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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

This Is It - Michael Jackson


Já disse aqui que Michael sempre foi meu grande ídolo. Então está subentendido que tudo que está nesse documentário pra mim é de uma importância que transcende o próprio cinema. Até porque existe pouco material de Jackson por trás das câmeras, o que torna essas imagens ainda mais preciosas. O jeito que ele dirige os músicos pra chegar ao som que imaginou (incrível que com 45 anos de carreira, ainda existe dificuldade de se comunicar com os músicos!), a forma que ele lida com os problemas técnicos, a insegurança, o cuidado em preservar a voz (que está surpreendentemente em forma).

Mas o principal é poder ter uma noção do que seria esse espetáculo que agora jamais veremos (eu tinha ingressos para o dia 8 de Setembro e estava prestes a comprar a passagem quando Michael morreu). Ver as novas idéias que ele iria incorporar nesse modelo ideal de show que é mais ou menos o mesmo desde a turnê Bad de 1986 (os shows foram ficando cada vez maiores e mais caros, mas o essencial, a estrutura básica sempre foi a mesma e não iria mudar aqui). Fiquei embasbacado com a sequência de The Way You Make Me Feel, que foi inspirada possivelmente em West Side Story (nunca li isso em nenhum lugar, mas tenho certeza que Michael era fã de WSS e usou muito do musical em seus vídeos como Bad, The Way You Make Me Feel e principalmente Beat It).

Sem palavras para descrever o vídeo criado para a apresentação de Smooth Criminal, que é frequentemente o melhor número de seus shows (estranho não fazerem nos ensaios a famosa inclinação para frente que "desafia" a gravidade)

O documentário é o registro de um gênio e prova que Michael iria voltar tão grande quanto sempre foi - mas o documentário em si é genial? Nem tanto, como documentário é apenas bom; Kenny Ortega é brilhante e fez o melhor que pôde pra transformar as imagens dos ensaios em um longa-metragem eficiente. Mas teria sido preciso produzir conteúdo novo após a morte de Michael (como entrevistas com amigos, músicos, membros da equipe) pra ter um documentário 100% satisfatório, que fosse independente de seu assunto. Vou torcer pro DVD ter horas de extras.

This Is It (EUA, 2009, Kenny Ortega)

NOTA: 8.5

domingo, 12 de abril de 2009

2012: Science or Superstition?


Tenho ouvido falar muito sobre o tal apocalípse de 2012 e resolvi pegar este documentário pra saber do que se trata (ou pelo menos pra ter algo pra falar no elevador). Soube então que 21 de Dezembro de 2012 marca o fim do calendário Maia, e supostamente também o fim da civilização como a conhecemos (não entendi direito por que o simples fato do calendário terminar significa que o mundo também irá acabar; pra mim seria o mesmo que olhar um mapa de São Paulo e assumir que a Rodovia Ayrton Senna termina num barranco). De qualquer forma, peguei o filme bem intencionado, com vontade de acreditar. Mas logo ficou claro que a base "científica" usada pra justificar essas profecias não passa de uma fachada, uma casca fina que qualquer leigo pode quebrar com algumas perguntas triviais. Então fui forçado a voltar ao meu mundo simples e sem perguntas do ceticismo. Acho incrível como toda crença dessa natureza parece estar sempre associada à imprecisão, falta de clareza e ingenuidade.

Há muitos furos nessa história, mas não quero parecer me importar muito com o assunto, então vou me limitar apenas a 1 questão central.

Todo o apoio "científico" dado à essa história está baseado no fato de que em 2012 o planeta Terra, o Sol e o centro da Via Láctea (onde existe um enorme buraco negro) estarão alinhados pela primeira vez em 25 mil anos. O Sol estará ENTRE a Terra e o centro da galáxia, provocando uma espécie de eclipse - ou seja, o Sol estará "tapando" a visão da Terra do centro da galáxia, o que poderia provocar a inversão dos polos terrestres (o planeta daria uma cambalhota e pararia de cabeça pra baixo, matando todo mundo). Por que? Bom, aparentemente esse buraco negro exerce uma força magnética constante sobre a Terra (e tudo que há na galáxia), e quando o Sol entrar na frente, essa força será cortada subitamente, provocando um desequilíbrio no planeta. Isso é basicamente tudo de "científico" que foi dito a respeito de 2012... Agora vem a minha dúvida:

Na Via Láctea há pelo menos 200 BILHÕES de estrelas (o Sol sendo uma de porte pequeno, situada na borda da galáxia). O Sol pode até estar entrando na frente deste centro da galáxia pela primeira vez em 25 mil anos, mas quantos bilhões de estrelas e corpos celestes estão O TEMPO TODO tapando o centro da galáxia da Terra? Dá pra calcular? Queria ter uma analogia melhor, mas imagine o seguinte: a Avenida Paulista está vazia; você está numa ponta e um atirador está na outra. Ele atira, e você é atingido no peito. Até aí tudo bem. Mas imagine que entre você e o atirador, agora está toda a parada gay - 3 milhões de pessoas. Que diferença faria se uma drag queen anã passasse na sua frente na hora do tiro?

Quer dizer, será que ninguém pensou nisso? Claro que estamos falando de atração gravitacional e não de um objeto físico viajando pelo espaço, mas se essa força persistiu por 26.000 anos-luz, atravessando tudo o que havia no meio, não é o nosso solzinho que no fim vai interromper a viagem! Além disso, tal fenômeno de inversão dos polos nunca foi observado em outros planetas. Por que a coitada da Terra tem que ser a primeira a dar uma pirueta? Se alguém tiver uma resposta por favor poste aqui. E de preferência sóbrio, pois aprendi no documentário que os Maias, antes de tirarem suas conclusões a respeito dos astros, fumavam "plantas sagradas", para que assim pudessem atingir "estados superiores de consciência"...

INDICADO PARA: Quem estocou comida antes do bug do milênio.

2012: Science or Superstition? (EUA, 2008, Nimrod Erez)

NOTA: 3.0