domingo, 20 de junho de 2021
Luca
sexta-feira, 18 de junho de 2021
Em um Bairro de Nova York
Versão para o cinema do musical de Lin-Manuel Miranda (criador de Hamilton) sobre imigrantes latinos vivendo em Nova York. Já tinha visto no teatro e achado um derivado fraco de West Side Story, e o filme não mudou essa impressão.
- Também não há um senso de unidade, de integração entre tema/música/cenário/conceito nas sequências musicais. Quando lembramos de Cantando na Chuva, por exemplo, é fácil lembrar qual era a música que Gene Kelly cantava na cena da chuva, que objeto ele carregava em suas mãos, e podemos até lembrar de alguns de seus passos de dança, pois tudo era integrado ao redor de um tema simples e memorável. Aqui, apenas um ou outro momento busca esse tipo de unidade (há um pouco disso em "Carnaval del Barrio") mas em geral é tudo bem aleatório e bagunçado.. A cena na piscina pública é sobre ganhar na loteria, a cena onde os personagens dançam na lateral do prédio não tem nada a ver com desafiar a gravidade, a cena da avó no metrô não tem nada a ver com metrô... O autor parece pensar: "desde que sejam latinos em locações de Nova York, está valendo."Mare of Easttown
Série policial da HBO com Kate Winslet no papel principal. A maioria das séries eu abandono logo no primeiro episódio, e essa quase não passou nesse meu primeiro "teste", mas minha curiosidade em relação à trama e ao mistério de assassinato estilo whodunit me fez seguir em frente. Minha resistência inicial surgiu por conta do tom excessivamente pesado da história (queixa que tive também em relação a Sharp Objects) — Kate Winslet está bastante desglamourizada, interpreta uma mulher quebrada emocionalmente, que raramente sorri, a série tem uma atmosfera nublada, tudo é meio marrom, em escalas menores, os relacionamentos são todos conflituosos, etc. Mas apesar disso, fica sempre a sensação de que a história está caminhando para algo melhor, que seu objetivo no fundo é mostrar uma evolução da protagonista (não apenas ficar remoendo suas tragédias), e surpreender o espectador com reviravoltas e revelações cuidadosamente plantadas ao longo dos 7 episódios — e nesse sentido, a série cumpre sua promessa. Algumas subtramas me pareceram jogadas ali só pra preencher o tempo (como o romance da filha de Mare, ou o sumiço de 2 garotas que consome boa parte dos episódios mas não contribui muito para a investigação central), mas de forma geral, é uma série bem escrita, inteligente, com personagens ricos, ótimas atuações (além de Kate, a amiga dela interpretada por Julianne Nicholson tem um arco espetacular), e principalmente, uma trama instigante com 3 excelentes episódios finais.
terça-feira, 15 de junho de 2021
Juntos Novamente
Curta-metragem da Disney que foi exibido junto com Raya e o Último Dragão nos cinemas. Visualmente é um trabalho incrível, mas pra mim é um daqueles "anti-musicais" estilo La La Land que fazem referências a musicais clássicos apenas pra manchar o gênero com o espírito tedioso dos tempos atuais. Além da visão negativa da velhice (a ideia de que pessoas mais velhas são sempre inativas, sem propósito, e suas únicas alegrias só podem vir de lembranças do passado) o que mais me incomodou no filme foi sua atitude em relação à felicidade (simbolizada pela dança e pela música). Nos bons clássicos do gênero, um número musical surge normalmente como consequência de alguma conquista, alguma emoção que, de tão intensa, não pode ser contida dentro dos personagens, e por isso precisa ser manifestada musicalmente. Por exemplo: em Cantando na Chuva, a cena famosa de Gene Kelly na chuva ocorre logo após ele e seus parceiros terem uma ideia brilhante para um filme que estão gravando — uma solução criativa que poderá salvá-los de um grande fracasso. Nesse momento, o futuro é promissor para o protagonista: seu sucesso profissional parece certo, ele encontrou um novo amor, e é com base nesse entusiasmo que Gene começa a cantar e a dançar. Essa abordagem reflete a noção de que a felicidade é uma consequência da conquista de valores importantes no mundo real, e reforça a ideia de que nossos objetivos podem ser atingidos, que dificuldades podem ser superadas com atitudes inteligentes, etc. Contraste isso com o que acontece em Juntos Novamente... Aqui, o protagonista é um senhor rabugento, infeliz (sem um motivo claro) e que não tem nenhum motivo específico para se alegrar também. Ele apenas "decide" ser feliz de um minuto para o outro, pois percebe que sua infelicidade deixa sua esposa mal. Ou seja, "felicidade" é apenas um pequeno teatro que ele está disposto a criar por consideração a ela, o que não convence o público, e acaba transmitindo a ideia de que felicidade é uma ilusão. Ele também recebe a ajuda de uma chuva mágica que faz com que ele seja jovem de novo, reforçando a noção de que idade é sinônimo de tristeza. Esse artifício cria também uma associação estranha entre chuva (um símbolo de mau tempo) a alegria. Em Cantando na Chuva, Gene Kelly dança apesar da chuva... É como se ele estivesse tão feliz que nem a chuva conseguisse estragar seu entusiasmo. Aqui, já há a sugestão de que a felicidade é estimulada pela chuva e até depende da chuva em partes (não entendi exatamente a mensagem por trás disso, mas é o tipo de inconsistência que não me surpreende no cinema atual). SPOILER: No fim, a chuva vai embora, e o personagem percebe que não poderá sustentar aquele nível elevado de felicidade o tempo todo — afinal, ele não é mais jovem. O filme termina com eles num estado mais moderado de contentamento que, na visão dos autores, parece ser o máximo que o entretenimento tem o direito de inspirar no público. Fica aí mais uma ilustração para o fenômeno do Idealismo Corrompido.
Us Again / 2021 / Zach Parrish
terça-feira, 8 de junho de 2021
Bo Burnham: Inside
Especial totalmente criado e filmado por Bo Burnham, que basicamente é uma sequência aleatória de sketches e canções metalinguísticas e paradoxais que ele foi gravando em casa ao longo da pandemia, e que exploram seus dilemas na criação do próprio especial, questões de saúde mental, e suas observações cínicas a respeito da sociedade moderna (ele não tem nada de muito sólido a dizer, mas acho que fazer referências a coisas como Instagram e Jeff Bezos em tom sarcástico já é o suficiente para alguns). Pessoalmente acho a atitude de Burnham um tanto irritante (toda a tentativa de conciliar sua egolatria com seu "white guilt" — o desejo de parecer genial, demonstrar todos os seus talentos, brigando com a crença de que é um pecado ter autoestima ou parecer superior em qualquer coisa). Sua criatividade é inegável, mas acaba sendo um exercício vazio, um exemplo do que acontece com pessoas altamente capazes quando desprovidas de ideais e propósitos positivos (tenho certeza que Burnham não desenvolveu todas as suas habilidades como músico, videomaker, escritor e intérprete ao longo da vida pensando que no fim elas serviriam apenas como instrumento para auto-ridicularização). Há instantes engraçados e coisas a serem apreciadas na execução do projeto, mas pra mim é incômodo ver alguém usando seus talentos dessa forma — a sensação foi mais ou menos a de assistir um milionário queimando seu dinheiro e usando-o como papel higiênico em frente às câmeras na tentativa de amenizar sua culpa e ganhar a simpatia do público.
domingo, 6 de junho de 2021
Invocação do Mal 3: A Ordem Do Demônio
Assim como os outros 2, achei muito bem produzido e caprichado visualmente. Senti um pouco a falta da direção de James Wan, que garantiu sustos melhores e set pieces mais memoráveis aos filmes anteriores... A premissa aqui é interessante, e gostaria até que eles tivessem explorado melhor a parte toda do julgamento de Arne, que acaba ficando em segundo plano. Uma das limitações da franquia (e que aqui ficou mais evidente), é que os protagonistas sempre parecem um pouco distantes e unidimensionais, o que enfraquece a história. Não são pessoas reais com as quais podemos nos identificar — em partes pelo fato deles serem investigadores paranormais, figuras muito distantes da nossa realidade (a graça de filmes de terror muitas vezes está no fato de eventos extraordinários estarem acontecendo a pessoas comuns, que jamais esperariam aquilo), mas em partes pela ausência de toques de caracterização que os tornem mais palpáveis... Acho importante o uso de arquétipos em filmes, mas é sempre necessário acrescentar algumas peculiaridades e traços de caráter marcantes a esses arquétipos para torná-los indivíduos convincentes, carismáticos (como o fato de Indiana Jones ter medo de cobras), se não, nunca sentimos que conhecemos realmente os personagens, que temos uma relação próxima com eles (um caso mais claro disso seria a própria vilã do filme, que parece mais um boneco de trem-fantasma do que um personagem de fato). Ainda assim, acho que o filme mantém a série respeitável, enquanto A Maldição da Chorona (do mesmo diretor) e alguns dos outros spin-offs lutam pra chegar no mesmo padrão.
Invocação do Mal 3: A Ordem Do Demônio (The Conjuring: The Devil Made Me Do It / 2021)
PRA QUEM GOSTOU DE: Invocação do Mal 1 e 2 / Sobrenatural 1 e 2 / Annabelle (2014) / Ouija: Origem do Mal (2016)
sexta-feira, 28 de maio de 2021
Maio 2021
Não superei totalmente o fato de que estava vendo um filme da Disney situado na Londres dos anos 60, cheio de referências à contracultura, com músicas de The Doors, David Bowie, Nina Simone na trilha, e que pede para simpatizarmos com uma vilã/anti-heroína moralmente ambivalente, motivada em partes pelo desejo de "destronar" os ricos e poderosos — o que me fez ver Cruella como uma espécie de Coringa (2019) para um público mais familiar. Mas tirando esse estranhamento, o filme é surpreendentemente bem feito, não só em termos de produção — o roteiro também me pareceu bastante inteligente, bem construído, e Emma Stone e Emma Thompson formam uma dupla memorável de rivais. PRA QUEM GOSTOU DE: Malévola (2014) / O Diabo Veste Prada (2006) / Coringa (2019)
Bastante satisfatório pra quem entra no cinema sabendo o que vai consumir. As lutas são muito bem coreografadas, os efeitos especiais são divertidos (gostei particularmente dos poderes do Sub-Zero), e embora parte da graça dependa da nostalgia e de você pegar as referências ao jogo, a história estabelece bem suas regras e cria um conflito claro entre bem e mal que faz com que ela funcione até pra quem está no meu nível de expertise e memória — que é aquele onde você já não sabe direito se Kung Lao e Chun Li pertencem ao mesmo jogo. PRA QUEM GOSTOU DE: Power Rangers (2017) / G.I. Joe: Retaliação (2013)
Aqueles Que Me Desejam a Morte (Those Who Wish Me Dead / 2021): 6.0
Angelina Jolie faz uma bombeira que vigia queimadas florestais e passa a proteger um garoto sendo perseguido por dois assassinos. O filme é uma espécie de neo-western com um pé em filme-catástrofe dos anos 90, e tenta resgatar um estilo mais tradicional de thriller. O roteiro tem algumas coisas meio bagunçadas — em vez de focar na Angelina e no garoto, o filme dá ênfase a alguns personagens secundários e eventos que às vezes parecem até mais dramáticos que a própria história central; como se o drama da Angelina fosse o mais fraco entre tudo o que está ocorrendo, o que enfraquece a trama e especialmente o clímax. Há também a tentativa de dar um tom mítico e profundo pra história que não é justificado pelo conteúdo real do filme (os personagens e conflitos são bem superficiais), e isso deixa a produção parecendo desnecessariamente pretensiosa (senti o mesmo em Relatos do Mundo e em A Qualquer Custo, este último também escrito por Taylor Sheridan). Mas os vilões implacáveis e a ação garantem um mínimo de entretenimento pra quem curte o gênero.
Army of the Dead: Invasão em Las Vegas (Army of the Dead / 2021): 4.5
Após uma cena de abertura interessante, o filme rapidamente decai em mais um desses enredos estilo John Wick, onde a cada 5 minutos os personagens se deparam com um novo agrupamento de inimigos e entram em uma batalha sangrenta. É preciso ver um valor intrínseco na violência, em imagens de pessoas dando tiros umas nas outras, sem qualquer contexto dramático, pra realmente se divertir com um filme como este, o que não é bem o meu caso (os anarquistas talvez simpatizem mais com a história, pois um diálogo no meio do filme sugere que esta seria a visão de uma América "livre", mais próxima de seus ideais).
Oxigênio (Oxygène / 2021): 5.0
Não sei se é aquele efeito de quando você compra um carro, que você passa a notá-lo na rua com muito mais frequência, mas desde o texto sobre 1999 parece que todo filme que assisto vira mais um exemplo para aquela discussão. Esse aqui é um suspense de confinamento estilo Enterrado Vivo, porém que se passa num "caixão" mais futurista e cheio de recursos. A protagonista, como de costume, tem dificuldade de distinguir o que é real ou imaginário, e, pra variar, está sofrendo pela morte de um ente querido. Diferente de Passageiro Acidental, cujos personagens mantêm a calma e a racionalidade diante da emergência, a heroína aqui entra em desespero logo que acorda, e passa o filme todo chorando, perdendo o controle, sentindo dor, o que torna ainda mais "agradável" a ideia de ficar 1h30 olhando pra alguém numa câmara criogênica. O filme é bem realizado e tem algumas ideias interessantes enquanto ficção-científica — SPOILER: exceto, claro, a maneira como Liz finalmente consegue o oxigênio no final, uma das soluções mais dignas de um facepalm desde que Leslie Nielsen tropeçou no fio e tirou a bomba da tomada em Corra que a Polícia Vem Aí 2 1/2. Talvez o mais interessante de tudo seja que, ao apresentar essa imagem de uma mulher perdendo a sanidade, trancada num espaço pequeno, sem contato com outros seres humanos, correndo risco de morrer por falta de oxigênio, sua única referência do mundo externo sendo uma tela de computador que oculta informações, e ainda com o governo tentando enfiar agulhas nela o tempo todo, o filme criou a metáfora perfeita para esses anos de pandemia.
A Mulher na Janela (The Woman in the Window / 2021): 6.0
Este é um "6.0" diferente dos debaixo. Em vez de um filme uniformemente razoável, minha nota seria uma média entre alguns pontos excelentes, misturados com alguns problemas fatais. Os pontos positivos estão na produção e na sofisticação do estilo de Joe Wright, sempre talentoso e ousado. O grande problema é que a trama já perde o sustento logo no início, quando tudo no filme (não apenas os eventos da história, mas também a fotografia, a edição, etc.) indica que a protagonista é louca e está imaginando as coisas que vê. Sem um senso mínimo de objetividade, todas as tentativas do filme de engajar através da lógica dos acontecimentos e criar reviravoltas surpreendentes falham, pois a atmosfera de sonho vai contra esse propósito e ativamente pede para o espectador não confiar em nada do que se passa na tela.
Mundo em Caos (Chaos Walking / 2021): 6.0
O conceito das emoções visíveis é interessante, e nas mãos de um roteirista melhor poderia ter sido usado pra uma discussão mais rica sobre o declínio da privacidade no mundo pós-internet, ou quem sabe sobre o declínio da objetividade na cultura atual, etc. No fim, virou apenas um filme de aventura num futuro distópico como tantos outros, simpático até, mas cuja ação poderia ter permanecido basicamente a mesma sem esse artifício, que é (ou deveria ter sido) seu maior diferencial.
Os Pequenos Vestígios (The Little Things / 2021): 6.0
O roteiro tem uma solidez respeitável que talvez se deva ao fato dele ter sido escrito no início dos anos 90, quando os padrões para filmes de suspense (e para o cinema americano em geral) eram mais altos. A semelhança com Seven (1995) acaba prejudicando um pouco, até por criar a expectativa de um final igualmente bombástico e conclusivo, que o filme promete mas acaba não entregando da melhor forma.
segunda-feira, 24 de maio de 2021
Continuo escrevendo, mas...
sábado, 8 de maio de 2021
Cultura geek vs. Idealismo
segunda-feira, 26 de abril de 2021
O pior Oscar da história?
O Oscar 2021, se não foi o pior da história, foi certamente o pior que eu vi em mais de 20 anos que não perco uma transmissão. Em termos de indicados e vencedores, as últimas edições já estavam praticamente no mesmo nível de ruindade — não é novidade que hoje é tudo sobre política, sinalização de virtude, diversidade, não sobre talento e mérito — então nem vou comentar isso. Mas essa foi a primeira vez que os "AIs" conseguiram destruir a cerimônia em si. Nos outros anos, os premiados eram fracos, mas em termos de evento, o Oscar ainda parecia o Oscar — uma inconsistência que foi resolvida na festa de ontem.
O maior choque pra mim foi perceber que a cerimônia se passaria inteira na Union Station, não apenas parte da festa como tinha sido anunciado. O teatro Dolby é enorme, então desde o início eu não estava entendendo a necessidade de um segundo local para apresentar parte da cerimônia, pois seria perfeitamente possível fazer distanciamento social no Dolby Theatre (já que os convidados seriam limitados a indicados e apresentadores). Mas se no fim a festa acabou sendo apresentada praticamente inteira em 1 local só, qual foi o sentido então de fazê-la na Union Station? Tudo aquilo que vimos não poderia ter ocorrido no Dolby Theatre? A resposta está na atitude que descrevi no texto sobre a Pandemia: o Dolby Theatre é um símbolo de luxo, glamour. Uma estação de trem é mais humilde, low profile, é um lugar do "povo". Como já vimos, nada disso é sobre saúde, segurança, lógica — é sobre sacrifício, sobre mostrar que vivemos um "novo normal", é sobre o desejo de destruir a felicidade, o prazer, o conforto, em nome de um falso bem coletivo.
A festa não teve host, não teve o tradicional espetáculo de abertura, não teve as apresentações musicais (que foram jogadas pro pré-show), a orquestra foi substituída por um DJ, não havia telões e palcos grandiosos, e as poucas tentativas de humor foram tímidas e deslocadas. Não vimos prêmios honorários, prêmios para inovações técnicas, nem montagens épicas celebrando a história do cinema — em compensação, tivemos dois prêmios humanitários.
O prêmio de Melhor Filme (logicamente, o grand finale de toda cerimônia) não foi apresentado no final, mas foi anunciado antes dos prêmios de Melhor Atriz e Melhor Ator pela primeira vez, gerando um anti-clímax, um momento de "desconstrução", que parecia querer dizer de que há algo de "ultrapassado" em hierarquias, que nada é tão importante assim, então pra que gerar expectativas?
Quando Nomadland ganhou melhor filme, tivemos também a visão bizarra da Frances McDormand uivando como um lobo no palco, mais um ato de niilismo que, sob um manto de irreverência e descontração, atende o desejo coletivo de degradar a premiação, de colocar uma figura animalesca e primitiva num podium que deveria representar o auge da sofisticação, do desenvolvimento profissional e artístico do ser humano.
A "cereja do bolo" foi deixar o Oscar de Melhor Ator por último, sendo que já era possível prever que os dois atores favoritos ao prêmio não estariam presentes na cerimônia (Anthony Hopkins e Chadwick Boseman — este último por razões óbvias), o que seria garantia de que a festa terminaria numa nota inconclusiva, frustrante, ainda mais na ausência de um anfitrião.
Steven Soderbergh, que foi produtor da cerimônia, disse que a festa deste ano iria se parecer com a experiência de assistir a um filme... Ele só esqueceu de avisar que seria um filme horrível, como os que a Academia tem premiado ultimamente.



