Projeto Gemini (2019) - 6.0
Malévola: Dona do Mal (2019) - 4.0
El Camino: A Breaking Bad Film (2019) - 5.0
Morto Não Fala (2019) - 4.0
Predadores Assassinos (2019) - 1.0
quarta-feira, 9 de outubro de 2019
sexta-feira, 4 de outubro de 2019
Coringa
(Esta crítica está no formato de anotações - em vez de uma crítica convencional, os comentários a seguir foram baseados nas notas que fiz durante a sessão.)ANOTAÇÕES:
- A performance do Joaquin Phoenix é forte porém um pouco forçada já desde o início. O filme mal começa e ele já está rindo loucamente, chorando, fazendo caretas bizarras, sendo que ainda não temos nenhuma informação sobre o personagem, não sabemos quem ele é, por que ele é assim. A atuação deveria servir à história em primeiro lugar, se não corre o risco de virar exibicionismo (o fato dele já parecer insano e ameaçador desde a primeira imagem também enfraquece o arco do personagem, pois não há uma diferença tão grande entre o que ele é no começo e o que ele se torna no final).
- O personagem não parece ter nada a ver com o Coringa do Batman. É como se fosse um remake de Taxi Driver (sem muita autenticidade) onde simplesmente trocaram algumas páginas do roteiro, mudaram a profissão do protagonista pra palhaço e chamaram a cidade de Gotham.
- Pseudo-sofisticação: o filme acha que é mais artístico e profundo (que um filme tradicional do gênero) por ser Anti-Idealista. Em vez de um verdadeiro entretenimento, agora a franquia está flertando com o cinema Naturalista, transformou o Coringa num americano comum, pobre, que cuida da mãe idosa (não é mais um super-vilão - no Naturalismo nada pode ser "super"), quer discutir questões sociais, problemas psicológicos, fazer um estudo de personagem intimista em vez de criar um grande espetáculo (mais ou menos como Logan fez pra conseguir respeito da crítica). Sem falar na ênfase na feiúra do Joaquin Phoenix (quando um ator abre mão do ego e se mostra horrível em cena, é garantia de prêmios).
- Alerta Vermelho: o filme é anti-americano, anti-ricos... É como se a "América malvada" fosse a culpada pelos problemas do Coringa (e de todos os americanos "excluídos pela sociedade") por não ter lhe dado o sonho prometido. O Coringa se tornou a vítima, e os Wayne (ou seja, o Batman) é o grande vilão por representar os ricos. Há uma completa inversão de valores.
- O filme se torna moralmente condenável por querer justificar a maldade do Coringa e pedir pro espectador ter empatia por ele, torcer por ele. É possível criar um vilão forte, carismático, como Hannibal Lecter por exemplo, mas sem pedir que o espectador tenha pena, o veja como vítima.- O Coringa não tem o menor talento, a menor vocação pra ser comediante, e o culpado no fim não é ele, mas o capitalismo, o “sistema” - como se a América tivesse o dever de realizar os sonhos irracionais de todos os cidadãos (talvez o filme seja tão popular pois é muito mais agradável culpar o sistema por suas frustrações do que assumir responsabilidade).
- A capa do jornal diz "MATEM OS RICOS - Um novo movimento?" - parece até um comentário sobre o cinema de 2019, considerando que vários dos filmes mais aclamados do ano como Parasita, Bacurau, são justamente sobre matar os ricos.
- Não há uma boa trama, um bom enredo de fato. Em termos de narrativa o filme é apenas uma série de coisas ruins acontecendo ao Coringa pra mostrar como a vida é cruel com ele. O máximo de interesse narrativo que isso gera é o senso de que no final ele irá explodir e sair matando todo mundo. Mas isso só será um clímax satisfatório pro espectador que estiver torcendo pelo Coringa, simpatizando pelas queixas do personagem. Para os outros, não há algo de muito positivo a ser aguardado.
- A direção tenta glamourizar o Coringa, torná-lo cool... Não há problemas em tornar um vilão cool no contexto de um filme que claramente o condena moralmente (tipo Darth Vader, Alien, etc), onde o foco é o herói, os personagens "do bem", e o vilão é apenas algo ameaçador a ser derrotado. Mas aqui todo o foco é no mal. Não temos um herói pra nos apoiarmos, pra servir de contraponto. SPOILER: No final o Coringa termina em cima do carro sendo aplaudido, aclamado pela população, vitorioso, rindo ao som de uma música alegre. O filme acaba cultuando a violência, é feito pra "empoderar" o espectador revoltado, que também se sente um dos excluídos e deseja vingança.
Joker (Canadá, EUA / 2019 / Todd Phillips)
NOTA: 4.0
sábado, 28 de setembro de 2019
Outros filmes vistos - Setembro 2019
Ad Astra - Rumo às Estrelas (2019) - 5.0
Rambo: Até o Fim (2019) - 6.0
Os Jovens Baumann (2019) - 1.0
Midsommar: O Mal Não Espera a Noite (2019) - 6.5
O Menino que Descobriu o Vento (2019) - 7.0
Yesterday (2019) - 6.0
Rambo: Até o Fim (2019) - 6.0
Os Jovens Baumann (2019) - 1.0
Midsommar: O Mal Não Espera a Noite (2019) - 6.5
O Menino que Descobriu o Vento (2019) - 7.0
Yesterday (2019) - 6.0
domingo, 8 de setembro de 2019
It: Capítulo Dois
(Esta crítica está no formato de anotações - em vez de uma crítica convencional, os comentários a seguir foram baseados nas notas que fiz durante a sessão.)
ANOTAÇÕES:
- O filme começa muito bem: a produção é ótima, a primeira aparição do palhaço após o ataque homofóbico é bem sinistra, a apresentação dos personagens adultos é interessante (os atores são bons e há umas transições visuais bem legais entre as cenas), o filme vai construindo tensão conforme os personagens vão recebendo as ligações de Derry, etc.
- Logo em que todos se reunem (a cena estranha dos biscoitos da sorte) o filme já começa a apresentar alguns problemas de tom. O humor na cena em que o garotinho reconhece o comediante no restaurante é bem inadequado (todos ainda deveriam estar choque após o que viram).
- Meio nada a ver essa história de usar alucinógenos e rituais tribais pra derrotar o palhaço. Não fica clara qual a conexão entre uma coisa e outra.
- Meio bobo eles terem que encontrar artefatos do passado pro ritual funcionar. Parece uma regra aleatória criada só pra encher linguiça até o confronto final (o filme agora vai ficar mostrando personagem por personagem indo atrás dos artefatos, vai mostrar dezenas de flashbacks, etc). Todo o segundo ato do filme acaba sendo meio arrastado, monótono, sem grandes evoluções na história.- Desnecessária a cena da estátua do lenhador. Essas sequências de terror em flashbacks parecem gratuitas, não acrescentam muito em conteúdo e nem ajudam a avançar a história (e não criam tensão afinal são apenas lembranças, os personagens não estão de fato em perigo).
- Mais problemas de tom: em vez de assustadora, a velhinha acaba parecendo cômica na cena em que a Beverly vai até a antiga casa dela. As cenas de terror do filme em geral parecem forçadas, apelam demais pra artificialidades, pra efeitos, caretas, como se a cada cena o filme precisasse mostrar uma técnica nova e esquisita pra assustar, esquecendo que em geral a simplicidade e a sugestão impactam mais.
- Idealismo Corrompido: Assim como no primeiro, o uso de humor é destrutivo e compromete muitas das cenas (por exemplo, tocar "Angel of the Morning" enquanto o monstro vomita na cara do Eddie, ou depois quando um deles leva uma facada na bochecha e depois ainda fica fazendo piadinhas sobre o cabelo do outro).
- Não dá pra entender direito como eles pretendem derrotar o palhaço (começa com a noção de "lutar com luz", depois muda tudo e a estratégia passa a ser diminuir o palhaço de tamanho passando pelo túnel - e depois tudo muda de novo). O filme não está de fato tentando entreter, fazer o espectador se envolver no confronto, suspender a descrença, acreditar no vilão - tudo é pra ser visto de maneira simbólica - o foco todo está na mensagem de autoajuda, na metáfora dos "losers" lidando com seus traumas e inseguranças (representados pelo palhaço), então pouco importa pro cineasta se a situação na tela convence. Em vez de um confronto empolgante entre bem e mal, o filme acaba sendo mais sobre confortar os losers, celebrar os losers, discutir dramas pessoais, etc.
- SPOILER: Totalmente subjetivista a maneira como eles derrotam o vilão. Não é uma mensagem de fato inspiradora ou útil. Em vez de ensinar que pra superar inseguranças você tem que desenvolver sua autoestima, se tornar mais forte, que pra atingir um objetivo é necessário usar a razão, ser competente, o filme sugere que basta atacar o bully na mesma moeda - insultá-lo de volta e fazê-lo se sentir pequeno através de joguinhos emocionais.
- SPOILER: A frase final é bem emblemática: "Não se esqueçam, nós somos losers e sempre seremos" (dita em tom de orgulho). O filme reflete bem as tendências anti-virtude, anti-individualismo da cultura atual - a ênfase é toda no grupo, no trabalho em equipe, nas fragilidades do ser humano, etc.
It Chapter Two (Canadá, EUA / 2019 / Andy Muschietti)
NOTA: 5.0
domingo, 1 de setembro de 2019
Parasita
(Esta crítica está no formato de anotações - em vez de uma crítica convencional, os comentários a seguir foram baseados nas notas que fiz durante a sessão.)ANOTAÇÕES:
- Como o filme foi o grande vencedor de Cannes, já imagino que a história será em grande parte Naturalista e motivada por uma ideologia de esquerda, mas pelo menos no começo, o filme tem elementos narrativos o bastante pra prender o espectador "normal": o ritmo é estimulante, a direção guia a atenção da plateia a todo momento, se comunica objetivamente, os personagens apesar de não serem admiráveis são divertidos pois são mostrados sob uma lente de humor (é pra rirmos deles e não sentirmos pena), a situação é envolvente pois o protagonista está mentindo no trabalho, o que gera certo suspense (a história é sobre uma situação incomum, tem um gancho narrativo, não é um retrato social monótono como de costume, etc).
- Em geral nesse tipo de filme os ricos são os vilões e os empregados são retratados como vítimas. Aqui o filme surpreende, pois deixa claro que o que os empregados estão fazendo é imoral. Ele também não vilaniza os patrões só por serem ricos. O grande problema é que o filme trata as atitudes dos empregados de maneira leve, como se fosse algo cômico, uma desonestidade perdoável, quando na verdade é algo odioso.
- A situação é um pouco artificial. Se os empregados fossem tão competentes assim a ponto de trabalharem pra uma família de padrão elevado e impressioná-los com seus serviços, será que eles seriam tão pobres de fato? Será que teriam que apelar pra algo tão desonesto e radical pra conseguirem trabalhar? Não conseguiriam um emprego honestamente? E se os ricos fossem tão ingênuos assim, sem o menor senso de julgamento, será que eles seriam ricos?- O roteiro é criativo, bem escrito. A maneira como eles vão conseguindo se livrar dos antigos empregados é muito imaginativa (e revoltante). Ou pequenos toques como o filho estranhar que todos têm o mesmo cheiro (e colocar a mentira em risco).
- Vai ficando cada vez mais incômodo o fato do filme não condenar as atitudes dos empregados (a maldade que eles fazem com os outros funcionários, eles usufruindo da casa enquanto os patrões viajam, etc). O filme não responsabiliza totalmente os personagens pois parece acreditar que isso tudo é culpa do "sistema", da "desigualdade", e portanto eles não são pessoas tão condenáveis assim - a noção de que o pobre não tem opção a não ser agir imoralmente numa sociedade capitalista (a mãe sugere isso quando diz que, se fosse rica, ela seria uma boa pessoa também, assim como a patroa).
- SPOILER: Divertida a reviravolta envolvendo a antiga empregada e o marido dela no subsolo. E também os patrões resolverem voltar mais cedo de viagem. A situação vai ficando cada vez mais tensa e absurda.
- É genial a maneira como o filme cria a metáfora dos pobres como "parasitas". Claro que o filme não acredita que eles sejam parasitas de fato (é mais provável o diretor acreditar que os ricos é que são os parasitas), mas a narrativa sugere que os pobres se tornam parasitas ou acabam tendo que agir como parasitas na sociedade atual - se escondendo debaixo de móveis e se arrastando (literalmente) pelo chão feito baratas, ou mais tarde na cena da tempestade onde eles parecem ratos nadando em esgotos. Discordo totalmente da análise social que o filme faz, mas a maneira como ele apresenta o tema é inteligente.
- O senso de humilhação do pobre (por causa da desigualdade) também é muito bem retratado (as observações casuais do patrão sobre o cheiro do motorista, etc). Leva a discussão da desigualdade além da questão financeira, mais pra um lado pessoal.
- O filme deveria ser sobre o mal da desonestidade - nada disso teria acontecido se os protagonistas fossem honestos, minimamente decentes. Mas o filme quer fazer parecer que isso não é culpa deles totalmente, que o problema no fundo é a desigualdade. Começa a querer que a gente sinta pena deles, os veja como vítimas.
- A cena da tempestade parece não ter muita função na trama - só serve pra enfatizar como é difícil a vida do pobre, que tem que lidar com tragédias pessoais todo dia e ainda manter uma aparência civilizada no trabalho pra cuidar das futilidades dos ricos (o motorista tendo que se fantasiar de índio na festinha infantil, etc).
- SPOILER: Outra metáfora bem feita é a da pedra que simboliza a riqueza, a boa sorte, o desejo de se tornar rico - e como no final ela se torna uma arma, um instrumento para o mal. Também discordo da crítica (da ideia de que o capitalismo é um sistema perverso), mas acho válida a maneira como o filme faz uso do simbolismo.
- SPOILER: Claro que no fim isso tudo resultaria nos pobres se revoltando e assassinando os ricos (curioso que o que dispara o gatilho do pai no fim antes dele matar o patrão é o detalhe do cheiro - a desigualdade de autoestima, de valor próprio, e nem tanto econômica).
- SPOILER: Sintomático dos tempos atuais que, assim como Bacurau, este é mais um filme aclamado em Cannes que mostra uma vingança brutal dos "excluídos da sociedade" contra os ricos.
- Meio forçada essa ideia da mensagem via código morse (mas é interessante e simbólica a ideia do pai decidir viver escondido no subsolo da mansão).
CONCLUSÃO: Acho a discussão equivocada, as ideias do filme totalmente falsas, imorais - mas a maneira como ele desenvolve o tema é inteligente e rica cinematograficamente.
(Parasite / Coreia do Sul / 2019 / Bong Joon Ho)
NOTA: 7.5
quinta-feira, 29 de agosto de 2019
Outros filmes vistos - Agosto 2019
Brightburn - Filho das Trevas (2019) - 7.0
Era Uma Vez em... Hollywood (2019) - 4.5
Amanda (2018) - 4.0
Megarrromântico (2019) - 6.0
Histórias Assustadoras para Contar no Escuro (2019) - 5.5
Casal Improvável (2019) - 5.0
Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw (2019) - 4.0
Era Uma Vez em... Hollywood (2019) - 4.5
Amanda (2018) - 4.0
Megarrromântico (2019) - 6.0
Histórias Assustadoras para Contar no Escuro (2019) - 5.5
Casal Improvável (2019) - 5.0
Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw (2019) - 4.0
domingo, 25 de agosto de 2019
Bacurau
(Esta crítica está no formato de anotações - em vez de uma crítica convencional, os comentários a seguir foram baseados nas notas que fiz durante a sessão.)ANOTAÇÕES:
- Há vários elementos surreais ou incompreensíveis (por exemplo o filme começar com imagens do espaço, a água saindo do caixão, a droga que as pessoas colocam na língua, etc). São aqueles toques de Subjetivismo usados pra dar um ar de "autoral" pro filme (o espectador comum costuma dar mais mérito artístico pra uma obra quando ele sente que não está entendendo direito) mas que no fim não significam nada.
- Não há protagonistas, personagens atraentes. O filme parte do princípio do Naturalismo de que a função da arte é dar visibilidade aos mais fracos, ao comum, ao não-excepcional: celebra a idosa negra e pobre da comunidade, a cidadezinha do interior que mal existe no mapa, o Nordeste "esquecido", etc. O protagonista no fim é a cidade de Bacurau como um todo (refletindo os valores coletivistas da obra).

- Depois de 1 hora sem muito rumo, o filme começa a apresentar os vilões (os americanos e os "brasileiros do Sul") e a deixar mais claro seu objetivo, que no fim é demonizar os ricos, os capitalistas, os poderosos estupradores e assassinos que querem acabar com Bacurau sem razão alguma (Alerta Vermelho). O filme nem se esforça pra dar uma motivação plausível para os vilões. São caricaturas exageradas e artificiais que agem por pura loucura e maldade, e que estão na história apenas como um boneco de Judas pra estimular a ira do espectador e provocar um desejo de vingança.
- SPOILER: Desse ponto em diante, é apenas aguardar Bacurau mostrar seus dentes e os moradores se vingarem dos assassinos, provando que eles são ainda mais selvagens e violentos que os próprios "opressores" (o filme acaba soando como um alerta da esquerda para o mundo: "não mexam com a gente pois vocês não sabem do que somos capazes!").
- O filme faz referências a certos gêneros cinematográficos (horror, ficção-científica, western) mas no fim ele não é nada disso (não está de fato interessado em narrativa, escapismo), é apenas uma manifestação política disfarçada de filme - feita pela esquerda, para a esquerda, bem realizada em alguns aspectos, mas que não diz nada de construtivo, não busca explicar nada, ensinar nada, convencer ninguém de nada, serve apenas como um descarrego de ódio para a plateia.
Bacurau (Brasil / 2019 / Juliano Dornelles, Kleber Mendonça Filho)
NOTA: 3.0
segunda-feira, 19 de agosto de 2019
Ayn Rand vs. a infiltração Comunista em Hollywood
Em 1944, grandes nomes de Hollywood como Walt Disney, Gary Cooper, Cecil B. DeMille, John Ford, Clark Gable, Barbara Stanwyck, Ronald Reagan, John Wayne e Ayn Rand formaram a Motion Picture Alliance for the Preservation of American Ideals (MPA), uma organização que buscava promover ideais americanos e defender a indústria do cinema contra infiltração comunista e fascista.O panfleto abaixo foi escrito pela Ayn Rand, e era basicamente um guia para produtores e cineastas de como evitar propaganda comunista em seus filmes. A preocupação de Rand não era filmes políticos que defendessem comunismo abertamente, mas algo que ela considerava mais perigoso - propaganda comunista inserida de maneira disfarçada em filmes populares:
"O propósito dos Comunistas em Hollywood não é a produção de filmes políticos defendendo Comunismo abertamente. O propósito deles é corromper nossos princípios morais corrompendo filmes não-políticos - introduzindo toques pequenos e casuais de propaganda em histórias inocentes - fazendo as pessoas absorverem os princípios básicos do Coletivismo por implicação e por vias indiretas."
Leia o guia completo:
terça-feira, 30 de julho de 2019
Outros filmes vistos - Julho 2019
Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal (2019) - 7.0
Velvet Buzzsaw (2019) - 4.0
Escape Room (2019) - 3.0
Em Trânsito (2018) - 4.0
Fora de Série (2019) - 7.0
Estrada Sem Lei (2019) - 5.0
Divino Amor (2019) - 2.0
Vox Lux: O Preço da Fama (2018) - 4.0
sexta-feira, 26 de julho de 2019
O que é Idealismo
(Capítulo 2 do livro Idealismo: Os Princípios Esquecidos do Cinema Americano)
Alfred Hitchcock, sem saber, fez um ótimo resumo do que é o Idealismo quando disse: “Para mim, o cinema não é uma fatia da vida, mas uma fatia de bolo”.
Como escritor, me sinto naturalmente no dever de buscar a definição mais econômica e eficiente para um novo conceito — uma frase simples que tenha a elegância de uma fórmula matemática. Mas quando estamos falando de algo tão complexo como arte — e um estilo específico de arte que está associado a inúmeras premissas filosóficas —, um pouco mais que uma frase é necessário.Primeiramente, Idealismo é o tipo de arte que parte do princípio de que o propósito da vida é a felicidade e o seu próprio aproveitamento. É uma arte focada em proporcionar uma experiência prazerosa e inspiradora ao espectador, baseada na visão original de um artista que, fazendo o melhor uso de suas virtudes e talentos, cria essa experiência de acordo com seus próprios valores e interesses (com base naquilo que ele gostaria de vivenciar enquanto espectador).
Por se tratar de arte, a obra deve ser a expressão autêntica da visão criativa de um artista (ou às vezes de uma colaboração entre artistas), mas, para ser Idealista, ela deve ser criada com o intuito de proporcionar essa experiência inspiradora e prazerosa ao espectador — levá-lo às emoções e aos estados de consciência mais elevados e interessantes possíveis dentro do contexto de cada obra (como ela fará isso é algo que discutirei em capítulos futuros, o importante aqui é apenas entender a intenção inicial do artista, qual é sua visão sobre o propósito da arte e seu valor para o ser humano).
O Idealismo defende que há muito que podemos experimentar na vida enquanto seres conscientes além daquilo que encontramos naturalmente no nosso dia a dia — e o artista Idealista é aquele que, através de sua imaginação, enxerga essas possibilidades e as materializa numa obra para o deleite do espectador. O Idealismo busca inspiração, motivação, prazer, mostrando o quão extraordinária e interessante a vida pode ser.
Quanto mais a obra for um produto enlatado e inautêntico visando apenas lucrar e agradar ao público, menos artística ela será, e com isso sua capacidade de inspirar será limitada. Em muitos casos, obras que não são autorais ainda podem divertir e ter boas qualidades artísticas. Mas as melhores delas geralmente estão seguindo a visão de um produtor talentoso, alguém num cargo mais alto na hierarquia de produção, que acaba sendo o principal visionário por trás da obra — como no caso de filmes da era do sistema de estúdios de Hollywood. Sim, Casablanca (1942) será sempre fantástico e está alinhado com princípios Idealistas, mesmo não sendo considerado um filme autoral. Meu argumento é que, caso ele estivesse associado à expressão autêntica de um artista particular, ele poderia ter um poder ainda maior de impactar o espectador, pois realizações individuais sempre nos inspiram mais do que realizações coletivas sem um rosto específico por trás delas.
OS 2 TIPOS DE ESPECTADORES
Na plateia, existem duas espécies distintas de espectadores que precisam ser diferenciadas para os propósitos deste livro: aqueles que enxergam a arte como uma fonte de inspiração (que se sentem estimulados diante da projeção de valores positivos; diante de beleza, virtude, felicidade — diante da visão do ideal) e aqueles que buscam na arte primeiramente um conforto, um remédio contra as frustrações da vida, e que se sentem desmotivados pela visão do ideal. O Idealismo tem o primeiro grupo como seu público-alvo.
O espectador Idealista não é necessariamente bom caráter, nem necessariamente mais feliz e virtuoso em sua vida real. O Idealismo reflete os ideais de uma pessoa, sua visão de mundo, daquilo que ela acha ser a verdadeira essência da vida e do ser humano. Uma pessoa pode ter uma série de defeitos e problemas pessoais, mas se ela ainda preservar essa visão positiva do que a vida poderia ser, ela continuará tendo gosto pelo Idealismo. Então, embora eu possa insinuar que os Idealistas têm uma visão de mundo superior, não estou dizendo que os considero automaticamente pessoas melhores, ou que preferências artísticas são uma prova definitiva de caráter.
IDEALISMO EM RELAÇÃO A QUÊ?
Reparem que existem duas formas pelas quais uma obra pode ser Idealista. Ela pode ser Idealista apenas no conteúdo (uma positividade geral transmitida pela história, pelo tema, pelos personagens), mas o mais importante não é esse tipo de Idealismo, afinal uma obra pode ter uma visão positiva de mundo, passar uma mensagem otimista, mas ainda assim ser uma experiência tediosa para o espectador.
Embora o conteúdo seja relevante, o mais importante é o Idealismo em relação à experiência que a obra pretende proporcionar ao espectador — quanto ao nível de prazer/satisfação/exaltação que o artista consegue estimular com suas técnicas. É por isso que uma obra pode ser Idealista mesmo tendo um conteúdo sombrio. O que mais importa no fim não é tanto a mensagem explícita, e sim como isso é apresentado, que estados de consciência a obra consegue gerar no espectador. É claro que obras com temas deprimentes e seres humanos decadentes dificilmente conseguem inspirar tanto quanto obras focadas em valores positivos, em heróis, conquistas — essas são as mais puramente Idealistas —, mas, dentro de certos limites, obras menos otimistas também podem ser consideradas Idealistas.
Por isso costumo separar os Idealistas em dois grupos: os Idealistas puros, aqueles que focam os positivos da vida, e os Idealistas críticos, aqueles que mostram situações negativas, personagens corruptos, mas num tom de crítica e condenação. O primeiro tipo está num degrau acima e é o mais perfeitamente Idealista, tendo como um de seus melhores representantes no cinema Steven Spielberg (especialmente em suas duas primeiras décadas de carreira). O segundo tipo ainda é Idealista, e é bem representado no cinema por Stanley Kubrick. Embora esse tipo de artista mostre personagens moralmente decadentes, situações indesejáveis, ainda existe um senso de que seus valores de referência são os mesmos dos Idealistas “puros” — é deste ângulo que a crítica aos personagens está sendo feita. Eles ainda passam uma mensagem de que o homem deveria ser virtuoso, que a vida poderia ser positiva, só que em vez de mostrarem a felicidade sendo conquistada, eles preferem alertar o espectador mostrando o que ocorre quando o ser humano não age racionalmente, quando ele não é virtuoso. O primeiro tipo celebra o positivo, e o segundo condena o negativo, mas ambos podem ter resultados positivos, assim como na matemática temos resultados positivos quando multiplicamos dois números com os mesmos sinais, mesmo quando se trata de dois sinais negativos.
Por valorizar tanto expressão individual, talento, autenticidade, quanto a experiência e o prazer do espectador, o Idealismo representa a união ideal entre arte e entretenimento, e é o caminho natural tanto para artistas com uma inclinação mais autoral, mas que desejam também agradar ao público, quanto para artistas mais inclinados ao entretenimento, mas que desejam também trazer autenticidade e qualidade artística a suas produções (quando as duas intenções não estão naturalmente equilibradas).
O Idealismo é baseado em princípios amplos que podem ser aplicados a todas as formas de arte. Algumas artes, no entanto, são mais expressivas e mais poderosas que outras quando se trata de Idealismo. A escultura, por exemplo, embora possa exigir grandes habilidades do artista e possa projetar valores positivos, não tem tanta capacidade de proporcionar uma “experiência ideal” ao espectador quanto o cinema. Nesse sentido, as artes que envolvem uma experiência temporal definida (música, teatro, filmes etc.) têm uma grande vantagem sobre as artes estáticas, pois permitem um controle muito maior do artista sobre a experiência do público. Além disso, as artes que unem elementos narrativos (que comunicam conteúdo verbal, explícito, estimulam o intelecto) a elementos sensoriais (que estimulam nossos sentidos, principalmente a visão e a audição) apresentam mais possibilidades e podem criar experiências mais intensas do que as artes que são apenas verbais/intelectuais (como a literatura) ou apenas sensoriais (como a música instrumental), pois recriam a realidade de uma maneira mais completa e fazem um uso mais pleno e integrado de nossas capacidades mentais (por isso o cinema é uma das artes mais expressivas e equipadas para os fins do Idealismo, especialmente quando aliado ao poder da música).
O Idealismo pode ser visto antes de mais nada como uma atitude, um desejo básico de inspirar, dar prazer e encantar que orienta as decisões de um artista, e que pode ser observado não só nas artes mas também em outras criações que incluem elementos artísticos. Alguém como Walt Disney, por exemplo, ao construir suas atrações e parques temáticos, estava representando muito melhor o Idealismo (e na minha opinião criando uma arte altamente sofisticada) do que um cineasta ou um escritor comprometido com o Naturalismo.
OBJEÇÕES
Uma das objeções mais comuns ao Idealismo é que esse tipo de arte pode criar expectativas muito altas com relação à vida, e com isso causar frustrações e danos psicológicos no espectador. Esse tipo de crítica costuma vir de pessoas que têm uma visão equivocada da função da arte em nossas vidas. A função da arte não é primeiramente a de nos mostrar como devemos viver no dia a dia. Ela não deve ser encarada como um guia prático. A mente humana tem potencial para atingir níveis incrivelmente elevados de prazer e satisfação, e um dos grandes atrativos da arte é sua capacidade de nos levar a esses estados, raramente disponíveis sem o seu auxílio. Traçando um paralelo, o sexo pode proporcionar prazeres físicos que são inatingíveis no resto de nossas rotinas, e ainda assim é algo visto como importante e saudável pela maioria das pessoas. Ninguém faz sexo (acho eu) limitando suas possibilidades de prazer, por achar que uma experiência prazerosa demais prejudicaria o resto de sua vida, tornaria o resto dos dias frustrantes e insatisfatórios. Arte é o sexo da mente, um momento de celebração, uma experiência que tem um fim em si mesmo (o encontro do prazer do artista, de se expressar e criar uma determinada experiência, com o prazer do espectador de receber e vivenciar essa experiência). Arte não deve ser uma simulação equilibrada dos estados de consciência que são apropriados à vida cotidiana, da mesma forma que Hitchcock não diria que você deveria comer bolo no café da manhã, no almoço e no jantar.
Mesmo que a arte possa servir de referência e possa criar certas expectativas em relação à vida real, o espectador não precisa que ela seja realista e didática para se sentir inspirado e extrair alguma mensagem útil dela. Com a exceção talvez de crianças muito pequenas, todo mundo sabe que arte não é vida real e não deve ser interpretada dessa forma; que na arte as coisas são mostradas de maneira exagerada, estilizada, e que o que tiramos dela é apenas uma mensagem abstrata — não devemos levá-la ao pé da letra. Se você se sente inspirado ao ver o Superman no cinema, o que você deve tirar da história é no máximo um exemplo de força, confiança, charme, integridade, que talvez possa te inspirar a melhorar seu caráter na sua vida pessoal. Mas se alguém se lamentar de não poder pegar uma capa vermelha e saltar pela janela, o problema é muito mais da pessoa do que da arte. Arte não é como religião, que afirma que o sobrenatural é real e possível. Arte é assumidamente um “faz de conta”, uma atividade cujo propósito até uma criança de quatro anos entende sem precisar de maiores explicações. Pessoas que nutrem expectativas irracionais a respeito da vida e delas próprias terão problemas psicológicos mesmo sem a “ajuda” da arte Idealista. Uma pessoa que não lida bem com suas limitações irá sofrer até pela existência de pessoas mais virtuosas que ela em seu grupo de amigos, em seu trabalho, nas redes sociais. Ela se sentirá miserável mesmo sem a referência do Superman. Já uma pessoa bem-resolvida, mesmo que não tenha grandes virtudes, poderá se divertir com heróis e até se sentir inspirada por eles sem que a experiência lhe cause qualquer dano. Não é o Idealismo que torna algumas pessoas inseguras e frustradas, e sim problemas emocionais que elas já carregam dentro de si.
Esse é apenas o começo de uma definição do que é o Idealismo. Mas ser uma criação artística focada em inspirar e dar prazer ao espectador ainda é algo muito vago, que pode ser interpretado de diversas formas. Para entender quais são os elementos essenciais do Idealismo, e de que maneiras específicas ele irá proporcionar essa experiência, teremos que entrar em mais detalhes.
Lista de filmes alinhados com princípios Idealistas:
https://boxd.it/teB3G
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