tenta morrer em nome dos mais fracos, mas daí um personagem secundário se sacrifica de última hora pra impedi-lo de se sacrificar. Assim, o herói consegue provar pro público que tem o "coração no lugar certo" - que está em harmonia com os ensinamentos de Jesus - mas não precisa morrer na prática, afinal isso seria muito inconveniente, o que vale mesmo é a intenção (o interessante nesse caso específico é que mesmo depois que o Deadpool se joga na frente da bala e leva o tiro pelo garoto, ele ainda poderia se salvar apenas tirando o dispositivo do pescoço que anula seus poderes - tirando o colar, o ferimento da bala se regeneraria - mas não: ele insiste em não tirar o colar e morrer de propósito, apenas pra provar que ele não fez aquilo por qualquer motivo egoísta (egoísmo = Hitler). Para um altruísta, apenas o sacrifício total conta como uma verdadeira prova de bondade.

A completa rejeição da lógica, da realidade, de regras claras, também é algo impressionante nos filmes da Marvel, e aqui não é diferente - o que destrói qualquer possibilidade de suspense na história e envolvimento nas cenas de ação (como ficar apreensivo, temer qualquer coisa, ou admirar qualquer virtude num universo onde tudo pode, onde nada tem características sólidas, onde não se tem uma noção de quais são os limites do herói, do que ele pode ou não fazer?). Afinal, não só Deadpool é praticamente indestrutível (ele é desmembrado diversas vezes no filme - às vezes demoram alguns dias pros seus membros crescerem de volta, mas às vezes ele já aparece todo "colado" na cena seguinte), como também há uma máquina do tempo no filme, então mesmo que alguém consiga matá-lo, sabemos de antemão que será possível desfazer tudo num estalar de dedos.

Rand dizia que a arte reflete a soma dos valores filosóficos mais profundos de uma sociedade. Não sei se Deadpool é um bom representante da cultura atual, mas o que quer que ele reflita, não é boa notícia.

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Deadpool 2 / EUA / 2018 / David Leitch

FILMES PARECIDOS: Logan (2017) / Star Wars: Os Últimos Jedi (2017) / Kingsman: Serviço Secreto (2014)

segunda-feira, 14 de maio de 2018

A Noite do Jogo

Comédia sobre um grupo de amigos que se reunem semanalmente pra noites de jogos, mas que em uma noite em particular acabam se envolvendo em um mistério real. É um daqueles filmes onde fica óbvio desde o começo que tudo o que está acontecendo ainda pode fazer parte do jogo, e que no fim poderemos ter a grande "surpresa" de que era tudo uma armação de um deles. O filme se esforça pra deixar o espectador na dúvida, mas o problema é que, quando nós consideramos as 2 possibilidades ao longo da história, percebemos que nenhuma delas teria muita graça: se tudo ainda for parte do jogo, é uma ideia clichê e usada de maneira previsível; já se estiver acontecendo pra valer, então quer dizer que o filme depende de uma coincidência tão forçada que faz o roteiro parecer preguiçoso e irreal.

O filme é dos mesmos diretores do remake de Férias Frustradas, e sofre dos mesmos problemas daquele filme: apesar de bem intencionado, de querer ser uma comédia com um tom leve, onde o humor vem de ideias criativas, do roteiro, de Set Pieces originais (em vez de apelar pra vulgaridades comuns, atores careteiros, etc), é simplesmente um daqueles casos onde falta talento, onde a história simplesmente não é tão esperta quanto tenta parecer, onde as cenas de humor parecem forçadas, auto-conscientes, mal integradas à história...



De qualquer forma, a plateia riu bastante durante a sessão, e o filme está com avaliações positivas no IMDb, no Metacritic, então de repente é uma boa opção pra espectadores menos exigentes que queiram apenas uma diversão passageira, um filme "bobinho", "pra não ter que pensar", etc.

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Game Night / EUA / 2018 / John Francis Daley, Jonathan Goldstein

FILMES PARECIDOS: Férias Frustradas (2015) / Família do Bagulho (2013) / Quero Matar Meu Chefe (2011)

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Vingadores: Guerra Infinita

Vi 2 horas do filme mas acabei me cansando e indo embora meia hora antes do final. Simplesmente me senti perdendo tempo na sala, mais uma vez investindo numa franquia que desde o primeiro capítulo nunca me proporcionou um pingo de prazer ou de satisfação artística, que me parece insípida em todos os aspectos importantes de um bom entretenimento, e que continua a entregar apenas mais do mesmo de forma mecânica, enlatada. Quando vejo esses filmes da Marvel muitas vezes me sinto como um assexual entrando num cinema pornô, ou um ateu atendendo um culto evangélico... A sensação de olhar pra tela e simplesmente não entender qual a graça, como se me faltasse uma glândula extra que todos os outros espectadores tivessem.

Pra mim o problema é que todas as coisas que o filme oferece de "valor" na verdade são fundadas em questões passageiras, superficiais: efeitos especiais grandiosos que parecem sofisticados hoje mas que daqui a 10 anos já serão ultrapassados; a presença de dezenas de astros que estão em alta no momento e fazem o filme parecer imponente, cool, mas que não representarão muito para as gerações futuras assistindo ao filme; o apego que os fãs têm aos personagens por mérito dos quadrinhos ou de filmes anteriores, e não deste filme em particular; e também por uma espécie de auto-afirmação social, da identificação do espectador com uma "tribo" ou uma sub-cultura específica defendida pelo filme (nesse caso a dos nerds), da mesma forma que nos anos 60/70 faziam filmes hippies pra agradar o público hippie, filmes Disco pra quem ouvia música Disco - filmes que hoje em dia em geral parecem péssimos.

Uma das principais marcas de um bom filme é que ele resiste ao teste do tempo, pois o que ele tem de valor está na essência, naquilo que é universal e atemporal na arte (e no cinema, tudo começa com um bom roteiro e uma boa história) não nos elementos secundários. Então filmes assim acabam sendo o equivalente cinematográfico a essas músicas sobre rebolar a bunda que fazem sucesso por alguns meses e podem até proporcionar instantes divertidos na balada, demonstrar algum tipo de "sabedoria pop" e valor de produção, mas cuja pobreza musical a faz cair em esquecimento na temporada seguinte.

Pra quem quiser melhorar essa capacidade de enxergar o que é essencial em um filme e o que é secundário, o melhor exercício é começar a assistir muitos clássicos e filmes antigos em geral. E parar pra pensar por que é que um bom clássico continua impactante hoje em dia... Observar o que ele tem de especial, que erros ele não comete, por que determinadas cenas continuam tocando as pessoas da mesma forma... E por que outros filmes que foram grandes hits em suas épocas (às vezes mais bem sucedidos do que esses que se tornaram clássicos) hoje em dia soam tão datados, pobres, ineficazes, como por exemplo alguns filmes de desastre dos anos 70, que eram repletos de astros e efeitos especiais caros - coisas que podiam divertir o público num nível superficial e lotar salas de cinema - mas que vendo hoje fica claro que sem essas "muletas" o filme não se sustenta tão bem.

Avengers: Infinity War / EUA / 2018 / Anthony Russo, Joe Russo

FILMES PARECIDOS: Capitão América: Guerra Civil (2016) / Vingadores: Era de Ultron (2015)