Bem realizado, se esforça para agradar os fãs e repetir o que deu certo no original — o grande problema é que a cultura mudou muito de 2006 pra cá, e a sequência não soube muito bem como traduzir a história para os dias de hoje mantendo aquilo que a tornava divertida. O Diabo Veste Prada foi feito em uma época em que hierarquias ainda eram vistas como necessárias, em que se aceitava a realidade dos padrões de beleza, em que o desejo de se tornar poderoso, bem-sucedido — e, por consequência, de não ser medíocre — era visto como um impulso humano natural, digno, e não algo vergonhoso. Miranda Priestly, como conceito, se sustentava sobre essas premissas, assim como a narrativa de ascensão profissional/"extreme makeover" da personagem de Anne Hathaway — e é isso que as tornava prazerosas de assistir. Mas o politicamente correto é um veneno para a Autoestima, e acabou corroendo essas premissas que faziam O Diabo Veste Prada funcionar tão bem. O resultado não é uma sequência ruim, mas um filme que parece tímido, hesitante, com parte de sua energia vital sugada.The Devil Wears Prada 2 / 2026 / David Frankel
★★★
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