- O documentário sendo gravado é um alívio cômico que destrói a seriedade de vários momentos. E o filme fica insistindo no personagem do cinegrafista, que não tem muita graça ou relevância.sexta-feira, 5 de novembro de 2021
Eternos
- O documentário sendo gravado é um alívio cômico que destrói a seriedade de vários momentos. E o filme fica insistindo no personagem do cinegrafista, que não tem muita graça ou relevância.quarta-feira, 3 de novembro de 2021
Marighella
segunda-feira, 1 de novembro de 2021
Annette
Atualizações Pessoais - Novembro 2021
- Asperger:
Em 2017 eu gravei um vídeo sugerindo que eu poderia ter Síndrome de Asperger (uma suspeita levantada por um psiquiatra em 2012), e só pra atualizar quem não me segue nas redes sociais, entre Julho e Outubro deste ano eu passei por uma avaliação neuropsicológica mais completa (que é uma série de testes aplicados por uma psicóloga pra medir suas aptidões e funções cognitivas), e no fim do processo foi descartada a hipótese de Asperger, assim como a de outros transtornos relacionados. Pelo contrário, meu desempenho foi acima do esperado não só nos testes cognitivos, mas também nos de percepção social, nos quais quem tem Asperger não se sai bem. Claro que isso não faz desaparecer os incômodos que me levaram a consultar um psiquiatra em primeiro lugar, mas muda a explicação para esses incômodos (isso tudo me fez pensar que meu psiquiatra de 2012 funcionou como uma espécie de Matrix na minha trajetória pessoal, plantando uma semente de dúvida na minha mente que me faria questionar a validez das minhas percepções com mais frequência a partir dali, rs).
- Objetivismo:
Embora o objetivismo tenha me trazido inúmeros benefícios e aprendizados, desde o início eu sempre hesitei em me rotular como objetivista, pois a filosofia não consiste apenas de suas premissas mais fundamentais, mas vem atrelada a um pacote enorme de valores e atitudes com os quais nem sempre eu concordei. Essas diferenças não me pareciam grandes demais até uns anos atrás, então não me incomodava que outros me rotulassem assim — mas novos insights e descobertas foram me levando a querer me dissociar do movimento, especialmente nos últimos meses, pois ficou mais claro que minhas divergências não envolvem apenas detalhes superficiais. Então embora eu ainda continue acompanhando alguns intelectuais da área, admirando as realizações de Rand, e mantendo muitos dos mesmos princípios, hoje eu já prefiro enfatizar que não me identifico como objetivista, e não abraço a filosofia em todo seu "pacote". Em Fevereiro de 2020 eu postei um vídeo no YouTube discutindo meu status em relação ao objetivismo, e embora o vídeo seja bem ponderado, hoje ele já estaria um pouco desatualizado. E até passagens do meu livro, onde o objetivismo tem uma influência mais direta, já sofreriam edições caso eu o relançasse hoje, por isso acho importante deixar esse registro.
* Vou deixar disponível abaixo a palestra do Nathaniel Branden "The Benefits and Hazards of the Philosophy of Ayn Rand" (dividida em 4 partes) que mencionei nos comentários:
quarta-feira, 27 de outubro de 2021
Cultura - Outubro 2021
29/10: Brasil Paralelo: A SÉTIMA ARTE | EPISÓDIO 3 - A teoria do Parasita Pós-Moderno no Cinema
Vendo esse documentário fiquei quase com a impressão de que alguém na Brasil Paralelo estava lendo meu blog e adaptando as ideias para o público deles (ou que eu devo ser muito alienado, e as coisas que escrevo aqui são muito mais óbvias e mainstream do que eu imaginava). Esse episódio discute várias coisas que venho apontando aqui há anos (falam da Elsa, de Star Wars: Os Últimos Jedi, da decadência do Oscar, da subversão de símbolos como Cinderela/Superman como tática, etc.). Mas claro que a perspectiva conservadora resulta em muitas diferenças também. Por exemplo: enquanto eu falo de autossacrifício como uma das tendências negativas do cinema atual, eles já falam como se fosse um valor positivo e importante (o que me fez pensar que eles nem deveriam então estar tão insatisfeitos com o cinema, já que mensagens cristãs estão por toda parte). Outra diferença interessante é quando eles criticam a tendência dos filmes de focarem na psicologia dos personagens (aquilo que chamo de "cura emocional" no texto sobre 1999). Como os conservadores tendem a ser religiosos, eles não têm como falar que o problema aqui é o "declínio da objetividade". Então eles jogam a culpa no individualismo, na busca da felicidade, sugerindo que o certo seria os personagens aprenderem a servir o outro, a se sacrificar por coisas mais importantes que suas próprias necessidade (o que não bate com meu conceito de herói). Mas até nessas diferenças, achei surpreendente o quanto o debate fica ao redor dos mesmos pontos.
27/10: Why People Don’t Want To Hear or Speak The Truth — Teal Swan
Há uns 2 anos que acompanho a Teal Swan, que é uma guia espiritual controversa mas que eu acho uma das mulheres mais fascinantes no YouTube — especialmente quando ela discute assuntos ligados a relacionamentos, psicologia, emoções etc. (o conteúdo esotérico que eu não acredito eu pulo e fico com o que me interessa). Achei curiosa a semelhança deste novo vídeo dela com meu texto Racionalizações.
14/10: O Hóspede Americano
Vi 2 episódios da mini-série da HBO Max O Hóspede Americano, dirigida pelo brasileiro Bruno Barreto, que mostra a expedição de Theodore Roosevelt pela Amazônia no início do século passado. Barreto diz ter se interessado pela história por causa da "complexidade" de Roosevelt, que comparado aos políticos polarizados de hoje, não seria nem de esquerda nem de direita, algo que ele parece achar raro e admirável (eu já acho esse tipo de inconsistência ideológica a coisa mais comum na política, mas enfim). A série é decente, tem um conteúdo surpreendentemente intelectual, mas o retrato ambíguo de Roosevelt (que não é nem celebrado, nem condenado, mas mostrado de forma meio fria, imparcial) torna difícil de se importar pelo personagem e entender qual o propósito da história. Talvez eu dê mais uma chance e veja o 3º episódio que saiu esta semana.
4/10: Round 6 / Squid Game
Vi só o primeiro episódio pra entender do que se tratava. Achei divertida a sequência final (embora não seja nenhuma novidade - é apenas uma variação de inúmeros filmes com "jogos mortais"), mas ela demora muito pra acontecer, e o resto da história não me interessou. Me pareceu basicamente um Parasita num formato mais pop, levando as mesmas mensagens políticas para as grandes massas, mas sem os requintes cinematográficos que tornavam o filme interessante.
domingo, 24 de outubro de 2021
Duna
O que falta em grande parte aqui é um protagonista menos passivo, mais motivado, com obstáculos sérios e objetivos atraentes para perseguir (nada na história parece partir de um desejo autêntico dele, e o pai deixa claro que se ele não estiver a fim de embarcar na jornada, que não há problema algum). Meu texto As 5 Histórias Idealistas dá uma boa ideia de qual o problema com esse tipo de narrativa, onde as missões não estão conectadas aos desejos da plateia e às paixões do herói (o filme poderia ter seguido as Histórias 2 ou 3 pra ser mais envolvente, mas não o faz). E embora Timothée Chalamet esteja muito bem como Paul Atreides, o personagem é um pouco distante e genérico. O arquétipo do "Escolhido" é muito popular nesse gênero de filme, mas se você não acrescentar alguns traços de caráter mais específicos e carismáticos, o arquétipo acaba não gerando identidade o bastante pra dar vida ao personagem (no final, quando Paul toma uma decisão importante que definirá a parte 2, sua atitude acaba parecendo forçada, vinda do nada, até porque nada nele parecia precisar de uma conexão com o mundo dos Fremen — ter "visões" não é o mesmo que ter uma necessidade psicológica/emocional).segunda-feira, 18 de outubro de 2021
Halloween Kills: O Terror Continua
Poucas vezes vi uma franquia mudar tanto de tom de um episódio pro outro, quando o diretor e os produtores permaneceram os mesmos. O Halloween de 2018 tinha sido um acerto, respeitado o original, e agradado à maioria das pessoas. Este agora já é daqueles que muitos vão adorar, e muitos vão odiar. E o que mudou basicamente é que, além do roteiro ser muito mais experimental e problemático, alguém parece ter decidido que o filme devia acompanhar as tendências do gênero e aumentar a dose de "humor", de autoparódia (ler: Idealismo Corrompido), incluir toques ridículos para os "fãs" darem risada, além de inserir comentários políticos na narrativa (há uma multidão revoltada na história que serve pra discutir a psicologia do eleitor de extrema-direita). Não é mais um filme de terror honesto, cujo principal propósito é entreter o público... Agora virou algo mais "conceitual", cujo foco é a "esperteza" do cineasta em brincar com o gênero e fazer comentários irônicos nas entrelinhas (às custas da história).
Procurei algumas entrevistas com o diretor David Gordon Green pra entender sua proposta, e estranhamente não achei nada dele comentando sobre essa mudança; como se ele tivesse tentado apenas fazer uma continuação normal pro primeiro filme. Mas há coisas tão bizarras na narrativa que não é possível que tenham acontecido acidentalmente (minha impressão é que o produtor Jason Blum, que tem uma atitude bem mais cínica que Green, seja a principal influência por trás disso).
O filme já causa estranhamento logo no início, quando em vez de ir direto para a cena do incêndio que encerra a parte 1 (o que seria o natural), gasta diversos minutos em sequências esquisitas que parecem não ter nada a ver com a história: longos flashbacks dos anos 70 mostrando a relação do policial Hawkins com Michael Myers, algo que nem terá um papel tão importante na narrativa; depois vamos para um bar onde sobreviventes de Myers estão celebrando os 40 anos de sua prisão (há muitas referências a outros filmes e fan-services fora de contexto); só depois vamos ver que Myers sobreviveu ao incêndio e continuará a matança. O problema é que mesmo depois disso o filme não parece começar. Há um senso de bagunça e de falta de direção na narrativa que vem muito do fato do filme não ter um protagonista. Naturalmente, se Jamie Lee Curtis está no filme, isso faz com que o espectador fique o tempo inteiro aguardando ela tomar as rédeas da história e partir pra ação (isso faria o filme "começar"). E um dos grandes crimes do roteiro é que isso nunca acontece. Ela passa praticamente o filme todo num hospital, como uma personagem coadjuvante (uma ideia péssima que parece só existir pra criar um paralelo com Halloween 2 de 1981), e em 1 hora de filme, ela ainda não está fazendo nada, achando que Michael continua morto. O filme não assume que ela será coadjuvante, substituindo-a por uma outra protagonista e criando um outro foco de interesse... A história fica simplesmente sem uma âncora, alguém pra gente se importar, torcer, seguir o objetivo. Ficamos acompanhando diversos personagens menos interessantes espalhados pela cidade, enquanto Michael comete seus assassinatos, mas falta um centro dramático pra história, uma linha de ação coesa.
Esses problemas já seriam suficientes pra tornar o filme caótico e frustrante, mas além disso, há todo o lance do "humor" e da tentativa péssima de dar um ar mais alternativo/cult pro filme... Vemos isso em momentos óbvios como o da mulher atirando na própria cabeça, ou nas cenas envolvendo o casal gay caricato (a própria Jamie Lee Curtis, em vez de heroica, está com um ar ligeiramente ridículo aqui). Há também vários detalhes menores inseridos pra dar um tom excêntrico à produção, algo que não fazia parte do outro filme e nem do clássico: a ária “Fígaro” tocando na cena do carro; a cena do boneco de ventríloquo que nem sei pra que existiu; a sequência longa e surrealista da multidão no hospital, etc. É como se o cineasta estivesse mais interessado em mostrar que tem personalidade do que em fazer um filme de verdade. Só que é uma personalidade forçada, inautêntica, que em alguns momentos parece querer imitar o estilo de filmes dos anos 70/80 (que de fato eram mais livres e ousados em estilo), mas acaba refletindo apenas a pobreza artística e os maus valores do cinema de hoje (não diferente de Freaky, Maligno, Rua do Medo e outras produções recentes que seguiram essa linha).
Halloween Kills / 2021 / David Gordon Green
Nível de Satisfação: 2
Categoria C/F: Idealismo corrompido / toques de Anti-Idealismo
Filmes Parecidos: O Predador (2018) / Rua do Medo (2021) / Freaky - No Corpo de um Assassino (2020)
sexta-feira, 15 de outubro de 2021
O Último Duelo
Novo filme de Ridley Scott, que é o primeiro roteiro que Matt Damon e Ben Affleck (que também atuam no filme) escreveram juntos desde Gênio Indomável. A história se passa na França em 1386 e acompanha a rivalidade entre 2 amigos (Damon e Adam Driver) que começa por causa de uma disputa de terras, mas acaba evoluindo pra uma traição num nível mais pessoal. O filme é dividido em 3 capítulos, e cada um reconta a mesma história por um ponto de vista diferente (remetendo ao que discuti recentemente na crítica de A Menina que Matou os Pais). Apesar de haver um duelo importante na história, está mais pra um drama do que pra um épico de ação tipo Gladiador. Algumas cenas de batalha foram incluídas, mas parece que só pra não frustrar as expectativas do público em relação ao gênero, pois elas não são fundamentais para a trama.
Achei a história bem interessante, principalmente depois que é estabelecido o conflito entre o trio principal, e versões alternativas do ocorrido começam a ser apresentadas. SPOILER: Uma coisa curiosa (e que pra mim enfraquece um pouco a narrativa) é que as versões não são radicalmente diferentes umas das outras... Seria mais natural que o personagem do Adam Driver fosse apresentado como inocente em sua versão, e culpado na versão de Marguerite - e que a verdade fosse revelada para o espectador só mais para o final. Mas nas duas ele é claramente culpado, o que torna o filme menos previsível, mas tira um pouco do dilema moral e elimina a possibilidade de grandes surpresas.
Outra coisa ligeiramente insatisfatória é que embora o personagem de Damon esteja lutando por justiça, por uma boa causa, qualquer vitória no contexto horrível da Idade Média não parece significar uma vitória de verdade (aliás, o sistema político da época é tão bizarro que qualquer pessoa sensata deve sair da sala um defensor dos direitos individuais e do estado laico). Não é um mundo onde possam existir conceitos como justiça, provas, direitos... Ganhando a luta ou perdendo, ficamos com a impressão de que ninguém de fato conhecerá a verdade, que no fim tudo terá sido resolvido pela força bruta, com base em sorte, e que também não há um futuro realmente feliz para ninguém na história (independentemente do incidente, o casamento de Damon já não era positivo nem baseado em amor).
Mas essas são questões que não comprometem o aproveitamento da história. O roteiro é fundado em bons conflitos, tem um desenvolvimento interessante, e o filme como um todo é muito bem realizado. Ridley Scott está em modus operandi, sem grandes ideias ou esforços extras na direção, mas como a história é sólida e os atores/personagens são bons (gostei particularmente do Affleck loiro), sua competência habitual já é o suficiente pra fazer o filme funcionar.
The Last Duel / 2021 / Ridley Scott
Nível de Satisfação: 8
Categoria A/B: Idealismo com ênfase no negativo
Filmes Parecidos: Gladiador (2000) / As Bruxas de Salém (1996) / O Leão no Inverno (1968)




