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sábado, 5 de maio de 2012

Paraísos Artificiais


Do diretor do premiado documentário Estamira, o filme conta a história de 3 jovens que vivem um momento intenso num festival de música eletrônica, e depois tomam rumos diferentes.

Meu problema com o filme é que eu não gosto nem do assunto, nem dos personagens, nem do estilo de narrativa. A abordagem é Naturalista e além disso a história é contada fora de ordem cronológica. Não há um enredo; é basicamente uma alternância entre cenas de sexo (com muita nudez, como nos tempos da pornochanchada), imagens de pseudo-lésbicas se beijando e trocando sorrisos maliciosos (pra dar ao filme um ar "moderno"), e pessoas consumindo drogas.

Apesar do tom crítico do título, o filme não é uma denúncia, nem mesmo um retrato neutro, e sim uma celebração desse estilo de vida (que "infelizmente" traz algumas consequências negativas); um retrato simpatizante dessa geração de hippies endinheirados que parecem modelos e podem viajar pra Holanda pra consumir drogas.

Nós acompanhamos os personagens de festa em festa, viajando, traficando drogas, fazendo sexo sem sentido, ouvindo sons monótonos em raves, rindo histericamente num minuto e chorando sem motivo no próximo. Eles buscam todo tipo de prazer no irracional, no ato de desligar a mente, e depois vão contemplar o mar e se perguntar por que a vida é tão trágica e incompreensível (o filme está explicitamente na premissa de "universo malevolente").



Mais pro fim, são jogados alguns diálogos Freudianos que tentam enfiar na história algum significado mais profundo, sem sucesso.

O filme tem uma produção bem cuidada, imagens bonitas, mas o material é tão pobre que não vem ao caso elogiá-lo por competência técnica.

Paraísos Artificiais (Brasil / 2012 / 96 min / Marcos Prado)

INDICAÇÃO: Quem gostou de VIPs, Meu Nome Não É Johnny, etc.

NOTA: 3.0

domingo, 22 de novembro de 2009

Do Começo ao Fim


Pra quem não conhece, esse é o polêmico filme sobre os irmãos gays que vivem uma relação incestuosa. Desde que o trailer caiu na internet, virou a promessa de um Brokeback Mountain brasileiro; um filme que iria quebrar tabus e transformar o cinema nacional.

Mas acabou sendo uma das experiências mais dolorosas e constrangedoras que eu já passei numa sala de cinema. Não me lembro de um caso mais extremo onde um trailer tão forte resultou numa coisa tão horrorosa. Até me cansa pensar sobre o filme, porque tem tanta coisa errada nele que pra dizer como ele poderia ter funcionado seria preciso escrever uma teoria completa do cinema.

O filme tem 2 problemas principais: roteiro e direção. Mas isso, pra citar um amigo meu, é como chegar pra alguém e dizer "só mudaria 2 coisas em você: sua personalidade e sua aparência"! Tudo na tela está errado, principalmente o elenco. Os atores talvez não sejam tão péssimos como estão aqui, mas se o texto é forçado, se os enquadramentos estão errados, se a luz e a trilha sonora vão contra a cena, o que os coitados podem fazer?

E o problema não é só o que está na tela, mas principalmente o que não está. Cadê a história? Cadê os conflitos? Cadê a parte onde os dois começam a desenvolver a sexualidade? Cadê a reação dos pais quando pegam os filhos juntos pela primeira vez? Cadê os amigos e conhecidos da família - e o que eles acham disso tudo? A mãe, que serviria como o centro emocional da história, é eliminada logo no primeiro ato. Nunca vi um filme que fugisse tão furiosamente do próprio assunto que escolheu tratar. E o impensável - não há nenhuma cena de sexo! É um roteiro acéfalo, subdesenvolvido, medroso. Um fracasso tão completo que provavelmente não irá agradar nem ao público gay que já estava completamente vendido. O filme vai realmente do começo ao fim, sem em nenhum momento passar pelo meio.

Do Começo ao Fim (BRA, 2009, Aluízio Abranches)

INDICADO PARA: Fujam deste filme e não comentem com ninguém.

NOTA: 2.5

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Besouro


Uma tentativa brasileira de fazer um filme mais "pop", que mistura ação e artes marciais com história, capoeira e mitologia afrobrasileira. Se apenas eles tivessem um bom roteiro...

O filme tem uma narrativa confusa, ambígua. Você nunca sabe se está acompanhando uma história, um sonho, se tudo não passa de uma metáfora... Me parece o trabalho de um cineasta dividido; querendo inovar por um lado, mas se torturando por ser muito comercial. Este é o problema no Brasil; os caras que sabem se comunicar com o povão, têm mau gosto. Os que tem bom gosto, têm receio de serem comerciais. São duas tribos que não se misturam. Enquanto essa ponte não for feita, não haverá entretenimento de qualidade por aqui.

Besouro (BRA, 2009, João Daniel Tikhomiroff)

INDICADO PARA: Capoeiristas.

NOTA: 4.5