sábado, 30 de maio de 2026

Backrooms: Um Não-Lugar

Com o buzz ao redor de Obsessão e Backrooms, estou começando a achar que eu estava certo quando sugeri que Hollywood iria pular a Geração Millennial e a próxima safra de diretores novos que empolgariam a indústria viria da Gen Z.

Gostei mais de Backrooms do que de Obsessão (ainda que Exit 8 seja a comparação mais óbvia entre os lançamentos recentes de terror), pois Obsessão pra mim já descarrilhou logo no início do ato 2, o que me deixou descrente pela maior parte do filme. Backrooms se mantém bom por um tempo bem maior — e é só na segunda metade, mais para a meia hora final, que ele começou a me frustrar.

O conceito das salas secretas é intrigante como gancho inicial, e os cenários/design de produção são o que tornam Backrooms distinto. Em termos de narrativa, o grande diferencial pra mim é algo que deveria ser óbvio, comum, mas hoje em dia não é: o filme tem uma sensatez básica na sequência de acontecimentos e na maneira como os atores reagem a tudo. É como pessoas reais talvez reagissem e se portassem ao descobrirem algo aparentemente impossível (Renate Reinsve foi uma escolha inusitada de elenco, mas ela ajuda a dar credibilidade à situação). Essa intenção sempre foi normal no entretenimento — é só na última década e pouco que se tornou padrão a completa ausência de lógica nas tramas e os personagens agirem de forma implausível. Fui ver Hokum: O Pesadelo da Bruxa outro dia — que é também sobre um homem preso num labirinto de quartos secretos sinistros, fugindo de uma presença maligna — e não passava mais de 2 minutos sem que algo completamente sem sentido acontecesse, seja em termos físicos/práticos, seja em termos de psicologia e comportamento humano. Essa postura mais realista ao lidar com o fantástico é o que cria a sensação de que os eventos de Backrooms estão realmente acontecendo. Sem isso, perde-se muito do magnetismo da ação.

SPOILERS: Se meu interesse diminuiu na segunda metade, é porque essa postura foi em parte abandonada, e o filme começou a ficar mais explicitamente simbólico, psicológico. Nesse ponto, o cineasta não traz nada de novo para a indústria; está apenas seguindo aquilo que já é um clichê há décadas no horror — o subjetivismo que talvez tenha sido "edgy" em 2002, quando Shyamalan transformou o clímax de Sinais em uma sessão de terapia, mas hoje já é o esperado. Não ajuda também o fato de as questões psicológicas no centro da história serem um tanto banais — o protagonista não é desenvolvido o bastante nem está vivendo nada tão grandioso que justifique uma representação tão dramática de sua mente.

Ou seja, é um filme onde os ganchos são frequentemente melhores que as recompensas, mas ainda assim rende uma sessão divertida.

Backrooms / 2026 / Kane Parsons

★★★

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