domingo, 5 de abril de 2026

Abril 2026 - outros filmes vistos

Super Mario Galaxy: O Filme (The Super Mario Galaxy Movie / 2026 / Aaron Horvath, Michael Jelenic)

A definição de comercialismo vazio, do cinema baseado em fórmulas, clichês e fan service, sem um pingo de inspiração ou inteligência. O que mais me impressionou é o quanto o filme parece ignorar a possibilidade do espectador ter um cérebro funcional. Somos reduzidos à condição de um bebê de 3 anos olhando pra um iPad, cuja atenção precisa ser renovada momento a momento por objetos coloridos se movendo freneticamente na tela, sem que nenhuma linha de raciocínio se sustente por mais de alguns segundos.

Por exemplo: em certo momento, uma enorme chuva de meteoros preenche o céu, embasbacando os heróis e criando um espetáculo visual que faz você pensar que algo grandioso está ocorrendo — no fim, é só a chegada de um personagem secundário que veio pedir ajuda a eles. Em outro momento, o castelo da princesa é arrancado inteiro do chão e erguido ao céu pela nave espacial do vilão. Há uma luta de braço dentro do castelo, que logo cai de volta no solo. Qual a necessidade da chuva de meteoros? Do castelo levitar? Nenhuma... É só pra agarrar momentaneamente a atenção do público. No minuto seguinte, aquilo já não importa mais. E assim o filme prossegue por 1h40, num desfile tedioso de personagens genéricos e piadinhas enlatadas.

Um comentário:

  1. Quando vi opiniões divididas sobre Super Mario Galaxy, ficou claro pra mim um problema recorrente: a linguagem dos videogames não pode simplesmente ser transportada pro cinema sem uma adaptação bem pensada.

    Videogame e cinema contam histórias de formas completamente diferentes. No jogo, a experiência é interativa — você vive a jornada. Já no cinema, tudo depende de construção narrativa, ritmo, desenvolvimento de personagens e, principalmente, um bom roteiro.

    Enquanto você descrevia o filme, não consegui deixar de lembrar de Angry Birds: O Filme, que pra mim foi uma experiência vazia justamente por não conseguir traduzir o que funcionava no jogo para uma narrativa cinematográfica envolvente. E olha que Angry Birds tem menos lore - um universo a explorar, que Mario.

    Pelo que tenho visto, esse novo filme parece muito voltado pra quem já é fã — cheio de fanservice. O filme quer se sustentar por um nicho, mas como obra vai ser algo sem alma.

    Eu gosto muito do personagem e também acho Nintendo incrível no que faz com seus jogos — o próprio Mario no Wii é extremamente divertido de jogar. Mas cinema é outro nível de linguagem.

    E esse erro não é exclusivo daqui. A própria Marvel Studios já mostrou algumas vezes como adaptar sem entender a mecânica do cinema pode resultar em algo raso: pegar elementos que funcionam em outro formato e simplesmente transportar, sem reconstruir pra narrativa cinematográfica envolvente.

    No fim, não basta ser fiel — precisa saber contar a história do jeito certo.

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