segunda-feira, 30 de maio de 2022

A Médium | Crítica

A Médium - cartaz oficial
Terror Tailandês/Sul-Coreano sobre uma equipe de documentaristas que viaja para o interior da Tailândia pra registrar o dia a dia de uma médium local, que estaria possuída por um espírito benigno adorado na comunidade, que passa de mulher pra mulher de uma mesma família ao longo de gerações.

A Médium segue à risca diversos clichês que o terror do século 21 definiu como padrão: o formato found-footage, a trama sobre maldições familiares, o exorcismo obrigatório da garota jovem, a menina-monstro com o cabelo preto cobrindo o rosto que anda feito aranha, etc. O que faz o filme parecer diferente, além da ambientação, é o fato dele ter uma direção mais efetiva que a maioria. A história começa com uma boa apresentação da mitologia particular da história, definindo o contexto para o espectador, e prende a atenção logo de cara por conseguir criar um senso de realismo e veracidade, não só através da fotografia de estilo documental, mas também através da credibilidade das performances — em particular da protagonista Nim, que por ter uma personalidade marcante e não ter cara de atriz, realmente convence como médium. Daí pra frente, é só aguardar as coisas desandarem e virem os sustos.

A trama sofre de alguns problemas comuns do gênero, como uma certa falta de dinamismo (o interesse se concentra mais no grand finale, e até lá nada de muito substancial pode ocorrer) e o fato da protagonista ser guiada por regras místicas meio misteriosas, que deixam o espectador mais como observador da história do que como participante. Mas terror muitas vezes nós medimos pelos "thrills" e emoções que as cenas de suspense conseguem provocar, e nesse sentido A Médium não se sai mal.

The Medium / 2021 /  Banjong Pisanthanakun

Satisfação: 6

Categoria: B

Filmes Parecidos: O Último Exorcismo (2010) / Espíritos 2: Você Nunca Está Sozinho (2007) / Espíritos: A Morte Está ao seu Lado (2004) / A Bruxa de Blair (1999)

quinta-feira, 26 de maio de 2022

Cannes e Hollywood, amigos tóxicos

Como discuto no texto A Invasão Anti-Idealista, é muito comum o cinema americano ser invadido por pessoas que são contra o que ele representa — haters que se infiltram em certas produções de Hollywood pra deturpá-las e tentar alterar os rumos da cultura.

Pro crédito de Hollywood, o contrário já não é tão comum — você não vê o Michael Bay se infiltrando em filmes franceses independentes pra tentar inserir uma ou outra explosão no meio de discussões existenciais.

Mas há uma fraqueza nos hollywoodianos nesse ponto, que é essa necessidade de obter o reconhecimento dos Anti-Idealistas da Europa, algum tipo de validação moral-artística, que pode ser vista no festival de Cannes todos os anos. Até Tom Cruise, o mais americano dos astros de Hollywood, foi até lá exibir Top Gun: Maverick, um filme que é a antítese do festival.

Cannes é o grande covil do Anti-Idealismo, um lugar onde celebridades bebem champagne e desfilam em roupas glamourosas pra protestar contra o capitalismo e celebrar o que há de mais grotesco no cinema em termos de valores e ideias.

Na atual edição, um dos favoritos à Palma de Ouro é The Triangle of Sadness — um filme que se passa num cruzeiro frequentado por super-ricos, cujo capitão é marxista. "Tudo vai bem, ou quase, até que em uma noite, uma tormenta põe os ricos, arrogantes e gananciosos hóspedes à beira de naufrágio. O que seria o pomposo jantar com o Capitão se torna um "shit show" de vômitos. A tormenta piora e o esgoto da embarcação estoura, espalhando a "m" por todos os lados. O barco é atacado por piratas e afunda... O filme foi várias vezes aplaudido em diversas sequências que mexem com o âmago de uma plateia imersa em uma sociedade de consumo hipócrita, racista, classista e gananciosa." (UOL). 

Até entendo que, no passado, artistas associados ao cinema de entretenimento buscassem um "tapinha nas costas" do mundo de Cannes, do cinema de "arte" (assim como já discuti o fenômeno de cineastas mais alinhados com o cinema europeu quererem reconhecimento no Oscar). Truffaut, por exemplo, ajudou Hitchcock a ser reconhecido como diretor autoral, o que foi algo positivo. Mas o cinema europeu não é mais representado por figuras interessantes como Truffaut, e o festival de Cannes não é mais o festival semi-respeitável que talvez já tenha sido. Não há mais o que lucrar com suas palmas hoje, exceto talvez exposição na mídia (nada contra quem use festivais do tipo pra promover seu trabalho). Mas alguém bem sucedido em Hollywood sair de lá pra buscar aprovação num festival cujo prêmio tem ido sempre pro filme que melhor expressa ódio contra qualquer coisa que remeta à cultura americana, é no mínimo fútil.

terça-feira, 24 de maio de 2022

Filmes Autorreferenciais e a Descrença na Ficção

Embora filmes autorreferenciais não sejam novidade (nem necessariamente problemáticos), me preocupa um pouco o fato de tanta coisa no cinema hoje ser autorreferencial, da ficção estar sempre tendo que assumir a própria artificialidade pro espectador: Matrix 4 se passa num mundo onde existe uma trilogia Matrix, Pânico 5 se passa num mundo onde existe uma espécie de franquia Pânico, o live action Tico e Teco: Defensores da Lei se passa nos "bastidores" do desenho Tico e Teco, Nicolas Cage interpreta Nicolas Cage em O Peso do Talento, Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa reconhece a existência de outros Homens-Aranha em outros filmes, etc.

Isso reflete um público que parece ter perdido o fascínio pela ficção, o prazer (ou capacidade) de se deixar transportar para a realidade de um filme (o que não é surpreendente, considerando o declínio na qualidade média dos filmes), e que também está tão acostumado a acompanhar o dia a dia de seus artistas favoritos nas redes sociais, a ler na internet tudo sobre os bastidores de cada produção, que pra ele a magia do cinema se perdeu.

Não há mais uma grande divisão entre artista e espectador, entre espetáculo e bastidores. É como se agora estivéssemos vendo um show de mágica, mas com as luzes acesas, as paredes e cortinas removidas, revelando todos os truques e mecanismos, o mágico usando jeans e uma camiseta casual, e o palco estivesse liberado pra qualquer um subir e dar uma volta.

"O show business mudou e não é mais tratado de uma forma mágica e preciosa. Todo mundo quer saber como os truques são feitos e o que os atores fazem 24 horas por dia e isso meio que tira um pouco da diversão da experiência de ir ao cinema." - Julia Roberts

Tom Cruise é uma figura que chama atenção atualmente por tentar resgatar um pouco do fascínio que o cinema costumava causar no público; não só pelos heróis que interpreta, mas também por ele não se expor demais nas redes sociais, gostar de fazer aparições grandiosas em tapetes vermelhos (chegou pilotando um helicóptero na première de Top Gun: Maverick), etc. Lutar pela experiência em salas de cinema (vs. lançamentos em streaming) também faz parte deste pacote.

Será que estamos passando por uma maturação natural do entretenimento? Que isso é o que o espectador quer de fato consumir? A quantidade enorme de filmes que precisam apelar pra nostalgia pra gerar algum senso de encantamento é um bom sinal de que o que a cultura tem produzido de original não tem suprido as necessidades do público.

Ao mesmo tempo, o público (e os produtores) parecem achar impossível restaurar o encantamento de antes, assim como alguém não consegue se forçar a re-acreditar no Papai Noel (e o equivoco aqui é associar o desejo por esperança e encantamento a ingenuidade, misticismo, não a valores e a funções psicológicas legítimas). Há um certo resgate do nostálgico, mas esse resgate é automaticamente minado por autorreferências e atitudes que buscam "desmistificar" a ficção. (Idealismo Corrompido)

É importante reconhecer o perigo de 2 extremos nessa discussão: por um lado, há o perigo da ingenuidade extrema, como a do telespectador que xinga um ator de novela na rua por achar que se trata de um vilão — essas são as pessoas que não têm um senso mínimo de realismo, de pensamento científico, e enxergam tudo como um fenômeno mágico, sobrenatural, como tribos antigas que interpretavam trovões como mensagens dos deuses.

No outro extremo, existe o perigo do cinismo, da indiferença completa, algo mais próximo do espectador atual, que não enxerga encantamento em nada, que se esforça pra desmistificar tudo o que vê, como alguém que disseca um corpo humano pra provar pra si mesmo que não há nada de especial sobre a vida, que somos apenas um aglomerado vazio de matéria. É a velha (e falsa) dicotomia entre misticismo e materialismo.

Há algo de "religioso" na arte por sua capacidade de exaltar, projetar valores morais, ideais positivos. E assim como a revolução científica causou uma crise na religião na época do Renascimento (levando muitos a concluírem que, junto com o sobrenatural, teriam que abrir mão também dos ideais e de todos os valores associados à fé), é como se a atual geração, ao crescer já tão consciente de todas as engrenagens por trás da produção audiovisual, estivesse vivendo uma crise parecida no entretenimento; uma perda de "fé" na ficção.

Tico e Teco: Defensores da Lei | Crítica

Tico e Teco: Defensores da Lei  - poster
Adaptação live-action da série animada que estreou na TV em 1989. O filme começa mostrando um pouco da história de origem de Tico e Teco — mas não dentro do universo do desenho, e sim nos bastidores, como se eles fossem 2 atores reais em Hollywood que fizeram sucesso nos anos 80/90 estrelando o desenho Tico e Teco e os Defensores da Lei, e depois seguiram caminhos separados. Nos dias de hoje, a dupla acaba se reencontrando (Tico ainda em 2D, mas Teco otimizado para CGI) e tendo que unir forças pra resgatar o amigo Monterey Jack das mãos de traficantes de queijo.

O filme se passa num mundo meio Roger Rabbit onde personagens animados e seres humanos coexistem, e também num universo-compartilhado da animação, que reúne personagens famosos de diversos desenhos numa mesma realidade (não apenas personagens da Disney). Embora não seja uma ideia original (Space Jam: Um Novo Legado fez algo parecido recentemente, assim como Shrek, Detona Ralph etc.) esse é certamente um dos filmes que melhor explorou esse conceito e extraiu da situação as melhores piadas (o diretor Akiva Schaffer é comediante e foi roteirista/diretor no Saturday Night Live por vários anos — experiência que é notada). No medidor de "ideias por minuto" o roteiro tem uma pontuação altíssima, e eu me peguei pausando e voltando o filme várias vezes pra pegar detalhes que passavam muito rápido, como um outdoor ou cartaz cômico aparecendo ao fundo.

É uma comédia pra cinéfilos, pois muitas das piadas envolvem filmes e tiram sarro da indústria do cinema — Hollywood é praticamente a vilã da história, mostrada como uma fábrica de remakes e reboots absurdos (Bebês Velozes e Furiosos está prestes a ser lançado, e Meryl Streep será o Sr. Doubtfire no remake gender-swap de Uma Babá Quase Perfeita) e que agora começou a sequestrar personagens animados do passado e desfigura-los ligeiramente pra driblar leis de direitos autorais e usá-los em produções fajutas, que lucram em cima da similaridade com produções antigas de sucesso. É uma crítica esperta e uma alfinetada muito bem dada na indústria, que poderia ter saído pela culatra, caso Tico e Teco (em si uma adaptação) não fosse tão criativo e engraçado quanto é.

Chip 'n Dale: Rescue Rangers / 2022 / Akiva Schaffer

Satisfação: 8

Categoria: A

Filmes Parecidos: WiFi Ralph: Quebrando a Internet (2018) / Space Jam 2: Um Novo Legado (2021) / Pokémon - Detetive Pikachu (2019) / Uma Cilada para Roger Rabbit (1988)

domingo, 22 de maio de 2022

Top Gun: Maverick | Crítica

Top Gun: Maverick - Crítica
Tom Cruise mais uma vez se prova um herói não só dentro como fora das telas — nem tanto pelos stunts que ele faz sem dublês e CGI, mas por ser uma das únicas figuras do entretenimento que sobreviveram às últimas 2 décadas sem se deixar contaminar pelas influências culturais e tendências estéticas que vieram corroendo o Idealismo do cinema americano.

No começo do filme, há uma cena em que Maverick entra num restaurante aleatório após um acidente aéreo, vestido como um astronauta, e pergunta onde está. "Na Terra", responde um garotinho. A piada pode parecer um pouco forçada, mas é totalmente apropriada, pois Cruise de certa forma vive em outro planeta. E que bom pra nós que ele não pertence à Terra de hoje, e pode nos mostrar esse universo paralelo onde heróis ainda existem, onde habilidade e conquistas são celebradas, não ressentidas, onde diferenças de sexo, cor de pele e idade não são problematizadas, e as pessoas se tratam com base em caráter, desempenho; um universo onde até a bandeira americana ainda pode ser ostentada com orgulho.

Na minha crítica do primeiro filme, apontei alguns elementos que me incomodavam na produção, e é interessante ver como a sequência melhora cada um desses pontos. Falei como o primeiro não caminhava pra um objetivo claro, e a missão final surgia acidentalmente, desconectada do resto da história. Aqui, a missão é estabelecida desde o começo, e todo o filme é uma construção em direção a ela. Falei como as cenas de ação eram confusas, e como nunca víamos claramente o que Cruise tinha feito de tão impressionante. Aqui é tudo muito mais visível, há diversas manobras e voos memoráveis (como a sequência de abertura, ou a cena onde Cruise rouba um avião pra provar pros alunos que sua estratégia é possível) e o filme está sempre usando relógios, gráficos, mapas, simulações 3D, pra situar o espectador e fazê-lo entender o que está acontecendo — quando chega na hora da missão, temos uma noção muito clara do que os pilotos devem fazer, quais serão os obstáculos, os momentos críticos, o que representará uma vitória ou situação de perigo etc.

Não é um filme de grandes ousadias, ideias originais. Em vez de um inovador, Cruise é mais como um artesão dedicado, que vem aperfeiçoando uma mesma linha de produtos ao longo de décadas, e que agora entrega a versão suprema deste produto, com toda a bagagem e experiência que adquiriu ao longo do caminho (em alguns aspectos, o filme lembra mais Missão: Impossível - Efeito Fallout do que o Top Gun antigo).

Maverick também melhorou como personagem. Em vez do garoto imaturo, preocupado demais em superar os outros, ele surge aqui com a serenidade de alguém que já não questiona mais as próprias habilidades, e não precisa mais se vangloriar na frente de ninguém. E embora ele já comece o filme como o melhor piloto e não tenha muitos obstáculos nesta esfera, sua missão agora é ser um professor/mentor que precisa ganhar a confiança e inspirar alunos a superarem os próprios limites, e é deste arco que vem a satisfação emocional da história.

O filme é 100% fiel ao espírito do original, e sem parecer um desses remakes/sequências em alta agora, que se sustentam apenas com base em nostalgia. Alguém que nunca viu o original e não tem nenhuma memória afetiva associada ao filme, deve ter uma sessão empolgante, satisfatória, e sair até sentindo que entendeu o que se passou no filme de 86 — ao contrário de muitas franquias atuais, que te deixam confusos mesmo lançando novos filmes a cada 2 anos.

Top Gun: Maverick / 2022 / Joseph Kosinski

Satisfação: 10

Categoria: A

Filmes Parecidos: Missão: Impossível - Efeito Fallout (2018) / 007 - Operação Skyfall (2012)

sábado, 21 de maio de 2022

O Peso do Talento | Crítica

O Peso do Talento - Crítica
Comédia com Nicolas Cage onde ele interpreta a si mesmo — o ex-astro de ação de A Outra Face e Con Air, que agora luta pra conseguir bons papéis em Hollywood. Prestes a se aposentar, ele recebe uma oferta de 1 milhão de dólares pra ir à festa de aniversário de Javi, um fã bilionário na Espanha que descobrimos estar envolvido com traficantes, políticos corruptos, o que coloca Cage no meio de uma trama perigosa, reminiscente de seus filmes.

Há algo que me incomoda levemente nessa nova popularidade de Cage, pois muitas pessoas passaram a cultuá-lo como uma espécie de Chuck Norris moderno; não com uma atitude real de admiração, e sim com um misto de simpatia e deboche, baseado em guilty pleasure. Mas o filme tem uma atitude positiva, e consegue brincar com os aspectos duvidosos da carreira de Cage, sem diminuí-lo como personalidade.

Cage está tão bem e à vontade no papel que dá a impressão que sua fase decadente no cinema foi apenas um pequeno deslize, mas que ele nunca perdeu o potencial pra estrelar grandes filmes de sucesso. A história é divertida e Cage tem uma boa química com Pedro Pascal — mas toda a trama central envolvendo os traficantes é um pouco derivada, e não serve muito pra explorar a sacada principal do filme, que é a ideia de Nicolas Cage interpretando a si mesmo. A premissa de Cage vivendo uma aventura parecida com a de seus filmes antigos seria satisfatória caso o conflito inicial do personagem estivesse relacionado a isso — se a vida dele fosse monótona, sem empolgação, se seu trabalho como ator tivesse se tornado tedioso, ou se ele fosse inseguro por se sentir uma farsa (um herói corajoso no cinema, mas frágil e medroso na vida real), etc. Mas o conflito inicial de Cage não era esse, e sim o fato dele não ser mais valorizado na indústria. Então uma trama melhor seria provavelmente uma que o colocasse em confronto direto com essas questões — com atores mais jovens, por exemplo, que "tomaram" seu lugar, ou com outros astros em situações parecidas como Bruce Willis, etc.

Ainda assim o filme é uma boa diversão, especialmente pra cinéfilos que pegarão as diversas referências a filmes e piadas internas sobre a indústria.

The Unbearable Weight of Massive Talent / 2022 / Tom Gormican

Satisfação: 6

Categoria A/B: Idealismo com alguns toques de Idealismo Corrompido (um ponto positivo é que o filme é uma comédia de fato, não um filme de aventura que "ri de si mesmo" tipo Cidade Perdida, etc.).

Filmes Parecidos: A Espiã Que Sabia de Menos (2015) / A Entrevista (2014) / Zoolander (2001)

quinta-feira, 19 de maio de 2022

Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo | Crítica

Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo cartaz
Drama de ação/sci-fi misturado com comédia produzido pela A24 sobre uma imigrante chinesa (Michelle Yeoh), mãe de família e dona de uma lavanderia, que é jogada no meio de uma aventura insana através de universos paralelos, que unem o conceito de multiverso da Marvel a ideias derivadas de Matrix. Já se tornou um dos mais aclamados do ano, entrando rapidamente para o Top 250 do IMDb e batendo recordes de avaliação no Letterboxd.

----------------------

(Os comentários a seguir foram baseados nas notas feitas durante a sessão.)

- O filme começa com temas Naturalistas: pessoas comuns com problemas financeiros, foco em questões sociais (dramas LGBTQ, etc.). Depois, quando há a reviravolta do multiverso, o filme ganha um ar mais escapista/comercial, mas fica claro que ainda não se trata de uma aventura que se leva a sério, tipo Matrix, e sim de um desses filmes que apresentam a aventura num tom irônico, feitos por pessoas que no fundo consideram filmes de ação banais, e estão mais interessadas no drama intimista, na mensagem social etc. Numa ficção-científica "pra valer", haveria uma tentativa bem maior de justificar cientificamente o multiverso, de convencer o espectador que aquilo está acontecendo. Aqui, a aventura é propositalmente surreal e cômica. (Idealismo Corrompido)

- Regras meio confusas: o que acontece a longo prazo com o corpo "deixado" pra trás num universo, ou com a consciência/memória do novo corpo possuído?

- As cenas de luta são muito bem coreografadas e filmadas — só não empolgam como num filme de ação tradicional pois não há heróis de verdade, uma situação crível, etc. Está mais pra um filme do Jackie Chan, mas que não se assume comédia também (essa linha borrada entre seriedade e autoparódia é típica do "Idealismo Corrompido").

- O filme tem dezenas de ideias por minuto, é super criativo, mas não pelo conceito do multiverso em si (essas distorções da realidade já são o feijão com arroz do cinema há 20 anos), mas sim pela maneira como ele explora a ideia, levando tudo ao extremo, e principalmente pelo estilo frenético de direção: pela edição acelerada, caótica, cheia de efeitos, pelo fluxo ininterrupto de ideias arbitrárias e surpreendentes, que te dão a sensação de estar vendo 2 horas de vídeos do TikTok sob o efeito de LSD (às vezes parece que o filme todo é um pretexto pra esse tipo de montagem).

- É interessante a ideia da Jobu Tupaki ter se tornado vilã por perder a noção de realidade objetiva, e o filme entender que niilismo e a relativização da realidade podem ser apenas racionalizações pra aliviar frustrações pessoais, sentimentos de culpa, etc. Só que o filme não é "pró-objetividade" como pode parecer: a narrativa é completamente anárquica e os diretores trabalham o tempo todo pra desintegrar o pensamento do espectador.

- Anti-heróis: a protagonista é a versão menos excepcional de Evelyn em todos os universos, a única que não é boa em nada, o que parece torná-la especial na trama (tipo a protagonista de Encanto).

- Como o filme é uma celebração do caos, da aleatoriedade, ele não precisa construir um universo coerente, ter preocupação com sentido, regras. Portanto é muito mais fácil do que escrever uma trama de ficção-científica de verdade, que requer uma integração inteligente de vários conceitos. Aqui vale tudo, e contradições são sempre bem vindas. Os diretores usam o mesmo truque do Christopher Nolan de certa forma — criam um universo paradoxal, desorientam a plateia, mas no meio do nonsense, inserem uma ou outra conexão lógica, detalhes mínimos que percebemos de relance e que têm algum sentido, criando a ilusão de que os cineastas pensaram em tudo meticulosamente, que o filme inteiro é feito de conexões geniais e simbologias que vão além do nosso QI. (Emoções Irracionais / Pseudo-Sofisticação)

- Com tanta coisa acontecendo, claro que de vez em quando acabam surgindo ideias engraçadas, boas sacadas (eu ri do plug anal, por exemplo). Mas assim como vídeos do TikTok, é tudo meio arbitrário e evapora em segundos.

- No começo dá a impressão que as viagens pelo multiverso serão apenas um trecho do filme, e que em algum momento ele voltará pra uma linha do tempo mais sólida (quando começa a Parte 2, por exemplo). Mas o caos nunca termina...

- O Senso de Vida negativo do filme é resumido bem na cena das pedras: o mundo é incompreensível, somos todos insignificantes, apenas pedaços de m****, portanto, resta sermos gentis uns com os outros.

- SPOILER: E tudo é sobre a "cura emocional" no fim (recomendo fortemente que leiam meu texto 1999 e o Declínio da Objetividade). A aventura, a ficção-científica, a salvação do mundo, tudo é apenas um pano de fundo, uma metáfora pra discutir o drama da garota lésbica que se sente mal pelo fato da mãe não aceitá-la 100%. E o conflito dessa vez nem é tão extremo, grandes traumas ou humilhações. Pelo que é mostrado, a filha até que se dá bem com a mãe, o avô não parece particularmente mau ou preconceituoso. É tudo baseado num certo incômodo; a mãe aceita a filha uns 80%, mas os 20% que faltam é o que provoca todo o caos. Em vez do "fim do mundo" ocorrer por causa de meteoros, tsunamis, invasões alienígenas como no cinema do passado, agora é um certo desconforto emocional que ameaça todo o tecido da realidade.

- Do lado positivo, o filme é incrivelmente bem realizado, feito com uma paixão e uma dedicação que são incomuns hoje. Não é um filme tão inovador quanto alguns podem pensar, porém ele sintetiza as tendências e o momento atual da cultura de forma memorável, e acaba se tornando um filme-referência, uma espécie de "clássico" instantâneo pro cinéfilo padrão.

- A performance de Michelle Yeoh é realmente estelar: ela consegue ser carismática como mãe, como heroína, como mulher comum, como estrela de Hollywood, convence em momentos dramáticos, cômicos, em cenas de ação etc. Adorei também ver o Ke Huy Quan, que faz o marido dela, e era o garotinho de Indiana Jones e o Templo da Perdição.

- A cena final é esperta, mas é um daqueles truques pra dar a impressão que estava tudo conectado, que tudo fazia sentido, quando na prática não havia essa racionalidade toda na construção da trama.

------------------------

Everything Everywhere All at Once / 2022 / Dan Kwan, Daniel Scheinert

Satisfação: 5

Categoria C: Idealismo Corrompido / toques de Anti-Idealismo

Filmes Parecidos: Corra, Lola, Corra (1998) / Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (2004) / Quero Ser John Malkovich (1999) / Doutor Estranho no Multiverso da Loucura (2022) / Minari (2020) / Matrix (1999) / Scott Pilgrim Contra o Mundo (2010)

terça-feira, 17 de maio de 2022

De Volta ao Baile | Crítica

De Volta ao Baile poster crítica
Comédia da Netflix onde Rebel Wilson interpreta uma cheerleader que sonha em se tornar a rainha do baile (isso em 2002), mas sofre um acidente durante uma apresentação e entra em coma. Vinte anos depois, ela acorda e decide voltar pra finalizar o high school, porém se depara com uma cultura totalmente diferente, onde cheerleaders não são mais populares e ninguém mais elege rainhas do baile.

O filme zomba da cultura woke com uma naturalidade que eu não tinha visto ainda no cinema, e tem algumas sacadas ótimas, ao mostrar por exemplo a hipocrisia de muitos dos "progressistas" de hoje, que no fundo são as mesmas mean girls do passado, apenas escondidas por trás de uma roupagem "socialmente consciente" (ter o visual certo pra ganhar poder e status sempre foi o dom dessas pessoas, e não faria sentido elas ficarem pra trás agora!). Outro toque interessante é a diretora do colégio, que tinha estudado com a protagonista no passado, porém não era popular como ela, e cresceu traumatizada. Agora ela é quem está no comando do colégio (assim como muitos líderes da cultura de hoje fazem parte dessa geração), e promove conscientemente um ambiente sem competições, um sistema onde não há vencedores — pois sem vencedores, não há perdedores também!

O filme parte de uma ótima premissa e tinha uma oportunidade incrível nas mãos, mas que infelizmente é desperdiçada. Primeiro porque a qualidade do roteiro e do humor em geral é baixa, mesmo quando comparada a de besteiróis dos anos 90/2000 (outro dia estava passando Garota Veneno com o Rob Schneider na televisão, um filme que era considerado totalmente trash na época, e revendo eu fiquei meio surpreso com a eficácia do humor, do roteiro, com o talento dos atores, que acabam fazendo filmes como Senior Year parecerem amadores — o que não é surpresa, afinal bons comediantes desse gênero não têm como florescer em uma cultura como a atual).

Mas o maior problema é que, apesar do filme ironizar a cultura woke, há vários toques de wokismo presentes no próprio filme, e ele não tem coragem/consistência o suficiente pra levar a mensagem até o fim — no terceiro ato, acaba cedendo ao discurso progressista.

Isso ocorre em partes porque o filme não tem clareza sobre as ideias/valores com os quais está lidando. Acaba caracterizando o passado (anos 90/2000) como uma época de pessoas promíscuas, irresponsáveis, que só pensavam em sexo e falavam coisas ofensivas, e os tempos atuais como tempos puritanos, onde as pessoas são mais limitadas, regradas, porém mais respeitosas e inclusivas. Ao entender o conflito desta forma superficial e equivocada, não há como o filme criticar a coisa certa, nem ter uma mensagem de impacto (daí a importância de uma base intelectual sólida).

Se De Volta ao Baile tivesse sido um filme do nível de um As Patricinhas de Beverly Hills ou de um Meninas Malvadas, e trazendo uma crítica consistente à cultura atual, teria sido um verdadeiro marco. Não foi o que aconteceu, mas quem sabe ele não ajude a abrir portas para produções que virão no futuro.

Senior Year / 2022 / Alex Hardcastle

Satisfação: 5

Categoria B/C: Idealismo mal realizado; toques Anti-Idealistas

Filmes Parecidos: Megarrromântico (2019) / A Festa de Formatura (2020) / Fora de Série (2019)

segunda-feira, 16 de maio de 2022

Top Gun: Ases Indomáveis | Crítica

Top Gun Ases Indomáveis Crítica Poster
(Os comentários a seguir foram baseados nas notas feitas durante a sessão.)

- As imagens iniciais no porta-aviões junto com a trilha sonora criam um dos momentos mais marcantes do filme. Há uma estética de videoclipe/propaganda que tem muito a ver com a tendência da época de diretores da publicidade (como Tony Scott, e seu irmão Ridley) migrarem para o cinema, levando junto esse visual mais estiloso e caprichado de comerciais, que davam a impressão de cada tomada ser um packshot cuidadosamente planejado.

- A ação inicial é um pouco confusa. Não sabemos direito quem são esses inimigos nos MiG-28, qual o propósito dessa batalha... Também não fica tão claro por que o Cougar passou mal, e por que o Tom Cruise (Maverick) voltar e simplesmente voar ao lado dele era a coisa necessária a ser feita.

- Maverick é um tipo de protagonista que vemos pouco hoje em dia. Ele é retratado como o melhor no que faz, é confiante, ambicioso, alegre, além de ser interpretado por um astro à altura do papel. Mas como discuto na postagem O Que Torna um Personagem Gostável?, é preciso que haja um certo equilíbrio entre virtudes/forças, e vulnerabilidades, características humanas que tornem o personagem real, dificuldades que ele precise superar (até pra trama ser interessante, não ser tudo muito fácil). No cinema de hoje, os heróis pecam sempre por não terem virtudes o suficiente, pelo foco ser todo nas fraquezas, etc. Já no caso de Top Gun, vejo um desequilíbrio pro outro lado: o personagem é tão bom em tudo, tão imbatível e convencido disso, que se torna uma figura distante, um ideal platônico.

- A cantada de Maverick pra Kelly McGillis (Charlie) no bar eu acho meio "cringe", em partes pelo excesso de confiança que discuti acima, mas também porque as falas são meio tolas.

- É divertida a reviravolta da Charlie ser a instrutora, alguém acima dele. Há algo de Randiano em Maverick e no tipo de romance apresentado aqui (a atração por habilidade, virtude, que é algo positivo), mas há também uma qualidade que acho questionável: Maverick parece mais motivado por derrotar os outros do que por conquistar algo positivo; ele parece adorar ver os outros se curvando diante de sua superioridade, não só como piloto, mas também nas relações pessoais. Reparem como no começo, a atitude entre Maverick e McGillis não é de atração/admiração mútua, e sim de rivalidade, como se um estivesse competindo pra ver quem é o mais poderoso, quem irá fazer o outro "ceder" primeiro; como se o primeiro a admitir algum sentimento no contexto romântico fosse o derrotado, e o outro fosse o vencedor.

- As cenas de ação são meio confusas. Raramente entendemos onde os aviões estão em relação aos outros, o que cada um está tentando fazer... O que vemos em geral são closes nos rostos dos pilotos (que estão semi-cobertos por máscaras de oxigênio, dificultando a identificação) intercalados por imagens dos aviões fazendo manobras, que apesar de bem filmadas, não criam sequências lógicas e contínuas de ação. Ficamos só com uma noção vaga e imprecisa do que está acontecendo.

- Essa falta de objetividade prejudica inclusive o herói, pois quase nunca vemos Maverick fazendo algo de fato impressionante. Só sabemos que ele é o melhor pois depois dos voos alguém sempre comenta: "esta foi a melhor manobra que já vi!" ou coisa do tipo.

- Alguns dos pontos fracos do filme têm muito a ver com essa influência da publicidade, que é uma mídia onde imagens contam mais que conteúdo, narrativa, etc. O roteiro de Top Gun foi baseado numa matéria de revista, e a trama é tão simples que poderia ser resumida num videoclipe. O filme se tornou icônico mais pelo visual, pela música, pela persona de Cruise, do que por ser um filme realmente incrível. Dá pra traçar alguns paralelos com Flashdance (também dirigido por um publicitário, com Giorgio Moroder na trilha, e algumas similaridades de trama). A diferença é que Flashdance tem sequências de música/dança realmente memoráveis, e num musical isso é o que realmente conta. Já Top Gun não tem o equivalente em termos de Set Pieces de ação.

- A cena do beijo é um dos pontos altos do filme (Charlie perseguindo Maverick de carro pelas ruas; depois a discussão ao som de "Take My Breath Away", que merecidamente levou o Oscar).

- Maverick tem poucos conflitos sérios no filme, o que torna a história menos envolvente. Desde o começo já sabemos que ele é o melhor; a única coisa que falta é o resto da equipe perceber e admitir isso. O maior drama que ele enfrenta é quando o amigo morre, e ele fica abalado emocionalmente por uns dias. Mas não é um desafio pessoal interessante, um grande conflito de valores.

- Outra questão de roteiro é que o treinamento todo dos pilotos no Top Gun não era um preparativo para alguma missão ou guerra importante no futuro que gerasse expectativa. A missão que surge no final vem do nada, como uma reviravolta totalmente acidental, desconectada do resto da história.

- Daí temos mais uma dessas sequências de ação vagas, confusas... Pra criar algum conflito, Maverick começa a ficar meio desacordado, sem muita explicação, e depois recupera a força olhando pra foto do amigo que morreu — um momento meio "Use the Force, Luke!" que mais uma vez não mostra direito uma real habilidade/superação da parte dele. A grande satisfação no fundo é depois no porta-aviões, quando o rival (Val Kilmer) dá o braço a torcer e aceita que Maverick é o melhor piloto.

CONCLUSÃO: Vale pela trilha sonora, pelo visual, e pra ver Cruise em plena forma, mas o filme em si não é tão sofisticado quanto outros sucessos deste período

-------------------

Top Gun / 1986 / Tony Scott

Satisfação: 7

Categoria A/B: Idealismo com roteiro regular e alguns detalhes questionáveis na caracterização do herói

O Homem do Norte | Crítica

O Homem do Norte Poster Crítica(Os comentários a seguir foram baseados nas notas feitas durante a sessão.)

- Há um tom grave/sombrio forçado a todo momento (na fotografia, no tom de voz dos atores, etc.) me lembrando o caso do Batman (2022).

- O filme romantiza uma civilização horrível; personagens selvagens, uma cultura que gira ao redor de violência, guerra. E em vez de focar em uma exceção — em um personagem mais nobre no meio da barbárie — o protagonista é igualmente animalesco (ótimo pro roteirista, que assim precisa apenas escrever uns gritos de guerra e umas falas funcionais a cada tantas páginas, que é o máximo de caracterização que o personagem requer).

- Pelo menos não é um filme tão tedioso e sem trama quanto O Farol. Depois que o pai de Amleth é morto e ele escapa, fica claro qual o propósito do personagem e o direcionamento da história.

- O filme é claramente fundado num fascínio pelo primitivo, pelo homem em seu estado bruto, livre de civilidade, razão, que é típico da extrema-direita atual — que no fim lembra os hippies e a esquerda do passado; só que nos anos 60, eles pareciam querer voltar às "raízes" pra entrar em contato com a consciência, com um lado espiritual/transcendental, enquanto aqui, isso é um meio pra entrar em contato com a matéria, o lado físico/animal, uma espécie de instinto masculino perdido.

- A visão de mundo mística/determinista da história acaba tornando a narrativa meio tediosa, pois o protagonista não tem livre-arbítrio, não pode alterar seu destino. A profecia diz que ele só poderá matar o inimigo num dia e num local específico. Então até lá, ele não tem muito o que fazer. E as coisas que ele faz são movidas por forças sobrenaturais (como a escolha da espada), não por valores pessoais, escolhas inteligentes que tragam algum insight útil para o espectador.

- Não há nada de positivo pra aguardar na história, apenas um banho de sangue. Nem há conflitos morais envolventes (como em O Último Duelo), lições a serem tiradas, etc. É só uma história de vingança das mais básicas e previsíveis, cujo propósito final é mostrar violência.

- Se Amleth, disfarçado de escravo, começasse a ter uma relação mais próxima com o tio, haveria certo suspense, pois ficaríamos interessados em saber quando o tio descobriria a verdade, haveria um desenvolvimento melhor do vilão etc. Mas o tio é uma figura distante, mal aproveitada, que mal cria um senso de ameaça ou um desejo no público de vê-lo derrotado (longe de um Joaquin Phoenix em Gladiador). 

- SPOILERS: Quando Amleth revela sua identidade pra mãe (Nicole Kidman), as reações são totalmente artificiais. Robert Eggers é desses diretores que colocam estilo acima de conteúdo, de emoção — quer tanto parecer diferentão e autoral que destrói a credibilidade de certas cenas.

- Há um único momento onde o protagonista questiona seu estilo de vida, sua motivação por ódio/vingança, e considera um futuro melhor. Mas isso dura pouco: logo depois ele já volta pra batalha, pra cumprir seu "destino", "honrar seu sangue", etc.

- SPOILER: Outro momento artificial que prejudica o drama: quando Amleth mata a Nicole Kidman e o garotinho, e o tio mal expressa qualquer sentimento ao entrar no quarto. Combina calmamente um duelo pra mais tarde, à beira do vulcão (que não parece fazer muito sentido, mas pelo menos o filme termina numa locação estilosa).

- SPOILER: Apesar de Amleth morrer, o filme termina num tom positivo, pois a Anya Taylor-Joy se salva grávida de 2 filhos dele, e ele termina cavalgando para os céus de forma heroica. Um "final feliz" que só é possível através do misticismo/tribalismo dessa vertente da direita, que acredita no sacrifício e no sofrimento nesta vida para a salvação numa próxima, que se preocupa mais com linhagem, descendência, "sangue", do que com vidas individuais.

-----------------

The Northman / 2022 / Robert Eggers

Satisfação: 4

Categoria C: Entretenimento com valores negativos

Filmes Parecidos: O Cavaleiro Verde (2021) / Game of Thrones (2011) / O Regresso (2015) / 300 (2006) / Batman (2022)