domingo, 24 de abril de 2022

Cidade Perdida | Crítica

Cidade Perdida poster oficialComédia de aventura onde Sandra Bullock interpreta uma escritora de romances que é raptada e levada para a selva por um bilionário (Daniel Radcliffe) que acredita que ela seja a única pessoa capaz de encontrar um tesouro em uma cidade antiga recém descoberta por ele.

Assim como O Projeto Adam (2022) reciclou elementos de O Exterminador do Futuro (1984) / De Volta para o Futuro (1985), e os apresentou sob a forma de comédia, Cidade Perdida faz o mesmo com Os Caçadores da Arca Perdida (1981) / Tudo por uma Esmeralda (1984) — mais ou menos como Alerta Vermelho (2021) fez recentemente também

Como já disse algumas vezes, tenho certos problemas com filmes que são essencialmente aventuras, mas que são transformados em comédias simplesmente pelo fato dos personagens falarem e agirem de forma atrapalhada. É sinal do Idealismo Corrompido da atualidade que aventuras escapistas como essas sejam apresentadas como comédias, algo a não ser levado a sério. Vale lembrar que os filmes dos anos 80 que citei têm bastante humor também. A diferença é que havia seriedade e inteligência o bastante — tanto nos personagens, quanto na ação e na construção das tramas — pra que você acreditasse nas coisas que estavam acontecendo. O humor vinha como um tempero, mas não era o prato principal ou a única coisa sendo servida. Em Cidade Perdida, tudo é apresentado como uma palhaçada, algo assumidamente cômico e fantasioso, então não é possível acreditar na história — começando pela ideia de Bullock ser uma mulher séria, que prioriza o intelecto (que deveria ser o extremo oposto de Tatum), sendo que sua caracterização está mais pra uma Miss Simpatia, e é ela própria que escreve os romances baratos pelos quais é conhecida.

Nada contra comédias, o problema é quando o filme fica em cima do muro e às vezes quer agir como se fosse uma aventura real — mostra paisagens fantásticas, atos heroicos, romance, e subitamente adquire um tom mais dramático, emocionante, como se a plateia fosse ficar comovida ou excitada pela ação. É como se ele usasse um lado do "muro" como pretexto pra não se comprometer com o outro... O lado "aventura" não precisa ser tão sério e eficaz, pois o filme tem a desculpa de ser só uma comédia (a trama não precisa ser tão convincente, original, a ação não precisa fazer muito sentido, tudo pode ficar na superfície, sem suspense, tensão...), e ao mesmo tempo, o lado "comédia" não precisa ser tão elaborado assim, afinal ele tem a desculpa de estar seguindo a narrativa de uma aventura (há trapalhadas a todo momento, mas o filme não cria set pieces icônicos como uma boa comédia, não escala humoristas de fato pra protagonizar a história, figuras realmente contrastantes e incompatíveis, e sim atores que poderiam muito bem estar interpretando heróis de verdade). O resultado é um filme legalzinho, bem produzido, que distrai, faz rir em alguns momentos (até pelo carisma do elenco, que é bom) mas nunca passa disso.

The Lost City / 2022 / Aaron Nee, Adam Nee

Satisfação: 5

Categoria B/C: Idealismo de nível artístico mediano, misturado com elementos Corrompidos (humor e despretensão comprometendo o Idealismo da história)

Filmes Parecidos: Alerta Vermelho (2021) / Sonic 2: O Filme (2022) / Jumanji: Bem-Vindo à Selva (2017) / A Espiã Que Sabia de Menos (2015)

quinta-feira, 21 de abril de 2022

Medida Provisória | Crítica

Medida Provisoria poster
Promovido como uma mistura de Black Mirror com Parasita, o filme imagina um futuro não muito distante no Brasil onde um governo de extrema direita decide que todos os negros devem ser capturados e mandados "de volta" para a África como reparação histórica pela escravidão. A medida absurda surge como reação a um movimento iniciado pela esquerda, que exigia reparação histórica para os negros, mas na forma de dinheiro (algo que o filme trata como uma medida totalmente sensata e justa). Lázaro Ramos, que dirigiu o filme, parece querer pegar a onda de Wagner Moura e de filmes como Marighella, mas como cineasta faz um trabalho medíocre, pra dizer o mínimo. O retrato do conflito social é caricato, sem nuances ou observações inteligentes, e não chega nem a divertir como um Não Olhe para Cima. Apesar de eu discordar do filme politicamente, em alguns momentos me peguei até torcendo pra que ele melhorasse, pois apesar de tudo, detesto ver artistas se constrangendo. Mas o filme tem inúmeros problemas de ritmo, estrutura, tom, montagem, e até atores experientes como Taís Araújo e Seu Jorge conseguem se sair mal em certas cenas (embora nada seja mais bizarro que Alfred Enoch, da série Harry Potter, tentando se passar por um típico brasileiro com seu sotaque de gringo). Filmes como Bacurau ou Que Horas Ela Volta? podem até ser fracos como cinema, mas pelo menos são bem sucedidos na missão de criar discórdia, irritar a direita... Esse aqui acho que nem isso consegue. Fica parecendo que Lázaro Ramos, ao contrário de tantos cineastas brasileiros, não é um militante autêntico, não tem um ódio do "sistema" tão enraizado em sua personalidade, e está fazendo isso mais pela popularidade, pelo prestígio no meio artístico — algo que ele não deve conseguir desta vez.

Medida Provisória / 2020 / Lázaro Ramos

Satisfação: 2

Categoria C: Filme comercial motivado por política e cheio de más ideias

Filmes Parecidos: O Poço (2019) / Marighella (2019) / 3% (2016) 

segunda-feira, 18 de abril de 2022

Diário - Abril 2022

Abril 2022:

18/4 - Drive My Car (2021 / Ryûsuke Hamaguchi)

Satisfação: 4

Categoria D: Naturalismo

Filmes Parecidos: Em Chamas (2018) / Assunto de Família (2018) / Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre (2020)



17/4 - X (Ti West / 2022)

Slasher da A24 (em grande parte inspirado no O Massacre da Serra Elétrica original) que tem uma primeira meia hora interessante, mas logo que começam as mortes se transforma em mais um exemplar do "pós-terror", cujo objetivo não é entreter ou assustar e sim em exibir o "conceito" do diretor e fazer observações culturais cínicas (o monstro aqui simboliza o conservadorismo, como de costume).

Satisfação: 5

Categoria C: Idealismo Corrompido (gênero tradicional subvertido por tom de auto-paródia e toques de Anti-Idealismo)

Filmes Parecidos: Saint Maud (2019) / Corra! (2017)



14/4 - A Pior Pessoa do Mundo (Joachim Trier / 2021)

Satisfação: 7

Categoria D/C: Naturalismo / Comédia dramática com Senso de Vida Malevolente

Filmes Parecidos: A Filha Perdida (2021) / O Rei de Staten Island (2020) / Frances Ha (2012)



13/4 - Sonic 2: O Filme (Sonic the Hedgehog 2 / 2022 / Jeff Fowler)

Satisfação: 6

Categoria B/C: Idealismo pouco sofisticado e com elementos Corrompidos (despretensão, ética altruísta)

Filmes Parecidos: Pokémon - Detetive Pikachu (2019) / Lego Batman: O Filme (2017)



13/4 - O Projeto Adam (The Adam Project / 2022 / Shawn Levy) 

Satisfação: 5

Categoria C: Idealimo Corrompido (humor usado pra anular o Idealismo da história)

Filmes Parecidos: Free Guy: Assumindo o Controle (2021) / A Guerra do Amanhã (2021) / Guardiões da Galáxia (2014) / Alerta Vermelho (2021)



11/4 - A Bolha (The Bubble / 2022 / Judd Apatow)

Satisfação: 4

Categoria B: Idealismo malfeito

Filmes Parecidos: Porta dos Fundos: Contrato Vitalício (2016) / Os Picaretas (1999)



5/4 - Apollo 10 e Meio: Aventura na Era Espacial (Apollo 10 1/2: A Space Age Childhood / 2022 / Richard

Linklater)

Satisfação: 8

Categoria A/D: Híbrido de Naturalismo e Idealismo (reconto de memórias pessoais mas feito de forma criativa e inspiradora)

Filmes Parecidos: Belfast (2021) / Licorice Pizza (2021)



5/4 - Cyrano (2021 / Joe Wright)

Satisfação: 2

Categoria B/C: Idealismo Corrompido (wokismo e música ruim)

Filmes Parecidos: Cinderela (2021) / O Rei do Show (2017) / Querido Evan Hansen (2021)



3/4 - Águas Profundas (Deep Water / 2022 / Adrian Lyne)

Satisfação: 6

Categoria B: Idealismo crítico com trama insatisfatória (especialmente no 3º ato)

Filmes Parecidos: Infidelidade (2002) / Garota Exemplar (2014) / The Voyeurs (2021) / O Talentoso Ripley (1999)

domingo, 17 de abril de 2022

Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore | Crítica

(Os comentários a seguir foram baseados nas anotações feitas durante a sessão.)

- É mais um desses filmes com narrativa de série de TV, que começam já com a ação se desenrolando, sem dar nenhum contexto pro espectador. O filme mal começou e eu já estou confuso... Por que o Newt está indo ajudar esse animal dando cria no meio da noite? Ele já sabia que os outros iriam tentar roubar o filhote? Dumbledore e Grindelwald já eram um casal gay ou inventaram isso agora? O filme nem se esforça pra pontuar que o Grindelwald agora é interpretado pelo Mads Mikkelsen (já que o Johnny Depp foi cancelado). Às vezes perdoo essas coisas pensando "quem é fã está entendendo tudo", mas nesse caso tinha um fã de Harry Potter do meu lado que demorou mais de meia hora pra assimilar que Mads era o Grindelwald. A história é mal contada (assim como as dos outros 2 filmes e também as de alguns dos Harry Potter), vai pulando de um núcleo pra outro de forma arbitrária, sem estabelecer primeiro qual o conflito central, qual o propósito da história, qual o desejo do protagonista, etc.

- Continuo achando o Eddie Redmayne uma figura excêntrica demais pra ser o herói de uma franquia desse gênero.

- É interessante a ideia deles não poderem saber cada etapa do plano pra despistar o vilão (que tem o poder de prever suas ações), embora isso não seja muito bem elaborado. O problema é que Grindelwald é um vilão distante, pouco ameaçador... Tirando a cena da eleição (que ocorre só no final do filme), ele não tem contato algum com os protagonistas. Parece estar numa história paralela, distante. E a rivalidade maior dele é com o Dumbledore, não com o Newt... Dumbledore é que devia ser o protagonista do filme, não o Newt... Talvez ele seja, mas não é algo claro. Ficam todos parecendo coadjuvantes.

- J.K. Rowling tem uma ótima imaginação pra criar universos, pensar em magias, criaturas, coisas concretas... mas não tem muita noção de trama, de como estruturar uma história. Da mesma forma, a produção do filme é bem feita (efeitos especiais, direção de arte, figurinos), mas a narrativa é fraca.

- Há uma sequência longa do Newt indo resgatar o Theseus da prisão (o alívio cômico dos caranguejos é repetido até cansar), mas esse resgate nem parece um desenvolvimento relevante pra trama. Nem lembro direito por que o Theseus foi preso, ou qual a função dele no filme.

- É típico das chatices atuais que um filme de fantasia pra família no fim seja sobre política, fraudes eleitorais, a ascensão do nazismo, etc. Ainda assim, a cena da eleição é a melhor parte do filme, pois é a única onde há clareza, onde realmente entendemos a função do Qilin, o plano do vilão, a estratégia dos heróis, e assim há certo suspense, interesse no que vai acontecer, etc. Tudo isso já tinha sido exposto antes, só que através de diálogos, cenas casuais, que não dramatizavam direito nem davam ênfase pro que é essencial para a história. Logo nos primeiros minutos, o filme já devia ter deixado alguns pontos claros para o espectador: haverá uma eleição importante, o vilão quer vencer "fraudando" um Qilin (que é o animal mágico que determina o vencedor), então eles precisam impedi-lo de alguma forma, se não tragédia X ocorrerá. Pronto. Se depois disso, víssemos o Newt indo no meio da noite resgatar o filhote do Qilin etc., o espectador estaria entendendo a história e participando dela com curiosidade, em vez de testemunhando ações passivamente. Tudo estaria costurado por um propósito, o que tornaria o filme mais interessante. Só que o filme não se comunica com uma epistemologia racional, e sim com uma epistemologia mística, subjetiva, que gosta de estar diante do misterioso, de se perder num universo incompreensível (há várias daquelas cenas de "ação" que consistem de 2 pessoas disparando raios mágicos uma contra a outra, e a do bem vence por alguma "força" indefinida — algo que também reflete uma mentalidade não objetiva, que não se importa por razões, explicações).

- A personagem da Maria Fernanda Cândido mostra o quão superficiais são alguns dos personagens (e como a narrativa é superficial). Nós no Brasil, como conhecemos ela, ficamos atento a cada segundo dela na tela. Então vemos como ela é mal explorada, e mal tem 1 frase o filme todo... Mas um espectador de outro país, talvez fique com a sensação vaga de que a Vicência foi uma personagem importante, que teve uma relevância maior na história — assim como na cena da prisão eu fiquei com a sensação de que o Theseus devia ser muito importante pro filme, só não lembrava exatamente por que.

- O romance entre o padeiro e a Queenie ganha bastante atenção (tanto que o filme acaba com o casamento dos dois) mas é algo que rolou no filme anterior e eu nem lembro mais por que eu deveria me importar. O roteirista parece achar que estamos maratonando os 3 filmes, e que não há necessidade de recriar o interesse, dar um novo motivo pro espectador se envolver.

- SPOILER: Muito pomposo e arrastado esse final (Dumbledore assistindo de longe a cerimônia e indo embora) pra uma história que não foi tão épica assim, e ainda nem foi concluída (afinal, Grindelwald continua solto).

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Fantastic Beasts: The Secrets of Dumbledore / 2022 / David Yates

Satisfação: 5

Categoria B/C: Idealismo com uma salada de problemas narrativos (falta de objetividade) e de valores (Idealismo Corrompido)

Filmes Parecidos: Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald (2018) / Harry Potter e as Relíquias da Morte (2010) / O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos (2014)

sábado, 9 de abril de 2022

Morbius | Crítica

(Os comentários a seguir foram baseados nas anotações feitas durante a sessão.)

- Quando o filme mostra o Morbius criança no hospital, há toda uma ênfase no fato dele ser doente, sofrer bullying — no lado loser do personagem — que é aquele toque obrigatório de Idealismo Corrompido. Mas não é algo presente o filme todo.

- Em termos de fotografia, direção, o filme parece dentro dos padrões da Marvel. O primeiro grande problema que eu vejo (e que pode explicar a má recepção do filme) é Jared Leto como protagonista. Pra mim ele se tornou uma dessas figuras em Hollywood que, quando surgem na tela, fazem qualquer coisa parecer meio flopada, sem credibilidade, tipo o Nicolas Cage até uns anos atrás. Não acho ele um ator forte, ele não tem perfil de super-herói, e menos ainda de um cientista genial (só pra jogar uma polêmica: há estudos que indicam que rostos com olhos mais próximos — tipo os do Will Ferrell — passam uma impressão de baixa inteligência).

- A história em si eu até acho interessante: a busca pela cura, os testes com a saliva de morcego, etc. Comparando com Batman (2022) que foi aclamado, Morbius tem uma trama bem mais sólida, melhor contada. Me lembra A Mosca (1986) em alguns momentos, mas mais fraco e sem um protagonista à altura.

- O filme não estava muito promissor, mas até agora tinha salvação. Só que daí vem a cena que torna essa má impressão irreversível: a primeira transformação de Leto na criatura. Acontece tudo muito rápido (ele aparecendo no teto), e de uma hora pra outra o filme parece virar um terror B (lembrei da cena bizarra de luta do final de Maligno). O momento Matrix dele desviando das balas é particularmente idiota. Sem falar que o Morbius é muito feio, e não no bom sentido (já que um monstro é pra ser feio), e sim que o design é estranho... A criatura fica meio ridícula (lembrei do "sósia" do Michael Jackson em Todo Mundo em Pânico 3). Podia ser mais como o Venom, ou como o Spawn (1997), que têm uma aparência grotesca, mas ainda com um visual imponente etc. São coisas meio subjetivas, mas que fazem diferença - basta lembrar do Sonic antes e depois da polêmica do trailer; não houve nenhuma mudança tão extrema, mas o primeiro incomodava, e o segundo funcionou.

- Morbius vai de um cara frágil, doente, pra um monstro horrível, igualmente doente em alguns aspectos (apesar da força física). É o tipo de super-poder que vem mais como uma maldição... Não é um fator que costuma incomodar o público geral, mas eu como espectador não tenho vontade de ser o Morbius, de passar pelo que ele passa (é um pouco como o Hulk, mas ainda menos divertido). Prefiro histórias onde a transformação é pra algo atraente, vantajoso (ou então que vire um conto de horror mesmo, como A Mosca).

- Há momentos legaizinhos na trama (SPOILER): quando há a surpresa de que o amigo Milo tomou o soro também; ou quando Morbius vai descobrindo novos poderes (voar, etc.). Nada é muito bem feito ou original, mas pelo menos o filme é baseado num roteiro honesto, que está tentando contar uma história coerente.

- Não sei por que saem sempre essas fumacinhas coloridas dos personagens quando eles correm/pulam. É um efeito especial genérico, sem sentido, que daqui uns anos parecerá datado.

- O ator que faz o vilão (Milo) também fica estranho quando vira monstro (a cena ridícula dele dançando no banheiro, por exemplo).

- O confronto final entre os dois até que não é ruim (Morbius controlando os morcegos, etc.). As partes envolvendo a Martine Bancroft não têm muita graça, pois o romance entre os dois nunca colou.

CONCLUSÃO: Pra mim o maior problema do filme é o fato do herói (ou do anti-herói, sei lá) não ter ficado cool/sexy/foda como os fãs gostariam. Isso tira pontos do filme sim, afinal acho que o protagonista tem sempre um peso enorme no resultado final de um filme, porém pra mim não destrói o filme inteiro, pois eu coloco na balança outros elementos, como roteiro, direção, etc. Mas como disse na crítica de Batman (2022), muita gente hoje parece só ligar pra essa impressão superficial dos filmes... se a produção tiver um visual cool, se o herói estiver "arrasando" na tela, é nota 10. Se não, é nota 0. Outras questões cinematográficas quase sempre são ignoradas.

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Morbius / 2022 / Daniel Espinosa

Satisfação: 4

Categoria B/C: Idealismo com pouca qualidade artística/cinematográfica (e uns toques de I.C.)

Filmes Parecidos: Venom (2018) / Quarteto Fantástico (2015)

quinta-feira, 31 de março de 2022

Diário - Março 2022

31/3 - Como já disse, sempre que termino um trabalho novo (seja uma música, curta, o livro, etc.) eu entro numa fase de desânimo, mas também cheia de insights, onde recalculo rotas, amadureço, repenso minhas prioridades, objetivos etc. Minha vontade de produzir mais coisas nessa área artística é quase nula agora. Ano passado tive um momento onde o desejo de trabalhar com cinema, dirigir, voltou à tona, mas hoje acho que é uma rota que só levará a frustração e stress. Ironicamente, o que inspirou essa música nova foi em partes esse desejo de me reaproximar do universo inspirador da arte, tirar o foco dos assuntos pesados, do meu lado "crítico"; mas talvez esse impulso tenha vindo só como combustível pra criação deste trabalho em particular, não como algo que se sustentará para sempre — até porque conforme eu me deparo com a realidade da cultura, do público (o que fica ainda mais evidente quando eu estou na posição de criador/artista), se torna antinatural manter essa atitude benevolente (imagine um marido que continua trazendo flores pra esposa todos os dias, mesmo depois de descobrir que está sendo traído). Então esse papel de inspirar, criar experiências positivas com arte, acaba sendo extremamente ingrato no meu caso (que tenho valores diferentes dos do público em geral — e mesmo numa escala pequena já é possível entender muito sobre o público e prever o que ocorreria em escalas maiores). E se esse impulso vai embora, eu fico refletindo sobre o que seria mais frutífero — que papel me cairia melhor: o de "educar" (que seria o 2º mais otimista depois do de inspirar/entreter, mas que às vezes me parece igualmente infrutífero)? O de atacar/criticar (que é apropriado, mas desgastante)? Ou o de simplesmente me abster? Fico em dúvida se essa última seria a opção mais pessimista de todas, ou a mais sábia... Mas são por esses "moods" que eu transito, e influenciam o que eu produzo ou deixo de produzir.


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30/3 - Morte no Nilo (Death on the Nile / 2022 / Kenneth Branagh)

Nível de Satisfação: 5

Categoria B/C: Idealismo com fraquezas na história e alguns toques de Idealismo Corrompido

Filmes Parecidos: Assassinato no Expresso do Oriente (2017) / Entre Facas e Segredos (2019)


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27/3 - Os Olhos de Tammy Faye (The Eyes of Tammy Faye / 2021 / Michael Showalter)

Nível de Satisfação: 7

Categoria A: Idealismo crítico

Filmes Parecidos: Apresentando os Ricardos (2021) / Casa Gucci (2021) / Um Lindo Dia na Vizinhança (2019)


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25/3 - Ontem fui ao cinema ver Drive My Car, o último que faltava dos indicados a Melhor Filme, mas acabei indo embora na metade. Minha paciência pra filmes Naturalistas "estrangeiros" nunca foi muito grande, mas ela vem diminuindo, e apesar de eu ter entrado na sala sabendo que o filme tinha 3 horas, achei que pudesse me surpreender com base em alguns comentários que ouvi (imaginei que pudesse virar algo mais intenso, tipo Parasita), mas a história é bem tediosa, pontuada por acontecimentos aleatórios que não parecem caminhar pra lugar nenhum. É o típico filme que ganha prestígio em Cannes, mas que antigamente seria considerado chato demais até pra categoria de filme estrangeiro no Oscar — as indicações pra Melhor Filme / Direção pra mim são completamente absurdas. Então quando deu 1h30 e acabou meu combo pipoca-Coca-Mentos, o programa perdeu o sentido e fui embora. Outro que já comecei a ver 2 vezes e acho que não vai rolar é o The Worst Person in the World... Então da lista completa de indicados, só pretendo ver The Eyes of Tammy Faye e Cyrano ainda, mas não sei se a tempo da cerimônia.

segunda-feira, 28 de março de 2022

Oscar 2022

Mais um ano, mais uma ilustração da decadência da Academia. Achei alguns prêmios merecidos (como o de Melhor Atriz pra Jessica Chastain), mas quando o Oscar principal vai pra algo tão fraco quanto No Ritmo do Coração, isso acaba manchando a edição como um todo. E o culpado já conhecemos: todas as tendências culturais de hoje que colocam a função social do cinema acima de qualidade, inclusão acima de virtude (o que explica também a baixa audiência).

Sobre o caso Will Smith... Eu acho péssimo o humor degradante de apresentadores como Chris Rock, Ricky Gervais, e é revelador sobre a cultura que esse tipo de piada tenha se tornado uma convenção em cerimônias que foram criadas originalmente para enaltecer artistas, celebrar talento, habilidade, glamour etc. Óbvio que Smith se descontrolou e respondeu de forma totalmente inapropriada... Então vejo os dois como errados, só que em âmbitos e níveis diferentes: Smith pecou pelo descontrole/impulsividade (cruzou uma linha pior que a de Rock, mas que pode ter sido um impulso atípico, algo que não representa seu comportamento normal), e Rock pecou pela indelicadeza/falta de respeito (não violou os direitos de ninguém, nem as regras da festa, mas fez uma piada de mau gosto — ainda mais se ele já sabia da condição de Jada).

P.S.: O mais curioso de tudo é que vi pessoas defendendo o tapa de Will Smith aqui no Brasil usando argumentos tanto de "direita" quanto de "esquerda". Uns dizendo que foi certo o tapa, pois "homem que é homem" protege a esposa, não deixa a Família ser insultada; outros dizendo que foi certo o tapa, pois Jada estava numa posição de vítima, de mulher negra vulnerável, oprimida. Os dois lados se unindo na ideia de que é aceitável usar força física como resposta a ataques verbais, a não-crimes — algo que se reflete em debates políticos mais amplos.

domingo, 27 de março de 2022

Red: Crescer é uma Fera

Achei bem simpática essa animação da Disney/Pixar que foi direto pro streaming (apesar do tom despretensioso de Sessão da Tarde, tinha nível pra passar nos cinemas), que se destaca principalmente pelo humor mais espirituoso que de costume. Nem tudo me agradou: ainda temos os temas "socialmente relevantes" sendo usados pra validar a história (o panda vermelho é uma espécie de metáfora pra puberdade feminina), além dos anti-heróis no centro da trama (o maldito sorriso invertido logo na capa) — mas como estamos falando de uma comédia, não de uma aventura bem-humorada (mas essencialmente dramática) tipo Onward / Luca, o aspecto "loser" dos personagens não me incomodou pois não é romantizado — as meninas e o panda existem pra provocar risadas na plateia na maior parte do tempo, e o resultado é divertido. A parte musical também é boa, e as canções do grupo 4*TOWN (compostas pela Billie Eilish e o irmão) são grudentas e convencem como hits de boy bands.

Turning Red / 2022 / Domee Shi

Nível de Satisfação: 6

Categoria B: Idealismo com pouca ambição, e com alguns toques de Não Idealismo (motivação educacional, etc.).

Filmes Parecidos: Encanto (2021) / O Touro Ferdinando (2017) / Meu Malvado Favorito (2010) / Monstros S.A. (2001)

quinta-feira, 24 de março de 2022

The Last Floor

Música nova..! E com alguns easter eggs pra quem conhece meu lado cinéfilo! Rs. 

quinta-feira, 3 de março de 2022

Batman

A impressão é que a única questão na mente dos produtores neste filme era "Como parecer respeitável?". Eles sabem que os fãs entram na sala já querendo amar tudo e dar nota 10, portanto não existe a necessidade básica de elaborar uma boa história, pensar em como estimular e envolver o público (eles não precisam ganhar pontos, como filmes normais, só não querem perder os que já têm garantidos) — então todos os princípios e técnicas que discuto aqui no blog vão por água abaixo. E como é que eles conseguem "parecer respeitáveis"? Simples: colocando uma espécie de filtro sobre o filme todo, que deixa tudo escuro, chuvoso, com uma trilha tenebrosa, e faz os atores falarem num tom grave, dramático, independentemente do contexto — se Batman parasse no drive-thru de um McDonald's pra pedir um lanche, tanto ele quanto a funcionária estariam na penumbra falando desse jeito anti-natural. É o que falo no texto Pseudo-Sofisticação (a analogia do garoto fumante). Filmes que de fato são densos e sérios não precisam fazer esse teatro todo. Pois a seriedade é fundada no conteúdo. Se você assiste a O Poderoso Chefão, até as cenas mais pesadas do filme têm mais sentimento e naturalidade do que as de Batman, que é totalmente árido e forçado. Batman é um filme vazio em ideias, conteúdo, inteligência... É apenas uma reciclagem de dezenas de outras produções que vimos antes. Portanto, a única forma dele parecer um filme imponente é através do tom, do estilo. É um filme que funciona muito bem pra quem senta na poltrona e se conecta apenas com a aparência das coisas: quer saber se Pattinson ficou com um visual cool, se a estética do filme está dentro do que é considerado legal no momento, se é fiel aos quadrinhos. Mas se você se conecta com uma história através do conteúdo: do que acontece, dos valores em jogo, dos personagens, das ideias, o filme não tem nada pra você. Até porque mal somos apresentados ao protagonista. Apesar de não ser uma sequência, e o título sugerir um reboot ou uma história stand-alone, Bruce Wayne é jogado na tela sem grandes introduções e já parte pra missão da vez, como se fosse uma série já na segunda temporada... Não há um cuidado em apresentá-lo, mostrar seus atuais dramas e desejos, então vira um típico "filme de serviço". Existem mistérios, traições, perigos na história, mas o que o espectador vê 90% do tempo são personagens conversando sobre uma trama vaga que está ocorrendo em outro lugar, falando sobre personagens secundários que mal conhecemos — e não vendo a trama de fato se desenrolar diante de seus olhos. Nada do que acontece tem grande impacto emocional. E o filme parece propositalmente evitar coisas muito dramáticas, grandiosas. O mundo não parece correr um grande perigo, o vilão fica em segundo plano, os próprios gadgets do Batman estão mais discretos que no passado (tecnologias, carros, motos, etc), SPOILERS — o "grand finale" é uma sequência de ação bem capenga onde Batman apenas solta umas pessoas presas numas ferragens em um ginásio alagado. Os filmes de Nolan, embora sérios e sombrios, pelo menos buscavam espetáculo, grandiosidade. Aqui é tudo mais contido, reprimido, realista... Batman não luta grandes batalhas, não derrota o vilão definitivamente (aliás quase nenhum bandido morre o filme todo; punir o mal virou politicamente incorreto), não vive o romance com a mocinha (em vez de suicídio, o auto-sacrifício desta vez tem ares celibatários). Não há nada de terrível ou de tão incômodo no filme (além do tempo de duração), mas também não há nada de bom. É apenas um grande nada, algo que nem me parece um filme; porém um nada "respeitável".

OBS: se eu fosse atualizar a lista das 10 Tendências Irritantes do cinema, eu acrescentaria agora essa moda de traduzir textos para o português já na imagem em si, em vez de colocar legendas (textos que aparecem em celulares, telas, até mesmo o título do filme no início). Em Batman eles foram além, e traduziram até um texto pichado no chão em uma cena! Qual a lógica por trás disso (exceto a do exibicionismo tecnológico)? Daqui a pouco vão começar a substituir digitalmente dólares por cédulas de Real nas cenas... e quando surgir um noticiário na TV, veremos o William Bonner inserido digitalmente para que o espectador daqui "entenda" melhor.

The Batman / 2022 / Matt Reeves

Nível de Satisfação: 2

Categoria C: Idealismo Corrompido (Pseudo-Sofisticação; tom sombrio / Emoções Irracionais)

Filmes Parecidos: Liga da Justiça de Zack Snyder (2021) / Batman vs Superman: A Origem da Justiça (2016) / Coringa (2019)