quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Outros filmes vistos - Novembro 2019

A Vida Invisível (2019) - 1.0

Um Dia de Chuva em Nova York (2019) - 6.0

Ford vs Ferrari (2019) - 8.0

Campo do Medo (2019) - 4.0

Brinquedo Assassino (2019) - 4.5

domingo, 17 de novembro de 2019

O Irlandês

Não sou exatamente fã do gênero, principalmente pela falta de trama desse tipo de história - esses filmes costumam ser mais uma coleção de crônicas sobre a máfia (altamente dependentes de diálogos) o que os tornam meio arrastados em termos de narrativa... Mas também pelo foco em personagens maus - não fica claro o que o espectador deve extrair de positivo disso tudo, por que ele deveria se importar por essas pessoas. É preciso ter um certo fascínio por criminosos pra realmente aproveitar essas sagas. Dito isso, o filme é lindamente executado, riquíssimo em diálogos, atuações, técnica cinematográfica.. o uso de tecnologia pra rejuvenescer os atores faz a gente sentir que está vendo um clássico perdido dos anos 70/80... então pra quem é cinéfilo e curte coisas como GoodFellas, O Poderoso Chefão, é um prato cheio.

The Irishman / EUA / 2019 / Martin Scorsese

NOTA: 7.0

Doutor Sono

Sobre o novo Exterminador do Futuro, comparei o filme a uma performance de karaokê mal feita. Doutor Sono seria algo melhor: uma performance de American Idol super produzida, tecnicamente brilhante, até artística, mas que ainda assim não deixa de ser uma imitação que depende totalmente do brilho da criação original (pra quem não sabe Doutor Sono é uma sequência de O Iluminado). Os cenários e a fotografia são dignos de Oscar, talvez a reprodução mais fiel e detalhista do universo de outro filme que já vi (só isso já vale o ingresso pros cinéfilos). O problema está mais na história, nos personagens, que não têm o mesmo apelo e simplicidade que tinham no filme do Kubrick (não curti muito os vampiros de olhos brilhantes, também acho que alguns trechos do roteiro ficaram mal desenvolvidos como a parte com os idosos que explica o título, etc). Mas não deixa de ser um experimento interessante que vale a pena conferir.

Doctor Sleep / EUA, Reino Unido / 2019 / Mike Flanagan

NOTA: 6.0

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio

Quarta tentativa fracassada de dar continuidade aos clássicos de James Cameron (pra mim só os 2 primeiros deviam existir, os que foram de fato dirigidos por ele). Ilustra bem o que disse no post de ontem (Instagram: @amaralcaio) sobre a falta de imaginação em Hollywood. O filme tenta seguir à risca a estrutura dos antigos, chegando a imitar várias cenas e até movimentos de câmera, mas acaba sendo tão triste e sem alma quanto uma performance de karaokê mal feita. É divertido ver Linda Hamilton de volta ao papel de Sarah Connor depois de tanto tempo, mas as performances são tão mal dirigidas que nem isso conseguiu salvar.






Terminator: Dark Fate (EUA, Espanha, Hungria / 2019 / Tim Miller)

NOTA: 4.0

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Outros filmes vistos - Outubro 2019

Projeto Gemini (2019) - 6.0

Malévola: Dona do Mal (2019) - 4.0

El Camino: A Breaking Bad Film (2019) - 5.0

Morto Não Fala (2019) - 4.0

Predadores Assassinos (2019) - 1.0

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Coringa

(Esta crítica está no formato de anotações - em vez de uma crítica convencional, os comentários a seguir foram baseados nas notas que fiz durante a sessão.)

ANOTAÇÕES:

- A performance do Joaquin Phoenix é forte porém um pouco forçada já desde o início. O filme mal começa e ele já está rindo loucamente, chorando, fazendo caretas bizarras, sendo que ainda não temos nenhuma informação sobre o personagem, não sabemos quem ele é, por que ele é assim. A atuação deveria servir à história em primeiro lugar, se não corre o risco de virar exibicionismo (o fato dele já parecer insano e ameaçador desde a primeira imagem também enfraquece o arco do personagem, pois não há uma diferença tão grande entre o que ele é no começo e o que ele se torna no final).

- O personagem não parece ter nada a ver com o Coringa do Batman. É como se fosse um remake de Taxi Driver (sem muita autenticidade) onde simplesmente trocaram algumas páginas do roteiro, mudaram a profissão do protagonista pra palhaço e chamaram a cidade de Gotham.

- Pseudo-sofisticação: o filme acha que é mais artístico e profundo (que um filme tradicional do gênero) por ser Anti-Idealista. Em vez de um verdadeiro entretenimento, agora a franquia está flertando com o cinema Naturalista, transformou o Coringa num americano comum, pobre, que cuida da mãe idosa (não é mais um super-vilão - no Naturalismo nada pode ser "super"), quer discutir questões sociais, problemas psicológicos, fazer um estudo de personagem intimista em vez de criar um grande espetáculo (mais ou menos como Logan fez pra conseguir respeito da crítica). Sem falar na ênfase na feiúra do Joaquin Phoenix (quando um ator abre mão do ego e se mostra horrível em cena, é garantia de prêmios).

- Alerta Vermelho: o filme é anti-americano, anti-ricos... É como se a "América malvada" fosse a culpada pelos problemas do Coringa (e de todos os americanos "excluídos pela sociedade") por não ter lhe dado o sonho prometido. O Coringa se tornou a vítima, e os Wayne (ou seja, o Batman) é o grande vilão por representar os ricos. Há uma completa inversão de valores.

- O filme se torna moralmente condenável por querer justificar a maldade do Coringa e pedir pro espectador ter empatia por ele, torcer por ele. É possível criar um vilão forte, carismático, como Hannibal Lecter por exemplo, mas sem pedir que o espectador tenha pena, o veja como vítima.

- O Coringa não tem o menor talento, a menor vocação pra ser comediante, e o culpado no fim não é ele, mas o capitalismo, o “sistema” - como se a América tivesse o dever de realizar os sonhos irracionais de todos os cidadãos (talvez o filme seja tão popular pois é muito mais agradável culpar o sistema por suas frustrações do que assumir responsabilidade).

- A capa do jornal diz "MATEM OS RICOS - Um novo movimento?" - parece até um comentário sobre o cinema de 2019, considerando que vários dos filmes mais aclamados do ano como Parasita, Bacurau, são justamente sobre matar os ricos.

- Não há uma boa trama, um bom enredo de fato. Em termos de narrativa o filme é apenas uma série de coisas ruins acontecendo ao Coringa pra mostrar como a vida é cruel com ele. O máximo de interesse narrativo que isso gera é o senso de que no final ele irá explodir e sair matando todo mundo. Mas isso só será um clímax satisfatório pro espectador que estiver torcendo pelo Coringa, simpatizando pelas queixas do personagem. Para os outros, não há algo de muito positivo a ser aguardado.

- A direção tenta glamourizar o Coringa, torná-lo cool... Não há problemas em tornar um vilão cool no contexto de um filme que claramente o condena moralmente (tipo Darth Vader, Alien, etc), onde o foco é o herói, os personagens "do bem", e o vilão é apenas algo ameaçador a ser derrotado. Mas aqui todo o foco é no mal. Não temos um herói pra nos apoiarmos, pra servir de contraponto. SPOILER: No final o Coringa termina em cima do carro sendo aplaudido, aclamado pela população, vitorioso, rindo ao som de uma música alegre. O filme acaba cultuando a violência, é feito pra "empoderar" o espectador revoltado, que também se sente um dos excluídos e deseja vingança.

Joker (Canadá, EUA / 2019 / Todd Phillips)

NOTA: 4.0

sábado, 28 de setembro de 2019

Outros filmes vistos - Setembro 2019

Ad Astra - Rumo às Estrelas (2019) - 5.0

Rambo: Até o Fim (2019) - 6.0

Os Jovens Baumann (2019) - 1.0

Midsommar: O Mal Não Espera a Noite (2019) - 6.5

O Menino que Descobriu o Vento (2019) - 7.0

Yesterday (2019) - 6.0

domingo, 8 de setembro de 2019

It: Capítulo Dois

(Esta crítica está no formato de anotações - em vez de uma crítica convencional, os comentários a seguir foram baseados nas notas que fiz durante a sessão.)
ANOTAÇÕES:

- O filme começa muito bem: a produção é ótima, a primeira aparição do palhaço após o ataque homofóbico é bem sinistra, a apresentação dos personagens adultos é interessante (os atores são bons e há umas transições visuais bem legais entre as cenas), o filme vai construindo tensão conforme os personagens vão recebendo as ligações de Derry, etc.

- Logo em que todos se reunem (a cena estranha dos biscoitos da sorte) o filme já começa a apresentar alguns problemas de tom. O humor na cena em que o garotinho reconhece o comediante no restaurante é bem inadequado (todos ainda deveriam estar choque após o que viram).

- Meio nada a ver essa história de usar alucinógenos e rituais tribais pra derrotar o palhaço. Não fica clara qual a conexão entre uma coisa e outra.

- Meio bobo eles terem que encontrar artefatos do passado pro ritual funcionar. Parece uma regra aleatória criada só pra encher linguiça até o confronto final (o filme agora vai ficar mostrando personagem por personagem indo atrás dos artefatos, vai mostrar dezenas de flashbacks, etc). Todo o segundo ato do filme acaba sendo meio arrastado, monótono, sem grandes evoluções na história.

- Desnecessária a cena da estátua do lenhador. Essas sequências de terror em flashbacks parecem gratuitas, não acrescentam muito em conteúdo e nem ajudam a avançar a história (e não criam tensão afinal são apenas lembranças, os personagens não estão de fato em perigo).

- Mais problemas de tom: em vez de assustadora, a velhinha acaba parecendo cômica na cena em que a Beverly vai até a antiga casa dela. As cenas de terror do filme em geral parecem forçadas, apelam demais pra artificialidades, pra efeitos, caretas, como se a cada cena o filme precisasse mostrar uma técnica nova e esquisita pra assustar, esquecendo que em geral a simplicidade e a sugestão impactam mais.

- Idealismo Corrompido: Assim como no primeiro, o uso de humor é destrutivo e compromete muitas das cenas (por exemplo, tocar "Angel of the Morning" enquanto o monstro vomita na cara do Eddie, ou depois quando um deles leva uma facada na bochecha e depois ainda fica fazendo piadinhas sobre o cabelo do outro).

- Não dá pra entender direito como eles pretendem derrotar o palhaço (começa com a noção de "lutar com luz", depois muda tudo e a estratégia passa a ser diminuir o palhaço de tamanho passando pelo túnel - e depois tudo muda de novo). O filme não está de fato tentando entreter, fazer o espectador se envolver no confronto, suspender a descrença, acreditar no vilão - tudo é pra ser visto de maneira simbólica - o foco todo está na mensagem de autoajuda, na metáfora dos "losers" lidando com seus traumas e inseguranças (representados pelo palhaço), então pouco importa pro cineasta se a situação na tela convence. Em vez de um confronto empolgante entre bem e mal, o filme acaba sendo mais sobre confortar os losers, celebrar os losers, discutir dramas pessoais, etc.

- SPOILER: Totalmente subjetivista a maneira como eles derrotam o vilão. Não é uma mensagem de fato inspiradora ou útil. Em vez de ensinar que pra superar inseguranças você tem que desenvolver sua autoestima, se tornar mais forte, que pra atingir um objetivo é necessário usar a razão, ser competente, o filme sugere que basta atacar o bully na mesma moeda - insultá-lo de volta e fazê-lo se sentir pequeno através de joguinhos emocionais.

- SPOILER: A frase final é bem emblemática: "Não se esqueçam, nós somos losers e sempre seremos" (dita em tom de orgulho). O filme reflete bem as tendências anti-virtude, anti-individualismo da cultura atual - a ênfase é toda no grupo, no trabalho em equipe, nas fragilidades do ser humano, etc.

It Chapter Two (Canadá, EUA / 2019 / Andy Muschietti)

NOTA: 5.0

domingo, 1 de setembro de 2019

Parasita

(Esta crítica está no formato de anotações - em vez de uma crítica convencional, os comentários a seguir foram baseados nas notas que fiz durante a sessão.)

ANOTAÇÕES:

- Como o filme foi o grande vencedor de Cannes, já imagino que a história será em grande parte Naturalista e motivada por uma ideologia de esquerda, mas pelo menos no começo, o filme tem elementos narrativos o bastante pra prender o espectador "normal": o ritmo é estimulante, a direção guia a atenção da plateia a todo momento, se comunica objetivamente, os personagens apesar de não serem admiráveis são divertidos pois são mostrados sob uma lente de humor (é pra rirmos deles e não sentirmos pena), a situação é envolvente pois o protagonista está mentindo no trabalho, o que gera certo suspense (a história é sobre uma situação incomum, tem um gancho narrativo, não é um retrato social monótono como de costume, etc).

- Em geral nesse tipo de filme os ricos são os vilões e os empregados são retratados como vítimas. Aqui o filme surpreende, pois deixa claro que o que os empregados estão fazendo é imoral. Ele também não vilaniza os patrões só por serem ricos. O grande problema é que o filme trata as atitudes dos empregados de maneira leve, como se fosse algo cômico, uma desonestidade perdoável, quando na verdade é algo odioso.

- A situação é um pouco artificial. Se os empregados fossem tão competentes assim a ponto de trabalharem pra uma família de padrão elevado e impressioná-los com seus serviços, será que eles seriam tão pobres de fato? Será que teriam que apelar pra algo tão desonesto e radical pra conseguirem trabalhar? Não conseguiriam um emprego honestamente? E se os ricos fossem tão ingênuos assim, sem o menor senso de julgamento, será que eles seriam ricos?

- O roteiro é criativo, bem escrito. A maneira como eles vão conseguindo se livrar dos antigos empregados é muito imaginativa (e revoltante). Ou pequenos toques como o filho estranhar que todos têm o mesmo cheiro (e colocar a mentira em risco).

- Vai ficando cada vez mais incômodo o fato do filme não condenar as atitudes dos empregados (a maldade que eles fazem com os outros funcionários, eles usufruindo da casa enquanto os patrões viajam, etc). O filme não responsabiliza totalmente os personagens pois parece acreditar que isso tudo é culpa do "sistema", da "desigualdade", e portanto eles não são pessoas tão condenáveis assim - a noção de que o pobre não tem opção a não ser agir imoralmente numa sociedade capitalista (a mãe sugere isso quando diz que, se fosse rica, ela seria uma boa pessoa também, assim como a patroa).

- SPOILER: Divertida a reviravolta envolvendo a antiga empregada e o marido dela no subsolo. E também os patrões resolverem voltar mais cedo de viagem. A situação vai ficando cada vez mais tensa e absurda.

- É genial a maneira como o filme cria a metáfora dos pobres como "parasitas". Claro que o filme não acredita que eles sejam parasitas de fato (é mais provável o diretor acreditar que os ricos é que são os parasitas), mas a narrativa sugere que os pobres se tornam parasitas ou acabam tendo que agir como parasitas na sociedade atual - se escondendo debaixo de móveis e se arrastando (literalmente) pelo chão feito baratas, ou mais tarde na cena da tempestade onde eles parecem ratos nadando em esgotos. Discordo totalmente da análise social que o filme faz, mas a maneira como ele apresenta o tema é inteligente.

- O senso de humilhação do pobre (por causa da desigualdade) também é muito bem retratado (as observações casuais do patrão sobre o cheiro do motorista, etc). Leva a discussão da desigualdade além da questão financeira, mais pra um lado pessoal.

- O filme deveria ser sobre o mal da desonestidade - nada disso teria acontecido se os protagonistas fossem honestos, minimamente decentes. Mas o filme quer fazer parecer que isso não é culpa deles totalmente, que o problema no fundo é a desigualdade. Começa a querer que a gente sinta pena deles, os veja como vítimas.

- A cena da tempestade parece não ter muita função na trama - só serve pra enfatizar como é difícil a vida do pobre, que tem que lidar com tragédias pessoais todo dia e ainda manter uma aparência civilizada no trabalho pra cuidar das futilidades dos ricos (o motorista tendo que se fantasiar de índio na festinha infantil, etc).

- SPOILER: Outra metáfora bem feita é a da pedra que simboliza a riqueza, a boa sorte, o desejo de se tornar rico - e como no final ela se torna uma arma, um instrumento para o mal. Também discordo da crítica (da ideia de que o capitalismo é um sistema perverso), mas acho válida a maneira como o filme faz uso do simbolismo.

- SPOILER: Claro que no fim isso tudo resultaria nos pobres se revoltando e assassinando os ricos (curioso que o que dispara o gatilho do pai no fim antes dele matar o patrão é o detalhe do cheiro - a desigualdade de autoestima, de valor próprio, e nem tanto econômica).

- SPOILER: Sintomático dos tempos atuais que, assim como Bacurau, este é mais um filme aclamado em Cannes que mostra uma vingança brutal dos "excluídos da sociedade" contra os ricos.

- Meio forçada essa ideia da mensagem via código morse (mas é interessante e simbólica a ideia do pai decidir viver escondido no subsolo da mansão).

CONCLUSÃO: Acho a discussão equivocada, as ideias do filme totalmente falsas, imorais - mas a maneira como ele desenvolve o tema é inteligente e rica cinematograficamente.

(Parasite / Coreia do Sul / 2019 / Bong Joon Ho)

NOTA: 7.5

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Outros filmes vistos - Agosto 2019

Brightburn - Filho das Trevas (2019) - 7.0

Era Uma Vez em... Hollywood (2019) - 4.5

Amanda (2018) - 4.0

Megarrromântico (2019) - 6.0

Histórias Assustadoras para Contar no Escuro (2019) - 5.5

Casal Improvável (2019) - 5.0

Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw (2019) - 4.0