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terça-feira, 9 de março de 2010

Orações para Bobby


Baseado numa história real, esse tearjerker (termo americano pra filmes que tentam fazer você chorar a qualquer custo) produzido para a TV, conta a história de um garoto gay no começo dos anos 80 que acaba se suicidando por causa da rejeição da família - principalmente da mãe que é extremamente religiosa e faz de tudo pra tentar "curá-lo" (o suicídio já é sugerido na primeira cena, então não estou estragando nenhuma surpresa). Não é nenhum Grey Gardens, que apesar de produzido pra TV tem qualidade de cinema. Esse é um típico telefilme, dirigido de maneira meio desajeitada, sem muito senso estético - apenas conta a história de uma maneira literal, assim como as novelas.

Todo o propósito do filme me parece uma fantasia vingativa meio infantil... Algo feito pra esfregar na cara dos parentes. Me lembrei da cena de Uma História de Natal, onde após uma briga com os pais, o garotinho se imagina voltando cego para casa pra fazer com que eles se sintam mal (é imperdível, assistam o trecho aqui!). Mas há algo de muito honesto e visceral nessa história, tornando ela difícil de resistir. O filme foi indicado aos Emmys de Melhor Filme e Melhor Atriz para Sigourney Weaver (que faz a mãe). Frequentemente cito Sigourney como minha atriz favorita, e este filme só me fez amá-la ainda mais. É uma das melhores performances do ano, e por causa dela o filme ganha vida.

Prayers for Bobby (EUA, 2009, Russell Mulcahy)

INDICADO PARA: Quem gostou de Milk - A Voz da Igualdade ou C.R.A.Z.Y. - Loucos de Amor.

NOTA: 7.0

sábado, 6 de março de 2010

Direito de Amar


Estréia na direção do estilista Tom Ford, Direito de Amar (financiado por ele próprio) é sem dúvida um dos filmes de maior bom gosto estético que eu já vi. É tudo tão chique que é a primeira vez que eu vejo um ator sentado numa privada ainda parecer elegante. Tudo é um prazer estético, desde a fotografia granulada, até os figurinos hiper bem cortados, a música, as sardas de Julianne Moore, a simplicidade da fonte nos créditos iniciais (a única coisa de mau gosto mesmo no filme é o título em português).

E também é a primeira vez em muito tempo que eu vejo uma novidade técnica; uma ferramenta incrível de direção que nunca tinha me passado pela cabeça. Tom Ford usa cor assim como outros diretores usam música ou tamanho de enquadramento. Não como algo estático e fixo durante o filme todo, mas como algo que deve ser aumentado ou diminuido conforme a necessidade de cada cena, acentuando os momentos desejados. Filmes como Deserto Vermelho ou Reds já usaram cor pra transmitir idéias e sentimentos, mas aqui isso é usado de uma forma diferente: numa mesma tomada, nós vemos a saturação da imagem flutuar pra cima e pra baixo, esquentando e esfriando a cena de acordo com o sentimento do personagem, como nuvens passando em frente ao Sol. E o mais impressionante é que o efeito disso não é apenas intelectual, a entrada da cor realmente intensifica a emoção das cenas!

O drama gira em torno de um professor universitário gay, em 1962, que perde o namorado num acidente de carro logo no começo do filme e passa a viver sozinho. Ou seja, não é um filme para as grandes massas. Além da temática gls, o filme é sobre idade, morte, solidão, nada pra ir curtir no Domingo com a família. Mas não é um filme depressivo; as imagens e as performances de Colin Firth e Moore fazem dele um prazer que supera a seriedade do tema.

E pasmem, o rapaz da foto acima é Nicholas Hoult, o nerdzinho de Um Grande Garoto:

Indicado ao Oscar de Melhor Ator (Colin Firth).

A Single Man (EUA, 2009, Tom Ford)

INDICADO PARA: É um filme difícil de classificar, mas acho que é pra quem gosta de filmes maduros e visuais, como Longe do Paraíso ou mesmo o Beleza Americana (esquecendo o lado teen).

NOTA: 8.0

terça-feira, 2 de março de 2010

A Fita Branca


Vencedor da Palma de Ouro em Cannes, em 2009, A Fita Branca é o novo filme do provocador cineasta alemão Michael Haneke (Caché, Violência Gratuita). Contada em preto e branco, a história se passa num vilarejo alemão poucos meses antes do início da Primeira Guerra Mundial, onde misteriosos atos de violência começam a ocorrer levantando suspeitas sobre os moradores da vila - especialmente sobre as crianças.

Sutil e com ritmo bem lento (e 2 horas e 25 minutos de duração), o filme é um comentário sobre o autoritarismo, a violência e a opressão. O conceito de Haneke é que essas crianças, acostumadas com a punição e à obediência cega dentro de suas próprias casas, são a semente do nazismo. Pra mim, isso soa como uma explicação barata e meio infantil. Uma afirmação grande, mas bobinha demais pra servir de base pra um filme tão bonito e ambicioso. É como aquele filme do Oliver Stone sobre George W. Bush, que dava a entender que todos os erros do presidente eram consequência da falta de amor do pai. Sei, sei.

A impressão que eu tive é que Haneke queria fazer o seu Dogville. Ele e Lars von Trier têm carreiras parecidas... Eles fazem parte de um mesmo universo filosófico, olham o mundo através da mesma lente - uma lente escura que quer revelar o caos e a crueldade humana. Só que eu acho Trier mais talentoso, mais profundo e mais divertido. Seus filmes são intensos, estimulantes. De qualquer forma, é um filme sobre ideias interessantes, é bem dirigido, e é visualmente impecável.

Indicado a 2 Oscars: Melhor Filme Estrangeiro (Alemanha) e Melhor Fotografia.

Das Weisse Band - Eine Deutsche Kindergeschichte (AUS/ALE/FRA/ITA, 2009, Michael Haneke)

NOTA: 6.5

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Um Olhar do Paraíso

Combinação ousada de suspense com fantasia "post mortem", onde uma garota de 14 anos é brutalmente assassinada por um serial killer e permanece numa espécie de limbo enquanto sua família se recupera de sua morte e dá início a uma investigação. Dirigido por Peter Jackson (O Senhor dos Anéis) e estrelado por Saoirse Ronan (a menininha de Desejo e Reparação), Mark Wahlberg, Rachel Weisz, Susan Sarandon e Stanley Tucci. Foi baseado num livro de sucesso de 2002.

O filme começa muito bem, mas após a morte da menina o roteiro vai enfraquecendo e perde o rumo. Não vira um suspense de investigação, não vira um drama sobre a perda, não vira uma fantasia do tipo Amor Além da Vida. E tudo isso misturado de uma maneira bagunçada. Em Ghost, depois que Patrick Swayze morre, a história continua - aparece a médium, Sam é treinado por um outro fantasma pra aprender a se comunicar com os vivos, depois ele tem que salvar a namorada, etc. Essa narrativa não existe aqui, a platéia fica meio que num limbo junto com a garota.

Apesar disso tudo achei o filme fascinante e não vi o tempo passar. Jackson tem uma habilidade rara de criar atmosfera. Ele dirige de um jeito que te suga pra tela e faz você viver cada momento, cada detalhe (repare na cena em que a irmã de Susie recoloca a tábua solta no piso do quarto do assassino - é esse tipo de exagero de direção que faz uma cena ganhar vida). Sempre meço um filme por seus picos. Tem muitos filmes com menos falhas que este, mas que não conseguem criar um único momento de magia. Este, se torna memorável por estes momentos, como por exemplo a cena do colégio onde Salmon tem seu quase primeiro beijo, que poderia ter sido uma cena esquecível e clichê se dirigida de forma mais realista, mas por conta dos toques de Jackson, se torna um momento dramático que faz o espectador sentir como deve ter sido a experiência subjetiva da garota.

Indicado a 1 Oscar: Melhor Ator Coadjuvante (Stanley Tucci)

The Lovely Bones (EUA/ING/NZ, 2009, Peter Jackson)

INDICADO PARA: Quem gostou de Amor Além da Vida, filmes do Shyamalan.

NOTA: 7.0

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Educação


Este é o filme inglês do ano. Baseado nas memórias da jornalista Lynn Barber, o drama se passa em Londres no início dos anos 60 e conta a história de uma garota de 16 anos que precisa escolher entre ir para Oxford ou abandonar os estudos para se casar com um playboy sedutor de trinta e poucos anos que aparece em seu caminho oferecendo uma vida de viagens, champagne e glamour. O centro do filme é a atriz Carey Mulligan, que dá uma performance impressionante em seu primeiro papel de destaque no cinema. Ela está indicada ao Oscar de melhor atriz, e já tem gente a comparando com Audrey Hepburn.

Difícil dizer por que gostei do filme. É uma história com um apelo universal, os atores estão todos perfeitos, a direção é precisa (feita pela dinamarquesa Lone Scherfig, de Italiano para Principiantes), o roteiro é vivo, envolvente, bem humorado (do famoso Nick Hornby, de Alta Fidelidade). Logo nos créditos iniciais sente-se que é um filme especial, com um nível de inteligência acima da média. Não é que a história é super original, ou que há cenas fantásticas, grandes emoções... O filme é rico em seus detalhes. Cada cena é interessante, você quer ouvir cada fala de cada personagens, quer saber o que vai acontecer em seguida. Acho que esse texto da autora do livro define bem o tom do filme:

"O que eu ganhei com Simon? Uma educação - aquilo que meus pais sempre quiseram para mim... Eu aprendi sobre restaurantes caros, hotéis de luxo, viagens para o exterior, aprendi sobre antiguidades, filmes do Bergman e música clássica. Mas no fundo eu ganhei um prêmio bem maior que este. Minha experiência com Simon curou completamente minha ânsia por sofisticação. Quando cheguei em Oxford, eu não queria nada além de conhecer garotos gentis, decentes e corretos da minha própria idade, sem me importar se eles eram desajeitados ou virgens. Eu iria me casar com um deles eventualmente e permanecer casada por toda a minha vida e por isso, eu suponho, eu tenho que agradecer ao Simon."

Indicado a 3 Oscars: Melhor Filme, Melhor Atriz (Carey Mulligan) e Melhor Roteiro Adaptado.

An Education (ING/FRA, 2009, Lone Scherfig)

INDICADO PARA: Quem gostou de Notas Sobre um Escândalo, A Lula e a Baleia, Beleza Americana, etc. AMIGOS: Diego E, Givago, Leslie, Wellington, Manoela A, Márcio B, Márcio L, Mariana M, Marlene, Oghan, Rafa V, Viviane S.

NOTA: 7.5

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Idas e Vindas do Amor


Um filme tão desesperado em agradar a todos que acaba se tornando meio repulsivo. Ele tem no mínimo 20 estrelas no elenco, a cantora teen do momento, o astro teen do momento, os personagens usam o sapato do momento, falam no telefone do momento - e assim que acabar este momento, o filme estará morto. E na tentativa de ser democrático, o filme se torna desonesto, sem personalidade, algo extremamente planejado e artificial. Temos uma branca que se apaixona por um negro, um casal gay atraente, referências à cultura indiana... Imagino os produtores fazendo uma lista de assuntos pop que não podem ficar de fora.

O que mantém o pique do filme mesmo são os astros na tela (como Anne Hathaway é boa!), mas o roteiro é fraco e os diálogos são comuns. O filme conta a história de vários casais que passam por momentos decisivos no dia dos namorados. São várias historinhas que se cruzam, mas fiquei com a sensação de que nenhuma delas era particularmente especial. 10 histórias mais ou menos boas não se transformam num filme excelente, e sim num filme mais ou menos bom. Serve como um bom passatempo, mas não espere se envolver ou ter insights interessantes como em Ele Não Está Tão a Fim de Você.

Do mesmo diretor de Uma Linda Mulher. Mas se o poster fosse realmente honesto, ele diria "Do mesmo diretor de Noiva em Fuga".

Valentine's Day (EUA, 2010, Garry Marshall)

INDICADO PARA: Quem gostou de Simplesmente Amor, embora este seja um pouco mais fraco. AMIGOS: Carolina K, Felipe E, Henry, Kenzo, Oghan.

NOTA: 5.0

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Premonição 4


Não é tanto um quarto capítulo da série Premonição como uma quarta versão dessa trama que é sempre a mesma - adolescentes escapam de um acidente graças a uma premonição, mas depois são perseguidos pela "morte" um a um. Como os personagens são sempre novos, a série pode continuar pra sempre, basta os roteiristas continuarem bolando boas cenas de morte.

Geralmente, o melhor momento dos "Premonições" é a primeira tragédia que abre o filme. Aqui ela se passa numa corrida de carros, mas não chega a ser tão boa quanto a da rodovia de Premonição 2, por exemplo. A cena mais interessante do 4º se passa numa sala de cinema, que logicamente exibe um filme em 3D!

O maior "problema" da série acho que ainda é a falta de um vilão. A "morte" é só um conceito; e ninguém consegue ter medo de um conceito (é o mesmo problema de Fim dos Tempos, embora sejam filmes bem diferentes). Mas acho difícil falar mal de um filme de terror 3D com 80 minutos de duração. É tudo tão honesto... Premonição ainda tem uma vantagem, que é a de saber exatamente o que é e não se levar a sério. Se você estiver adaptando Dostoiévski para o cinema, muitas coisas podem dar errado. Mas se você vai ao cinema ver um slasher de 80 minutos em 3D, do que você pode reclamar? Tudo é lucro. Eu me diverti.

The Final Destination (EUA, 2009, David R. Ellis)

INDICADO PARA: Adolescentes, frequentadores de shopping.

NOTA: 5.5

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

O Fim da Escuridão


Thriller dirigido por Matin Campbell (Cassino Royale) sobre um policial que investiga a morte de sua filha, baleada numa emboscada aparentemente armada contra ele. O filme marca a volta de Mel Gibson às telas - apesar dele ter dirigido e produzido A Paixão de Cristo e Apocalypto, Gibson não protagonizava um filme desde Sinais, de 2002.

O filme é extremamente tradicional, mas sem parecer datado ou previsível. A maioria dos filmes comerciais está sempre tentando te roubar a atenção de uma forma barata. Escalam atores bonitos, mesmo que eles não sejam os melhores pro papel. Seguem tendências de todo tipo, como essa moda de fotografar tudo com câmera na mão... Elevam a violência a níveis grotescos, inserem músicas populares mas inapropriadas na trilha sonora... Precisam sempre estar "inovando" de alguma forma. Me dá sempre uma sensação de conforto ver um filme como este, que captura completamente a atenção do espectador apenas com os elementos fundamentais da narrativa, sem precisar apelar pra outras coisas. Pode não ser o filme do ano, mas é um filme sólido e que simplesmente funciona. Gostei também de Mel Gibson. Acho incrível como ele consegue preservar uma certa vulnerabilidade ao interpretar, mesmo após décadas de estrelato (outros como Bruce Willis, George Clooney e Tom Hanks já estão com aquela expressão dura dos canastrões).

Baseado numa premiada mini-série britânica de 1985.

Edge of Darkness (RU/EUA, 2010, Martin Campbell)

INDICADO PARA: Quem gostou de Busca Implacável com Liam Neeson. AMIGOS: Carolina K, Felipe E, Mariana M, Mázio, Oghan, Rafa V, Wellington.

NOTA: 7.0

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Nine


Adaptação para o cinema do musical da Broadway de mesmo título, que por sua vez foi inspirado pelo filme 8 1/2 de Federico Fellini - que não era musical. O título do filme de Fellini nada tinha a ver com a história. Ele se chamava 8 1/2 pois era o oitavo filme e meio de Fellini (!). Até então ele havia dirigido sozinho 6 longas, co-dirigido outro (1/2), e dirigido 2 curta-metragens (que na cabeça do diretor equivalia a 1 longa), somando 7 1/2 no total. Não espere muito mais sentido no título do musical.

O filme tem um elenco absurdo (Daniel Day-Lewis, Marion Cotillard, Penélope Cruz, Nicole Kidman, Judi Dench, Kate Hudson, Sophia Loren e Fergie), é dirigido pelo caprichoso Rob Marshall (de Chicago e Memórias de uma Gueixa), e foi indicado a 5 Globos de Ouro incluindo o de Melhor Filme.

No entanto, foi um fracasso de crítica e de bilheteria. Não é o novo Chicago. Pra começar, a história é meio abstrata e pesada demais. Gira em torno de um cineasta em crise - não só no trabalho como em sua vida pessoal. Acho que fica difícil achar um momento apropriado pra explodir numa canção dentro de uma história como essa. Gene Kelly falava que a melhor justificativa pra se entrar numa canção é a simples expressão de alegria e paixão pela vida. Não existe muito disso aqui. Outra coisa que irrita é que a gente tem que aceitar que todas as mulheres amam Guido Contini, que Guido Contini é um gênio, que Guido Contini é tudo, mas o filme apenas nos diz isso, não mostra, não justifica. Julgando apenas pelas atitudes que eu vi no filme, Guido Contini é um homem confuso, triste, infiel, arrogante, e não o deus que tentam nos vender. Nine daria um bom drama, mas não é exatamente material pra Broadway.

Outro problema fatal: canções fracas. Apenas "Be Italian" se destaca. E a música nova "Cinema Italiano" talvez. Algumas chegam a ser constrangedoras, e isso mata qualquer musical. Num musical, é preferível ter canções excelentes e um roteiro medíocre do que o contrário.

Só com isso, já entendo por que o filme não decolou. Apesar do show de fotografia e direção de arte, fica uma sensação de vazio, de que o filme não aconteceu, de que é desnecessário.

Ainda assim, é agradável por causa do visual e dos famosos. Mas são méritos mais superficiais. Se você tiver 8 astros na tela, até propaganda eleitoral deve ficar relativamente interessante.

Nine (EUA/ITA, 2009, Rob Marshall)

INDICADO PARA: Fãs de Broadway e de produções luxuosas.

NOTA: 6.0

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Humpday


Comédia independente sobre 2 velhos amigos heterossexuais que decidem produzir um vídeo pra um festival de filmes pornôs de arte - o detalhe é que os protagonistas seriam eles próprios! Disso surgem várias complicações; uma delas é que um deles é casado - imagine qual seria a melhor forma de contar à sua esposa que pretende fazer sexo com outro homem em frente às câmeras. E que não é por dinheiro! A idéia pode parecer meio improvável, mas a história se desenrola de maneira bem convincente.

O legal do filme é que, além de ele te fazer pensar sobre coisas estranhas, os atores estão incrivelmente naturais e trazem um realismo pra tela que raramente se vê. Existe uma química natural entre eles e muitos dos diálogos são improvisados, dando a impressão de que todos devem ser ótimos amigos nos bastidores.

É um filme pequeno, com senso de humor, atores carismáticos e um bom conflito. Pagando Bem, Que Mal Tem? tinha uma história parecida, mas enquanto ele apostava mais nas risadas e no choque, este aqui vai mais pra sensibilidade e reflexão.

Humpday (EUA, 2009, Lynn Shelton)

INDICADO PARA: Mulheres e gays.

NOTA: 7.0

domingo, 22 de novembro de 2009

Do Começo ao Fim


Pra quem não conhece, esse é o polêmico filme sobre os irmãos gays que vivem uma relação incestuosa. Desde que o trailer caiu na internet, virou a promessa de um Brokeback Mountain brasileiro; um filme que iria quebrar tabus e transformar o cinema nacional.

Mas acabou sendo uma das experiências mais dolorosas e constrangedoras que eu já passei numa sala de cinema. Não me lembro de um caso mais extremo onde um trailer tão forte resultou numa coisa tão horrorosa. Até me cansa pensar sobre o filme, porque tem tanta coisa errada nele que pra dizer como ele poderia ter funcionado seria preciso escrever uma teoria completa do cinema.

O filme tem 2 problemas principais: roteiro e direção. Mas isso, pra citar um amigo meu, é como chegar pra alguém e dizer "só mudaria 2 coisas em você: sua personalidade e sua aparência"! Tudo na tela está errado, principalmente o elenco. Os atores talvez não sejam tão péssimos como estão aqui, mas se o texto é forçado, se os enquadramentos estão errados, se a luz e a trilha sonora vão contra a cena, o que os coitados podem fazer?

E o problema não é só o que está na tela, mas principalmente o que não está. Cadê a história? Cadê os conflitos? Cadê a parte onde os dois começam a desenvolver a sexualidade? Cadê a reação dos pais quando pegam os filhos juntos pela primeira vez? Cadê os amigos e conhecidos da família - e o que eles acham disso tudo? A mãe, que serviria como o centro emocional da história, é eliminada logo no primeiro ato. Nunca vi um filme que fugisse tão furiosamente do próprio assunto que escolheu tratar. E o impensável - não há nenhuma cena de sexo! É um roteiro acéfalo, subdesenvolvido, medroso. Um fracasso tão completo que provavelmente não irá agradar nem ao público gay que já estava completamente vendido. O filme vai realmente do começo ao fim, sem em nenhum momento passar pelo meio.

Do Começo ao Fim (BRA, 2009, Aluízio Abranches)

INDICADO PARA: Fujam deste filme e não comentem com ninguém.

NOTA: 2.5

sábado, 21 de novembro de 2009

Lua Nova


Acho que a maior força deste filme é também seu maior problema - Taylor Lautner (o lobisomem que briga pelo amor de Bella) é muito mais interessante que o vampiro Robert Pattinson! Não só por ele ser mais atraente (e isso não sou eu que estou falando; basta ouvir os gritos no cinema quando Lautner tira a camisa - não ouvi nenhuma reação semelhante voltada pra Pattinson, nem no primeiro filme). Mas o set-up do romance deles é muito melhor. No primeiro filme, Bella bate o olho no vampiro e já está apaixonada, só por ele ser charmoso e misterioso. Com o lobisomem, a gente consegue entender melhor a natureza da atração. Os dois já se conhecem há bastante tempo; agora o menino está malhado e mais bonito... Há também uma tensão pelo fato do garoto ser mais novo que ela... Eles começam a se encontrar, fazer coisas juntos... A gente se envolve e acaba torcendo mais por este romance (que é palpável, realista, leve), do que pelo amor cafona de Pattinson que está sempre gemendo e soltando frases bregas como "Você já me dá tudo ao respirar!". Então nos entediamos no terceiro ato, pois Lautner tem que sair de cena e ficamos apenas com Pattinson citando Shakespeare.

Tirando isso, o filme é claramente superior a Crepúsculo em vários sentidos. Parte porque a história é melhor, parte porque tiraram a desengonçada diretora Catherine Hardwicke e colocaram Chris Weitz no lugar, que apesar de ter errado feio em A Bússola de Ouro, sabe contar uma história e tem algum senso de cinema. Eu não queria gostar do filme, mas minha atitude já foi abalada logo nos créditos iniciais - uma sequência de título cuja simplicidade e elegância me lembrou à do clássico Alien - O 8º Passageiro.

The Twilight Saga: New Moon (EUA, 2009, Chris Weitz)

INDICADO PARA: Meninas de todas as idades. Proibido para meninos adolescentes.

NOTA: 7.0

Código de Conduta


Suspense de vingança onde um único homem (Gerard Butler) planeja destruir o sistema judicial corrupto dos EUA que permitiu que o assassino de sua esposa e filha fosse solto. A sacada é que na maior parte do filme Butler está na cadeia, e mesmo assim consegue caçar um a um os envolvidos, sem que ninguém entenda como.

É um desses filmes de "planos perfeitos", e a história é envolvente do começo ao fim. Mas há um problema: lendo essa sinopse, você logo imagina Butler na posição do mocinho íntegro lutando pelos seus direitos. Mas não é bem assim. Apesar de entendermos a motivação do personagem (afinal, o que pode ser mais revoltante que assistir sua família sendo assassinada?), ele faz coisas tão desagradáveis e violentas que perde completamente a empatia que tínhamos no início. E o "vilão", que seria o promotor (Jamie Foxx), começa a não parecer tão errado assim.

Não sei se eles quiseram fazer um filme propositalmente ambíguo, pra parecer mais "complexo", mas se foi isso deu errado. Algumas coisas são melhores quando são preto-no-branco.

Law Abiding Citizen (EUA, 2009, F. Gary Gray)

INDICADO PARA: Homens. Quem gostou de Um Crime de Mestre, Busca Implacável, O Fugitivo, etc.

NOTA: 6.0